Luís Parreirão, Gestor

O acaso não é solução

Para além dos conhecimentos base de cada um e da formação essencial para gerir uma empresa, existe um conjunto de saberes pluridisciplinares essenciais para o bom sucesso das empresas familiares e das famílias empresárias.

Ao longo de muitos anos o sucesso, ou insucesso, das empresas familiares ficou na dependência do génio, da vontade, da inspiração ou da capacidade do líder do momento.

Era assim na criação da empresa e na sua afirmação e crescimento, e era assim nos sucessivos momentos de transmissão geracional do testemunho. E foi esta dependência do acaso que construiu uma realidade frequentemente motivadora de alguns provérbios, de que o mais conhecido será porventura este: “pai rico, filho nobre, neto pobre”. Ora, a verdadeira questão que, a este propósito, se coloca hoje é se terá que continuar a ser assim. A nosso ver não tem.

A sociedade mudou muito, as empresas e as famílias também e a relação das famílias empresárias com as empresas também.

A profissionalização da gestão empresarial, as novas regras de Corporate Governance e as obrigações de diversidade de composição dos órgãos sociais, os novos conceitos de família, os novos instrumentos financeiros que permitem separar as funções accionistas e de gestão. Todo um conjunto de novas realidades que “não se dão bem” com o acaso ou com a inspiração.

Há, no entanto, ainda um caminho para fazer, sobretudo no domínio da conceptualização e formação.

Para além dos conhecimentos base de cada um e da formação essencial para gerir uma empresa, existe depois um conjunto de saberes pluridisciplinares essenciais para o bom sucesso das empresas familiares e das famílias empresárias. Perseguir permanentemente a excelência ou ter capacidade de iniciativa, orientar-se para o trabalho como chave do sucesso ou ser austero, são algumas das atitudes essenciais para o êxito das empresas familiares e não podem ser deixadas ao acaso, antes são fruto da educação e da formação.

Este é um campo em que há muito a fazer, em Portugal especialmente. E pode ser um muito interessante desafio para as nossas universidades. Ponto é que estas recuperem a sua raiz latina de universalidade, a par da ligação profunda à realidade que se pretende tratar. Fica a ideia.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

Relacionado

Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública de crédito à habitação e admite pedir mais quando esgotarem

Bankinter Portugal já utilizou cerca de 75% da garantia pública de crédito à habitação e admite pedir mais quando esgotarem

Maria Teixeira Alves22 Out
A revelação foi feita pelo CFO (Administrador Financeiro) do Grupo Bankinter Jacobo Díaz, na conferência de imprensa de apresentação dos resultados do terceiro trimestre. "Já foi utilizada cerca de três quartos (quase 75%) da linha", disse. O que, segundo as contas do Jornal Económico, equivale a ter concedido crédito com garantia pública no montante de 437,5 milhões de euros.