Habitação: Montenegro afirma que falou nos dois dias seguintes às manifestações

“Àqueles que dizem que o primeiro-ministro não falou, nunca se esqueçam que falou no primeiro e no segundo dia em que houve manifestações na rua em Portugal”, declarou.

Habitação: Montenegro afirma que falou nos dois dias seguintes às manifestações
epa12488255 Portuguese Prime Minister Luis Montenegro attends a plenary session on the State Budget for 2026 (OE2026) at the Parliament in Lisbon, Portugal, 28 October 2025. Portugal's Parliament continued to debate the government's proposal for the State Budget for 2026 in plenary session. EPA/MIGUEL A. LOPES

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, recusou, esta terça-feira, ter estado em silêncio perante as manifestações de protesto pela falta de acesso à habitação em Portugal, contrapondo que falou nos dois dias seguintes aos protestos de rua.

Luís Montenegro fez apenas esta breve referência sobre a questão da habitação na parte de debate com o presidente do Grupo Parlamentar do PSD, Hugo Soares, na abertura da discussão na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027 na Assembleia da República.

“Àqueles que dizem que o primeiro-ministro não falou, nunca se esqueçam que falou no primeiro e no segundo dia em que houve manifestações na rua em Portugal”, declarou.

A anterior intervenção de Hugo Soares foi caracterizada por um ataque cerrado ao secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, lembrando os tempos em que exerceu o atual líder socialista desempenhou as funções de ministro da Administração Interna no terceiro Governo chefiado por António Costa.

De acordo com o líder parlamentar do PSD, face à posição que tomou o secretário-geral do PS na sequência das intervenções policiais, “a máscara de moderado caiu agora” a José Luís Carneiro, que “saltou para os braços da extrema-esquerda em Portugal”.

“Foi isso que o deputado José Luís Carneiro fez na última semana, saltou para o colo da extrema-esquerda em Portugal e caiu-lhe a máscara de moderado”, acentuou.

Hugo Soares citou depois o que defendia José Luís Carneiro enquanto ministro da Administração Interna: Nessa altura, considerava “que qualquer ofensa a agentes das autoridades era uma ofensa ao Estado”.

“José Luís Carneiro tem hoje oportunidade de se pôr do lado certo, de se pôr contra aqueles que ofenderam e praticaram crimes contra as forças e os serviços de segurança, colocando-se ao lado das nossas polícias que zelaram pela ordem e pela segurança de cada um”, declarou o líder parlamentar social-democrata.

Hugo Soares desafiou ainda o secretário-geral do PS a deixar um duplo pedido de desculpas: “um às forças e aos serviços de segurança, outro aos portugueses pela política de imigração do PS”.

“José Luís Carneiro fica sempre muito zangado, muito ofendido, quando lhe lembro que é o pai – se não gostar é o padrinho – da extinção do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras). E é também o rosto do problema da habitação em Portugal. Fazia parte do governo que permitiu a entrada de cerca de um milhão de pessoas em Portugal, de forma desregulada, e que criou a pressão no setor da habitação em Portugal”, acrescentou.

Relacionado

Reabilitação urbana agrava queda da atividade e licenciamento recua 14,4% até agosto

Reabilitação urbana agrava queda da atividade e licenciamento recua 14,4% até agosto

Teresa Cotrim2 Nov
A reabilitação urbana continua a perder dinamismo em Portugal. Em setembro, o nível de atividade das empresas do setor registou uma quebra homóloga de 3,7%, agravando a descida de 0,5% observada em agosto. Também a carteira de encomendas inverteu a tendência de crescimento, enquanto o licenciamento de obras de reabilitação acumulou uma queda de 14,4% nos primeiros oito meses do ano.
Preço das casas sobe 7,5% em outubro

Preço das casas sobe 7,5% em outubro

Inês Correia Botelho2 Nov
Vila Real foi o distrito que registou a maior subida de preços, de 20,3%, seguida da Guarda, com 18,4%, Beja, com 17,6%, Leiria, com 16,9% e Faro, com 15,5%. Já o Funchal foi onde se registou a menor subida, de 3,4%, assim como em Lisboa, 3,9%, Viana do Castelo, com 6,1%, Portalegre, com 6,4%, Porto, com 7%, Setúbal, com 9% e Aveiro, com 9,4%.
Casas mais caras, proprietários mais ricos

Casas mais caras, proprietários mais ricos

Teresa Cotrim2 Nov
Entre 2015 e 2025, os preços das casas em Portugal dispararam cerca de 170%. Para quem já era proprietário, a valorização significou um aumento expressivo da riqueza. Para quem procurava comprar casa, traduziu-se numa perda de poder de compra e numa barreira crescente ao acesso à habitação.