A sede da Uber em Lisboa está a ser alvo de buscas por parte da Autoridade Tributária, Ministério Público e Segurança Social por suspeitas de fraude fiscal. Em causa estão suspeitas que lesaram o Estado e a Segurança Social em mais de 35 milhões de euros.
A empresa de entregas avançou que está a colaborar com as autoridades, mas garante não ser a entidade visada. “Confirmamos as diligências nas nossas instalações, sendo que a Uber não é a entidade visada das mesmas. Estamos a colaborar com as autoridades e a disponibilizar toda a informação solicitada”, informa a empresa em comunicado.
Em comunicado, o Ministério Público revela que está a investigar a “atuação e relação comercial entre uma sociedade comercial – que se dedica, entre outras, às atividades de gestão de plataformas digitais relacionadas com a restauração, e à venda de serviços de entrega a clientes finais – e os seus principais parceiros de frota”.
O inquérito instaurado em julho de 2022, e que resultou na Operação “Express Delivery”, realizou esta terça-feira 65 buscas domiciliária e não domiciliárias, com grande foco em Lisboa, mas foi também alargada aos distritos de Setúbal, Coimbra, Aveiro e Braga. As autoridades estão então a investigar “factos suscetíveis de consubstanciar crimes de fraude fiscal e fraude contra a Segurança Social”.
Apesar do inquérito se encontrar em segredo de justiça, o DCIAP admite existir indícios de que os parceiros de frota investigados “contabilizaram e beneficiaram da emissão de faturas que não correspondem a serviços efetivamente prestados, constituindo por isso operações simuladas”.
Segundo o Ministério Público, o Estado português foi lesado em 28 milhões de euros a título de fraude fiscal, enquanto o “não pagamento à Segurança Social dos valores devidos pelas quotizações dos trabalhadores” ascende a 7,5 milhões de euros, remetendo para a fraude à Segurança Social.