O CEO fez o anúncio na apresentação de contas tendo o BCP registado lucros de 873,7 milhões até setembro, mais 12,6% do que no mesmo período do ano passado.
A exigência do Pilar 2 (Pillar 2 Requirement ou P2R) para o banco fixar-se-á em 2,05% a partir de 1 de janeiro de 2027, o que representa um corte de 10 pontos base face ao nível anterior, segundo informou o BCP em comunicado ao mercado.
De acordo com as notificações de transações de dirigentes, Miguel Maya vendeu três milhões de ações ao preço de 1,08399 euros, o que perfaz cerca de 3,25 milhões de euros. O CFO, Miguel Bragança, alienou 1,2 milhões de títulos a 1,08388 euros, num total de aproximadamente 1,3 milhões de euros.
O banco tinha anunciado uma política de distribuição de capital que previa a afetação de até 40% dos lucros de 2025 à recompra de ações, num montante de cerca de 407,5 milhões de euros. A operação decorre num contexto de reforço da rendibilidade e da remuneração dos acionistas, numa altura em que o BCP tem vindo a aumentar os resultados da atividade em Portugal.
A DBRS atribui este desempenho ao crescimento do crédito — sobretudo habitação —, a depósitos mais baratos e a uma maior contribuição da carteira de dívida soberana. A agência vê o BCP bem posicionado para cumprir o plano estratégico 2025-2028, com um retorno sobre capital próprio estimado em pelo menos 17,5% em 2028, acima da meta original de mais de 13,5%.
Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, o CEO do BCP explicou que o banco reorganizou as suas equipas para acelerar a análise e o financiamento de projetos que respondam às necessidades do mercado habitacional. O BCP já usou 88% da sua quota de garantia do Estado de apoio aos jovens, o que inclui crédito contratado e em contratação.
O BCP alterou estimativas os objetivos do seu plano estratégico para 2028, passando a apontar para um volume de negócios superior a 200 mil milhões de euros, face à meta anterior de mais de 190 mil milhões de euros, de acordo com a atualização das estimativas divulgada pelo banco.
Apesar da diminuição expressiva dos custos associados aos créditos hipotecários em moeda estrangeira, antes de impostos, que registaram uma redução de 63% nos primeiros 9 meses de 2026 face aos primeiros 9 meses de 2025, os resultados do BanK Millennium mantiveram-se condicionados por esse efeito.
Com estas aquisições, o volume total acumulado pelo BCP desde o início do programa eleva-se para 297.557.006 ações. O investimento global realizado pelo banco ascende assim a cerca de 329,36 milhões de euros, passando a instituição a deter uma participação direta correspondente a 2,01% do seu capital social.
Os principais índices europeus seguem no 'vermelho' a meio da sessão, com os índices a serem pressionados pela instabilidade política e social sentida por toda a Europa. Por cá, o BCP lidera as quedas.
Segundo o BCP, o reembolso antecipado terá lugar no dia 17 de novembro de 2026, pelo respetivo montante de capital em dívida acrescido de juros vencidos.
O Jefferies destaca que o banco negocia a 9,6 vezes o lucro estimado para 2028 e a 1,8 vezes o valor contabilístico ajustado, com um prémio de 10% face ao setor que considera justificado pelo crescimento mais forte dos lucros, pela maior rentabilidade e pela exposição a Portugal, um dos mercados com menor custo de capital próprio na Europa.
No segmento acionista, o BCP liderou a quota de mercado das transações sobre ações, com 31,2%, seguido da Caixa – Banco de Investimento, com 13%, e do BPI, com 12%.
Com estas últimas aquisições, o banco liderado por Miguel Maya acumula desde o arranque do programa, a 4 de junho, 284.570.309 ações próprias, por um valor total de 315,2 milhões de euros, o que representa cerca de 77% dos 407,5 milhões de euros previstos no plano de recompra. As ações em carteira correspondem já a 1,92% do capital social do Banco Comercial Português.
Com estas compras, o BCP acumula 274.551.748 ações recompradas desde o início do programa, pelo valor total de 303,88 milhões de euros, passando a deter 1,85% do seu próprio capital social.
Segundo o semanário Expresso, o executivo de Luís Montenegro considera o BCP um ativo estratégico para a economia portuguesa, à semelhança da REN, onde o Estado já detém 13,7% do capital. O objetivo passaria também por evitar um reforço da presença de grupos bancários espanhóis no mercado português.
O banco liderado por Miguel Maya descia mais de 2% nas primeiras horas de negociação, num contexto de pressão sobre a banca europeia. Apesar da evolução em bolsa, o Oddo BHF e o Goldman Sachs atualizaram em alta os respetivos preços-alvo para o BCP.
O Millennium BCP anunciou esta segunda-feira o lançamento do Cash-on-Time, uma solução digital que permite a fornecedores anteciparem o valor de faturas já emitidas e aprovadas através do site de Empresas do banco.
O UBS iniciou a cobertura do BCP com uma recomendação de Compra (Buy), elevando o preço-alvo de 1,20 euros para 1,35 euros. Este é o target mais alto entre os analistas analisados.
A agência considera que o BCP está bem posicionado para preservar os atuais níveis de rentabilidade, apoiado pela resiliência da economia portuguesa e do mercado de trabalho, pela continuação do crescimento da carteira de crédito e pela disciplina na gestão de custos. A DBRS destacou ainda a redução gradual dos riscos associados à carteira histórica de créditos hipotecários denominados em francos suíços na subsidiária polaca Bank Millennium, um tema que tem pressionado os resultados do grupo nos últimos anos.