Eduardo Teixeira, Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

Não podemos navegar à costa…

O Governo tem falhado no apoio à recuperação da economia e nos apoios sociais às famílias, não conseguindo travar uma crise social que está aos olhos de todos.

O fim da inflação e da subida das taxas de juro continua uma miragem. Os efeitos sobre as famílias e a economia real têm sido devastadores. Estamos, tão-só, perante uma das maiores crises, que só não é dos Estados pois a coleta de impostos aumenta pela taxação do consumo, apesar de a dívida pública continuar a disparar, com o Estado mais endividado e a pagar mais juros também.

Passado mais de um ano do início desta guerra a leste, os efeitos têm-se revelado nefastos na Europa e em particular em Portugal. Os números que se vão conhecendo das consequências, infelizmente, são trágicos e, na verdade, a ação que se esperava de quem nos governa tem sido muito menor do que a desejada.

O Governo tem falhado no apoio à recuperação da economia e nos apoios sociais às famílias, não conseguindo travar uma crise social que está aos olhos de todos. De nada adianta apresentarem planos e mais planos, se estes não forem direcionados para as Empresas e para as Pessoas. Sim, estas devem ser as prioridades nacionais.

O IVA a 0% em alguns produtos, que esta semana começou a vigorar, é uma mão quase cheia de nada e outra de coisa alguma, pois, na verdade, as empresas de distribuição preparam-se com aumentos, e os preços são mais altos nos consumidores. E não, não poderá ser para o Governo fazer o que já deveria ter feito em termos de prontidão nos últimos meses, e que até garantia no início do ano a medida não fazer sentido.

Todos sabemos o quão importante também é ter um governo que funcione e que seja mais eficiente, na regulação, na fiscalização ou promoção das atividades, mas sem empresas e sem emprego, ou seja, consumidores, não vamos lá! Nos planos em curso de Recuperação e Resiliência, a execução destes tem de ter o centro efetivo nas pessoas, famílias e empresas.

É que não há nada mais absurdo, a roçar a incompetência, do que aplicar o dinheiro que nos é dado, para combatermos as crises vividas recentes – ou melhor, para não morrermos da doença, nem da cura – do que aplicar o grosso do dinheiro a capitalizar empresas públicas ou a reestruturar apenas o Estado, tentando agora fazer tudo aquilo que não foi feito, nestes últimos anos, com o dinheiro dos nossos impostos…

A verdade é que os portugueses têm sido muito resilientes perante esta crise. Quase sem apoios expressivos do Estado e das instituições, têm resistido a custo, mas é urgente criar condições efetivas para que consigam sair desta depressão económica a que estamos expostos.

É que a alocação dos recursos neste Plano de Recuperação e Resiliência não pode mesmo ser tão desequilibrada, em que às empresas (que criam valor, riqueza, retribuição salarial, emprego e pagam impostos ao Estado) e famílias, o Governo parece só querer manter pequenos e inexpressivos apoios que nos fazem navegar à costa… mas sem rumo nacional! Perder mais esta oportunidade, poderá ser verdadeiramente trágico.

Relacionado