O governo francês está entre a espada e a parede. Se adotar medidas para acalmar os mercados, arrisca agravamento dos protestos nas ruas. Se nada fizer, os juros podem continuar a subir.
O BCE será um dos principais actores de 2023 na zona euro, com um trabalho muito difícil, de baixar a inflação e evitar uma recessão, podendo ter um sucesso limitado em ambos os casos.
A dúvida essencial é sobre a guerra: será que acaba em 2023? Mas também nos perguntamos se será necessário provocar uma recessão para controlar a inflação.
O Banco Central Europeu já definiu que “A médio prazo teremos de trazer a inflação de volta aos 2% e faremos o que temos de fazer. Isto é, continuar a aumentar as taxas de juro nas próximas reuniões”, explica Christine Lagarde.
Mais uma vez, os bancos centrais estão a agir tarde, tendo em conta os sinais de inflação registados ainda em 2021. Corremos, assim, o risco de se cometerem excessos e de se destruir a recuperação pós-pandemia.
O BCE deverá subir os juros em todas as reuniões até Dezembro. A solidariedade europeia será testada neste Inverno, no que começam a ser muitos testes a um bloco económico que apenas ambicionava a paz.
Mais vale actuar de imediato do que deixar à solta uma inflação já cavada, esperando que a guerra termine, com a agravante de, no entretanto, serem alimentadas expectativas inflacionistas mais fortes que se tornarão mais difíceis de controlar.
Esta compra de tempo [pelo BCE] vem com um custo para todos os europeus: a desvalorização do euro, que só na última década caiu mais de 20% face ao dólar americano.
Analistas avisam que “o aumento do custo dos serviços é também motivo de preocupação”, dado que a inflação está a ser transferida dos bens para o resto dos componentes do cabaz.
Mesmo com as crises da Covid e da Ucrânia, o sucesso da candidatura de adesão da Croácia ao euro é um sinal da unidade e crescente integração da UE. O Parlamento Europeu deu ontem luz verde à entrada da Croácia no euro.
As políticas de aumentos salariais seguidas pelo Governo são uma forma de retirar poder de compra aos rendimentos do trabalho pois não jogou, quando podia, com um mix de políticas: aumento de salários e alívio da fiscalidade sobre o trabalho.
A introdução do' quantative easing' mostrou que os bancos centrais estão dispostos a usar ferramentas novas para responder às necessidades da economia. Poderá a conjuntura atual abrir portas a outros tipos de política monetária menos convencionais?