O governo francês está entre a espada e a parede. Se adotar medidas para acalmar os mercados, arrisca agravamento dos protestos nas ruas. Se nada fizer, os juros podem continuar a subir.
O Reino Unido experimenta inesperadas dificuldades em domar a inflação. Enquanto os britânicos se vão apercebendo da falta que lhes faz o Banco Central Europeu, os juros dos títulos da dívida estão em modo descontrolado.
Em Portugal, o turismo provavelmente irá continuar a “salvar” a economia nacional. Já há muitos indicadores coincidentes preocupantes na indústria, mas no turismo batem-se recordes.
A indústria voltou a pesar nas perspectivas de curto prazo da zona euro, embora também nos serviços o cenário não seja muito animador. A boa notícia vem do lado dos preços, com abrandamentos das pressões no lado dos produtores e dos consumidores.
O consumo pesou neste resultado, tanto do lado das famílias, como dos governos, deixando a ligeira melhoria do lado do investimento insuficiente para impulsionar o crescimento, cenário que se deve prolongar este ano. Portugal registou a terceira melhor performance europeia.
Na Alemanha, o preço da manteiga já desceu cerca de 30%, um dado que anima os especialistas que esperam que esta descida venha a ter um impacto na restante economia da zona euro.
Em Portugal, as vendas a retalho caíram 1,4% face ao mês anterior, mas registaram um crescimento de 2,6% em comparação com o mesmo período do ano passado.
Em maio, o indicador HCOB caiu para 52,8, atingindo assim um novo valor mínimo recorde. O PMI do sector dos serviços caiu para 55,1, o índice de emprego desceu para 54,6 e o índice de produção tombou para 56,4.
O primeiro trimestre fechou com o país a liderar o crescimento na zona euro, mas a subida dos juros, o abrandamento dos principais parceiros comerciais e os atrasos no investimento pesam nas projeções para este ano. Procura interna já sofre e a externa deve começar a fraquejar.
BCE aponta que "uma deterioração inesperada das condições económicas ou uma maior restritividade das condições financeiras poderiam conduzir a ajustamentos desordenados dos preços nos mercados financeiros e da habitação".
O índice de sentimento económico da Comissão Europeia recuou para mínimos de novembro, sinalizando mais riscos para o crescimento da zona euro, com todos os sectores produtivos a registarem uma deterioração de expectativas.
Subida dos juros diretores e redução do balanço do BCE preocupam Bruxelas, mas economistas portugueses confiam na saúde das finanças públicas. Ainda assim, página da austeridade não foi virada.
O aperto monetário do BCE irá criar dificuldades acrescidas na zona euro, sobretudo num país com grande exposição a taxas variáveis como Portugal, mas o emprego continua a dar suporte à economia, que conseguiu crescer marginalmente no primeiro trimestre.
No primeiro trimestre, as exportações na zona euro com o mundo subiram 8,5% para 724,5 mil milhões de euros em relação ao trimestre homólogo, enquanto as importações se mantiveram estáveis nos 727,1 mil milhões de euros.
No conjunto da UE, a projeção é de uma taxa de inflação de 6,7% este ano e de 3,1% no seguinte, o que compara com 6,4% e 2,8%, respetivamente, estimadas nas previsões de inverno.
De acordo com a estimativa do serviço estatístico da União Europeia, a taxa de inflação anual avançou de 6,9% em março para os 7,0% em abril, mantendo-se, no entanto, aquém dos 7,4% do mesmo mês de 2022.
O índice de confiança da Comissão Europeia subiu marginalmente, ficando abaixo das projeções do mercado. Perspectivas de emprego pioraram na indústria e serviços, embora expectativas de preços tenham acalmado novamente.
O défice público recuou, em 2022, tanto na zona euro, para os 3,6% do PIB, quanto na União Europeia (UE), para os 3,4%, face ao ano anterior, segundo dados hoje divulgados pelo Eurostat.