PS insta Governo a negociar com Bruxelas menos IVA nos combustíveis

Líder parlamentar do PS defende que cabe ao Executivo de Montenegro escolher o caminho das negociações com a Comissão Europeia antes de optar pela via do ISP para aliviar o preço dos combustíveis. Socialistas insistem na redução do IVA, num pacote de medidas de 132 milhões de euros por mês.

PS insta Governo a negociar com Bruxelas menos IVA nos combustíveis
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, faz uma declaração ao país, depois da reunião do Conselho de Ministros, na residência oficial em São Bento, Lisboa, 17 de setembro de 2026. Luís Montenegro anunciou na semana passada, no debate da moção de censura do Chega ao Governo, que o Conselho de Ministros aprovaria esta semana a atribuição de um novo suplemento extraordinário para os pensionistas que recebem até 1.611 euros, a ser pago em dezembro, e um alívio fiscal até ao sexto escalão do IRS. TIAGO PETINGA/LUSA

O Governo da AD “deve negociar com Bruxelas a redução temporária do IVA sobre os combustíveis de 23% para 13%”, tal como os socialistas defendem no seu projeto de resolução. O repto é lançado ao JE pelo líder da bancada parlamentar do PS: “cabe ao Governo fazer esse caminho” e “não passar a ação política diretamente para o desconto no ISP, que se tem revelado insuficiente” face aos preços históricos dos combustíveis e ao aumento do custo de vida que os socialistas pretendem combater com um pacote de medidas anticrise, para famílias e empresas, de 132 milhões de euros por mês.
Sobre as regras comunitárias que impedem a redução do IVA nos combustíveis, Eurico Brilhante Dias defende que “só existe um imperativo comunitário se o Governo não for a Bruxelas negociar a redução do IVA”, recordando que foi o que o Governo de António Costa fez em 2022, quando se verificou um aumento inflacionista após a pandemia e quando os combustíveis subiram significativamente. Na altura, Portugal levou ao Conselho Europeu a proposta para mexer no IVA dos combustíveis que está fora da regra europeia para o imposto. Só depois, em alternativa, o Executivo de então sugeriu “reduzir o ISP num valor equivalente ao valor do IVA (redução de 10 pontos percentuais).
“Fizemos, na altura o equivalente, via ISP, tendo em conta o real custo para os portugueses nas bombas”, frisa Brilhante Dias. Acrescenta que o PS defende, tal como no passado, que o Governo de Montenegro deve tentar primeiro negociar com a Comissão Europeia a redução do IVA e não passar diretamente para o desconto do ISP. “Perante a emergência, e com outros Estados-membros a pedirem a mesma medida, Bruxelas tem de olhar para esta questão no seu conjunto e o Governo fazer o seu trabalho. O problema não é só de Portugal”.
Recorde-se que a diretiva em vigor permite exceções à regra da taxa normal do IVA para bens e serviços essenciais, com taxas reduzidas para gás natural, eletricidade e aquecimento, e até taxas zero para produtos alimentares, sujeito a consulta prévia ao comité europeu do IVA. Aos combustíveis rodoviários só se aplica a taxa normal.
Ou seja, no atual quadro, as mexidas têm de ser autorizadas pelo Comité do IVA. Mas as regras europeias não permitem a aplicação de taxas reduzidas aos produtos petrolíferos, porque tal seria simplesmente ilegal no quadro da diretiva.

Há margem orçamental, diz PS
O secretário-geral do PS defende um pacote de medidas anticrise, para famílias e empresas, e estima um impacto orçamental de 132 milhões de euros por mês. José Luís Carneiro disse esta semana disse que as medidas que propõe “significam 0,04% do PIB” e “são enquadráveis com o sentido de responsabilidade nas contas do Orçamento do Estado”.
Entre as principais medidas recomendadas pelo PS, está a redução do IVA dos combustíveis, com um horizonte trimestral e avaliação mensal, a redução dos custos com eletricidade, apoios aos agricultores e às pescas, e temporariamente o IVA zero para os bens alimentares, com monitorização trimestral.
No projeto de resolução que os socialistas apresentaram, pedem ainda uma reavaliação dos apoios dirigidos aos transportes de passageiros e mercadorias, bem como um programa temporário de apoio às indústrias mais intensivas em energia. Tal como nos combustíveis, é sugerida a baixa do IVA do gás engarrafado de 23% para 13%.
Ao JE, Eurico Brilhante Dias assegura que medidas propostas “podem ser pagas com a margem adicional da receita do IVA”, que os socialistas estimam em cerca de 1.000 milhões, além do orçamentado”. E afasta qualquer violação da norma travão, que proíbe outras iniciativas que não sejam do Governo de apresentar propostas de lei ou de alteração que aumentem a despesa ou diminuam as receitas do Orçamento do Estado em curso. Explica que o PS apresentou um projeto de resolução com recomendações ao Governo, ao contrário do Chega, que reclama as medidas em projetos de lei (redução do IVA nos combustíveis e IVA zero nos bens alimentares), com efeitos a partir de janeiro.

Alívio, via IRS, não chega
a todas as famílias
Sobre o alívio do IRS, Eurico Brilhante Dias alerta que não vai chegar a dois milhões de famílias que não pagam IRS, por terem um salário na mediana dos 1.000 euros. “50% dos trabalhadores, que são os mais pobres, não terão este alívio”.
Do lado do Governo, o ministro da Presidência, defendeu, por sua vez, que as pessoas terão mais dinheiro no bolso e que o Estado será menos “glutão”. À SIC Notícias, António Leitão Amaro reconheceu que os preços dos combustíveis estão “muito altos”. Sinalizou que o Governo “prefere ter uma grande contenção orçamental” para poder dar apoios, incluindo redução nas taxas de IRS e bónus para os pensionistas.
Mas o PS insiste que os portugueses que vão à bomba de gasolina não vão aguentar até janeiro, reclamando medidas com efeitos imediatos como a redução da taxa do IVA aos produtos petrolíferos.

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