De acordo com os indicadores divulgados pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), o Índice do Nível de Atividade recuou 3,7% em setembro, refletindo um agravamento da evolução negativa do setor. Já o Índice da Carteira de Encomendas registou uma ligeira descida de 0,1%, depois de ter apresentado um crescimento homólogo de 2,9% em agosto.
Apesar deste comportamento, a produção contratada apresentou uma ligeira recuperação. Em setembro, as empresas de reabilitação urbana tinham assegurados, em média, 9,5 meses de atividade futura, acima dos 9,4 meses registados no mesmo mês de 2025.
No licenciamento, os números também confirmam o abrandamento. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), até agosto foram licenciadas 3.744 obras de reabilitação, menos 14,4% do que no período homólogo.
A quebra abrangeu tanto o segmento residencial como o não residencial. Nos edifícios destinados à habitação, foram licenciadas 2.350 intervenções, menos 10,6% do que nos primeiros oito meses de 2025. Já no segmento não residencial, o número de licenças fixou-se em 1.394, traduzindo uma redução mais acentuada, de 20,1%.
Os dados mostram, assim, uma contração transversal ao mercado da reabilitação, com a componente não residencial a apresentar o maior recuo no licenciamento.
A AICCOPN ressalva, contudo, que os números do licenciamento não representam a totalidade da atividade do setor. Os dados do INE abrangem apenas as operações sujeitas a controlo prévio municipal, deixando de fora diversas intervenções, nomeadamente obras de conservação e determinadas alterações no interior dos edifícios, que estão dispensadas desses procedimentos.
Deste modo, a evolução do licenciamento deve ser interpretada com esta limitação em conta, embora os indicadores de atividade e de carteira de encomendas apontem igualmente para um contexto menos favorável para as empresas de reabilitação urbana.