A minha geração teve voz. Esta também merece ser ouvida. Não tenho de concordar com tudo o que diz para defender que possa dizê-lo, de forma pacífica e sem medo.
O país barato dos influenciadores é, para muitas famílias portuguesas, um país cada vez mais caro. E a justiça fiscal não pode continuar a ser um benefício reservado a alguns.
Revisito aqui instrumentos jurídicos de acesso à propriedade, figuras esquecidas ou porventura desconhecidas de muitos. Entre eles, a locação financeira: poderá o leasing imobiliário oferecer alternativa ao crédito hipotecário tradicional?
O Orçamento do Estado para 2027 reconhece a classe média e pede parceiros privados. O Parlamento pode abrir a porta a quem garante rendas acessíveis para sempre, sem gastar um euro.
A crise da habitação não é uma crise do turismo. É uma crise de oferta, construção e licenciamento; de salários, imóveis vazios, mobilidade, ordenamento e concentração geográfica da procura. Daí ver com interesse a proposta europeia para a habitação.
O movimento ‘Não dá mais para viver assim’, que reúne cerca de 40 organizações da sociedade civil, organiza uma série de protestos para este sábado contra o aumento do custo de vida e a crise na habitação.
Há sessenta anos, a Suécia respondeu a uma crise habitacional com uma decisão que parecia impossível de concretizar: construir um milhão de casas em dez anos. O 'Programa Milhão' deve servir de referência para os debates atuais em Portugal.
O Governo anunciou 1.851.636.907 euros para construir, adquirir e reabilitar doze mil casas a custos acessíveis até 2030. É um número exato, decidido em Conselho de Ministros, publicado em Resolução e com calendário anual definido. Parece um número fechado. Mas não é.
A questão da habitação em Portugal não nasceu ontem, mas durante demasiado tempo faltou a coragem política de atuar sobre as suas causas reais e estruturais. Em 2025, essa dinâmica inverteu.
A redução do IVA, sinal legislativo relevante, não resolve isoladamente a crise habitacional, mas representa um passo consistente no reconhecimento de que sem condições económicas adequadas para quem investe, não haverá aumento sustentável da oferta.
Nenhuma medida pública é isenta de críticas e há legítimas dúvidas a colocar sobre a sua execução, o grau de fiscalização e os efeitos colaterais no mercado. Mas o papel de um bom ministro não é apenas desenhar boas políticas: é garantir que funcionam na prática.
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou que o líder do PSD e primeiro-ministro brindou o país com uma intervenção marcada por promessas e ilusões, ao anunciar medidas para a habitação acessível.
As narrativas populistas alastram e contaminam a direita e o centro, tornando a nossa sociedade mais extremada, insensível e retrógrada perante o sofrimento.
Não soubemos ler sinais, mas já percebemos que a oferta de casas tem sido limitada porque construímos muito pouco desde a crise financeira e económica de 2008-2010. Além disso, a procura tem aumentado.
Não acordámos um dia com falta de habitação, de professores ou de médicos. Quem estava de serviço, nestes casos o anterior governo, falhou, e vamos levar anos a resolver, por muito que se esperneie.