O CEO fez o anúncio na apresentação de contas tendo o BCP registado lucros de 873,7 milhões até setembro, mais 12,6% do que no mesmo período do ano passado.
O BCP é a cotada que está a colocar mais pressão na Bolsa de Lisboa, perdendo mais de 3% na abertura. Já os lucros apresentados pela Greenvolt (+114%) e pela Altri (+23%) não convenceram os analistas e as empresas recuam nas negociações.
A Galp e o BCP lideram entre as cotadas do índice de referência português. A energética sobe 2,82% para 10,11 euros e o banco liderado por Miguel Maya avança 2,02% para 0,1967 euros.
A sessão foi de quedas acentuadas no sector bancário, com as principais praças europeias a registarem perdas ainda mais acentuadas do que a bolsa de Lisboa, depois do colapso do Silicon Valley Bank. Além do BCP, Galp e Mota-Engil registam as maiores quedas.
O Crédito Agrícola de Alcobaça foi uma das instituições de crédito que responderam ao pedido dos sindicatos para contemplar também os pré-reformados nos apoios concedidos aos trabalhadores.
No sector energético, o desempenho é misto. A EDP Renováveis ganha 0,40% para 20,23 euros e a EDP sobe 0,28% para 4,73 euros, enquanto a Galp cai 0,38% para 10,36 euros e a Greenvolt perde 0,14% para 7,04 euros.
O alarme nos mercados soou depois do SVB Financial, que controla um banco especializado em “start ups” de Silicon Valley, ter anunciado um aumento de capital para cobrir perdas e tombado mais de 60% na bolsa. Banca está em forte queda na Europa.
A mudança de perspectiva para o rating do BCP reflete, em parte, uma maior clareza em torno do provisionamento necessário para cobrir os riscos legais do Bank Millennium com empréstimos hipotecários denominados em francos suíços, na Polónia.
O presidente executivo do Millennium BCP acabou mesmo por revelar que tinha estado com o presidente da Fosun recentemente e que "todas as indicações são de suporte ao banco, à estratégia e ao caminho que estamos a percorrer".
Millennium BCP contabilizou no segundo trimestre as contribuições bancárias que em Portugal somam 62,2 milhões de euros, dos quais para o Fundo de Resolução português foram 18,7 milhões (mais 1,7 milhões que no primeiro semestre de 2021). "Isto é um fardo pesadíssimo que mina a competitividade da banca portuguesa na Europa", disse o CEO.
"Cria-se a ideia de que os juros sobem e as comissões caem. Não é assim", afirma Miguel Maya, CEO do BCP, notando que "o banco não perspetiva nenhuma baixa das comissões", uma vez que "os preços estão adequados aos serviços prestados".
Miguel Maya, CEO do BCP, afasta que venha a ser necessário avançar com um aumento de capital para fazer face à situação na Polónia, estimando que sejam necessários mais de dois anos para o Bank Millennium repor os rácios.
Os resultados para os primeiros três meses do ano foram influenciados por encargos de mais de 120 milhões de euros associados à carteira de créditos em francos suíços concedidos pelo banco do BCP na Polónia.