Habitação: Plataforma ‘Não dá mais’ organiza protestos em todo o país

O movimento ‘Não dá mais para viver assim’, que reúne cerca de 40 organizações da sociedade civil, organiza uma série de protestos para este sábado contra o aumento do custo de vida e a crise na habitação.

Habitação: Plataforma ‘Não dá mais’ organiza protestos em todo o país
Vista de habitações na zona histórica do Porto, 13 de junho de 2024. JOSÉ COELHO/LUSA

O movimento “Não dá mais para viver assim”, que reúne cerca de 40 organizações da sociedade civil, está a preparar uma série de protestos para este sábado contra o aumento do custo de vida e a crise na habitação, que se agrava em Portugal. As manifestações vão acontecer em cinco cidades. Cinco cidades de Portugal acolhem, este sábado, 10 de outubro, uma manifestação contra a crise na habitação, organizada por uma plataforma que reúne cerca de 40 organizações da sociedade civil.

“Vivemos a trabalhar e esgotamo-nos para fazer o salário esticar até ao final do mês, para enfrentar o aumento dos preços dos combustíveis, as despesas básicas e para não perder a casa”, escrevem os organizadores na sua conta do Instagram.

O aumento do custo de vida e o crescente custo das rendas estão a tornar a vida dos portugueses incomportável. “É impossível viver num país onde a renda consome metade do salário e a outra metade é gasta em bens essenciais”, escreve a organização.

O coletivo, composto por sindicatos, associações de igualdade de género, de defesa e de direito à habitação, de ação climática e de inclusão social, entre outras, critica a forma como o governo está a responder à crise na habitação e pede que haja “maior controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis” e exige “medidas que respondam à crise na habitação”, escreve o jornal Correio da Manhã.

Recentemente, o parlamento aprovou, na generalidade, uma nova proposta de lei do arrendamento que, caso avance, vai permitir, entre outras coisas, o aumento das rendas sem limite legalmente estabelecido. O travão anterior era de 2% face ao valor da renda anterior. A proposta prevê ainda a antecipação da resolução dos contratos de arrendamento por falta de pagamento de três para dois meses, e as cauções poderão deixar de ter limite. O diploma passou sobretudo por causa da posição do Chega, o maior partido da oposição, que se absteve.

“Já não aguentamos mais o aumento dos combustíveis, das rendas das casas e dos preços nos supermercados; é altura de irmos para a rua”, diz um internauta no Instagram. “Temos de fazer como está a acontecer em França, com estudantes e professores na rua, e como aqui ao lado, em Espanha, com os acampamentos” por causa da crise da habitação.

Na quinta-feira, milhares de pessoas manifestaram-se em Madrid e noutros pontos do país para afirmar a sua luta pelo direito a um lar. O dia também foi de homenagem a Maricarmen Abascal, de 87 anos, que, duas semanas depois de ser despejada da casa onde vivia há mais de sete décadas, abalou o debate político e social sobre o acesso a uma habitação digna em Espanha. A octogenária acabou por morrer no hospital quando apenas queria viver os últimos dias da sua vida no seu lar de mais de 70 anos.

Maricarmen tornou-se um símbolo das reivindicações contra os despejos e pelo acesso à habitação acessível.

Os protestos em Portugal têm início este sábado começando pela cidade do Funchal, na Madeira, às 11h00 (hora local). Seguem-se Aveiro (15h30), Porto, Braga e Lisboa (17h00).

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