PRR: investimentos dos setores agrícola e agroalimentar em risco de incumprimento, alerta TdC

O Tribunal de Contas indica que, a escassos meses do final do prazo para a sua conclusão, a execução financeira do investimento da Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030 é de apenas 45%.

PRR: investimentos dos setores agrícola e agroalimentar em risco de incumprimento, alerta TdC
Agroalimentar

A reforma prevista no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para a investigação e inovação para a sustentabilidade da agricultura, alimentação e agroindústria foi realizada no prazo previsto (com a aprovação da Agenda de Inovação para a Agricultura 2020-2030), “mas a taxa de execução do investimento para a implementação da mesma é reduzida”. A conclusão consta no relatório de ‘Auditoria aos Apoios do PRR à Agenda de Investigação e Inovação para a Sustentabilidade da Agricultura, Alimentação e Agroindústria’, que o Tribunal de Contas acaba de divulgar.

O relatório indica que a escassos meses do final do prazo para a sua conclusão, a execução financeira do investimento é de apenas 45%. Uma situação que resulta de vários fatores, refere aquele organismo, designadamente “atrasos na definição de normativos e procedimentos, morosidade do processo decisório das candidaturas e lentidão no início dos trabalhos e na submissão de pedidos de pagamentos. Está assim em risco o cumprimento das metas fixadas para 2025, bem como a eficácia da reforma”.

Quanto aos sistemas de acompanhamento e controlo, concluiu-se que existem mecanismos de acompanhamento em funcionamento, embora as visitas físicas aos projetos em curso não tenham vindo a ser efetuadas de forma sistemática, o que pode limitar a capacidade de identificação e correção atempada de desvios. “Constatou-se ainda que existem controlos instituídos quanto à verificação da regularidade e à prevenção da fraude, corrupção e conflitos de interesses, mas que se impõem melhorias, em especial quanto ao controlo de situações de duplo financiamento e à interoperabilidade dos sistemas de informação”.

As conclusões do Relatório suscitaram a formulação de um conjunto de recomendações sobre a execução da agenda e do investimento associado previsto no PRR, bem como sobre os sistemas de controlo na execução de fundos europeus.

Sobre o acompanhamento da Agenda de Inovação para a Agricultura, o Tribunal recomendou ao ministro da Agricultura e Mar que assegure a sua efetiva coordenação global e monitorização, “dinamizando a operacionalização do Conselho Interministerial e do Conselho Consultivo, criados pela RCM n.º 86/2020, assim como diligencie no sentido de serem elaboradas ações de avaliação intercalar, com divulgação dos respetivos resultados”.

Relativamente à execução do investimento do PRR, foram dirigidas várias recomendações ao Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP), enquanto beneficiário intermediário e direto, no sentido de reforçar o acompanhamento, monitorização e controlo (para assegurar a eficaz execução das medidas) e de colmatar limitações dos mecanismos de controlo instituídos (eliminando as incorreções identificadas). No âmbito da contratação pública, foi recomendado ao IFAP um planeamento adequado das necessidades e o cumprimento das regras legais sobre a não realização de pagamentos antes da publicitação dos contratos públicos e respetivas modificações no portal dos contratos públicos.

O Tribunal formulou ainda recomendações para a implementação de mecanismos sistemáticos de intercâmbio de informação entre o IFAP, a Agência para o Desenvolvimento e Coesão (AD&C) e a Estrutura de Missão Recuperar Portugal (EMRP), que permitam despistar situações de eventual duplicação de apoios, bem como para o reforço da interoperabilidade entre os respetivos sistemas de informação, de modo a melhorar a gestão e controlo do financiamento e a prevenção de fraudes e duplicação de apoios.

No âmbito do sistema de gestão da fraude, salienta-se a recomendação para que o IFAP o aprofunde, designadamente nos domínios da avaliação do risco residual, da rotação de pessoal em posições sensíveis, de medidas de formação e divulgação de sinais de alerta, da verificação de conflitos de interesses, da comunicação de suspeitas, da promoção de mecanismos de sancionamento e da utilização da ferramenta ARACHNE.

Relacionado

Tribunal de Contas nega estar há dois anos a travar expansão da Linha Vermelha do Metro de Lisboa

Tribunal de Contas nega estar há dois anos a travar expansão da Linha Vermelha do Metro de Lisboa

Maria Teixeira Alves21 Out
Cristina Vaz Tomé, presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa, disse ontem no Parlamento que a expansão da Linha Vermelha ainda não avançou porque estão "há dois anos à espera que o Tribunal de Contas atribua o visto prévio para a fiscalização das obras", informação que o TdC considera "corrigir", naquele comunicado.
Reforma das finanças não deve enfraquecer fiscalização da despesa para proteger democracias, diz TdC

Reforma das finanças não deve enfraquecer fiscalização da despesa para proteger democracias, diz TdC

“Qualquer reforma do quadro legislativo destas instituições — e do próprio regime das finanças públicas substantivo — não deve resultar num enfraquecimento do controlo das finanças públicas, especificamente do controlo externo das finanças públicas“, afirmou Filipa Urbano Calvão, referindo-se ao papel do Tribunal de Contas português e do Tribunal de Contas Europeu (TCE).
Presidente do Tribunal de Contas admite recorrer ao Constitucional contra a reforma que acaba com o visto prévio

Presidente do Tribunal de Contas admite recorrer ao Constitucional contra a reforma que acaba com o visto prévio

Maria Teixeira Alves3 Out
Filipa Urbano Calvão diz que a instituição "não pode sair de cena" e quer poder travar obras que violem a lei. Sobre o fim do visto prévio, Filipa Urbano Calvão lembra que a "crença de que agilizando os procedimentos da Administração Pública vamos garantir a eficácia da prossecução do interesse público e das finanças públicas está por demonstrar".