O ênfase que se dá ao curto prazo continua a ser desmedido face às questões estruturais que precisam de ser resolvidas para criar um ambiente económico que possa promover uma convergência económica com o resto da Europa.
Não obstante as perspetivas para a economia portuguesa sejam favoráveis, há algo que nos deve preocupar, e que reside na nossa incapacidade em provocar um choque positivo, significativo, no crescimento económico.
Falta ambição ao PE para aproveitarmos devidamente os fundos disponíveis e uma certa conjuntura para a economia dar um salto de crescimento, inovação e desenvolvimento.
Um país com problemas de fundo, cresce, mas não progride. Sem prejuízo de responder às exigências da conjuntura, se há folga para fazer políticas, estas deveriam procurar soluções de longo prazo.
O cenário que herdamos permite-nos ter a expetativa de um crescimento em 2023 de pouco mais de 1%, muito provavelmente, sustentado pela dinâmica da evolução das exportações.
Urge efectuar as reformas necessárias nos sectores fulcrais como são a saúde, a educação, a justiça ou a administração pública, adoptar políticas públicas adequadas a cada sector.
As previsões de crescimento de Portugal são mais positivas do que os da zona euro, incluindo as relativamente a Espanha, o nosso principal parceiro comercial.
Espera-se um crescimento abaixo do potencial, pelo que será difícil um crescimento significativo das exportações, até porque não tem havido ganhos significativos de competitividade, nem qualquer esforço público nesse sentido.
O crescimento do investimento, o óleo no motor da economia, estará bastante alavancado no investimento público, sendo que perto de metade será financiado pelo PRR, cuja taxa de execução tem ficado dramaticamente abaixo do previsto. Mário Centeno assim o disse.
O aumento da produtividade sempre tão referido nas comparações de Portugal com os restantes países da União Europeia, implica investimento que contribua para o aumento da capacidade produtiva e para as exportações.
Há a suspeita de que, de novo, o investimento esteja a ser usado como instrumento de controlo das contas públicas. Por isso, não se pode confiar na meta governamental de aumentar o investimento em 37% no próximo ano.
Perante a atual conjuntura económica, com inflação em alta, a subida dos preços da energia, a guerra na Ucrânia, antecipa-se que a incerteza não ajudará ao investimento. Os sinais não são bons.
Rubrica do investimento tem vindo a ser consecutivamente sobre orçamentada, com uma execução a rondar os 80% desde 2015. Ambição para 2023 é grande, mas dificuldades são muitas e conjuntura incerta pode piorar a situação.
António Nogueira Leite detetou sinais preocupantes quanto à inflação ainda no ano passado, mas considera que a política do BCE envia sinais positivos aos agentes europeus. Em Portugal, há almofada financeira para acomodar incerteza de 2023, mas investimento tem de recuperar.
O pacote de Bruxelas deveria ter um impacto transformador na economia nacional, mas o seu pagamento tem-se vindo a atrasar. Montante já era de difícil execução e cenário vai-se agravando.
Um primeiro trimestre de 11,9% de crescimento e um verão com a procura turística em alta podem compensar o risco criado pela subida dos custos de financiamento, mas várias empresas mais endividadas terão muitas dificuldades.
Não olhando nem para o passado nem para o futuro previsível, esquece-se que o crescimento económico deve ser analisado em horizontes mais longos e numa ótica mais estrutural.
Com os juros a subir e a inflação em níveis recorde na zona euro, Luís Campos e Cunha realça o impacto de decisões políticas nas perspetivas económicas globais e nacionais, em particular no capítulo da guerra. Para este ano, a expectativa continua num bom crescimento português.
Economista analisa projeções do crescimento económico português, assentes no motor do turismo, e alerta para os riscos associados ao setor que, diz, ainda não recuperou do choque da Covid-19.