Crescimento da economia da China acelera para 4,5% no terceiro trimestre

Um grupo de economistas consultados pela agência de notícias France-Presse projetava um crescimento de 4,4% entre o início de julho e o final de setembro, depois dos 4,3% registados no segundo trimestre, o nível mais baixo em mais de três anos.

Crescimento da economia da China acelera para 4,5% no terceiro trimestre
A surveillance camera is silhouetted behind a Chinese national flag in Beijing, China, November 3, 2022. REUTERS/Thomas Peter/File Photo

A economia da China cresceu 4,5% no terceiro trimestre, em comparação com igual período de 2025, situando-se na faixa inferior da meta anunciada pelo Governo para 2026, segundo dados oficiais divulgados hoje.

Um grupo de economistas consultados pela agência de notícias France-Presse projetava um crescimento de 4,4% entre o início de julho e o final de setembro, depois dos 4,3% registados no segundo trimestre, o nível mais baixo em mais de três anos.

Isto resulta num crescimento acumulado de 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) chinês nos primeiros três trimestres, atingindo cerca de 107,1 biliões de yuan (14,3 biliões de euros).

Por setores, o primário cresceu 3,7% entre janeiro e setembro, o secundário, 3,8%, e o terciário, 5,2%, de acordo com as estimativas preliminares divulgadas pelo Gabinete Nacional de Estatísticas chinês.

O organismo afirma que, ao longo dos primeiros três trimestres, a segunda maior economia do mundo “alcançou um desenvolvimento sustentado e sólido face às pressões, demonstrando o seu ímpeto com novos motores de crescimento e uma estrutura melhorada”.

“A economia nacional continuou a demonstrar uma forte resiliência e vitalidade”, acrescenta o comunicado, que, no entanto, volta a deixar alertas sobre um “cenário internacional complexo e volátil” e a persistência de “problemas de procura insuficiente” a nível nacional, ao mesmo tempo que apela à “consolidação das bases” do crescimento.

Pequim estabeleceu como meta um aumento do PIB de 4,5% a 5% para este ano, que seria o nível mais baixo em décadas.

O choque energético global, provocado pela guerra contra o Irão, somado à persistente debilidade do consumo interno na China, dificulta esta meta e contrabalança o vigor das exportações, impulsionadas pela inteligência artificial.

No início do mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu a previsão para o crescimento económico da China em 2026 para 4,5%, situando-o exatamente no limite inferior da meta estabelecida por Pequim.

A China registou oficialmente um crescimento de 5% em 2025. No entanto, o país continua a ter dificuldade em recuperar o dinamismo observado antes da pandemia de covid-19.

A economia chinesa enfrenta uma crise no setor imobiliário, endividamento dos governos locais, excesso de capacidade produtiva, pressões deflacionistas e uma elevada taxa de desemprego entre os jovens.

O número oficial de crescimento, por si só, tornou-se “um indicador cada vez menos preciso do desempenho da economia como um todo”, afirmou Max Zenglein, economista sénior para a região da Ásia-Pacífico no The Conference Board, uma organização de análise económica destinada a empresas, com sede em Nova Iorque.

Segundo Zenglein, este dado acaba por mascarar “disparidades cada vez maiores entre diferentes setores, regiões e famílias”.

O economista salientou que Pequim enfrenta escolhas difíceis, e que gerir os desequilíbrios internos pode revelar-se um desafio ainda maior do que lidar com as pressões externas.

Relacionado

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Respondendo a perguntas da líder parlamentar do PCP Paula Santos sobre a operação, Hugo Espírito Santo lembrou que “existe o compromisso de que o comprador irá arcar com os remédios regulatórios diretamente”, mas rejeitou especular sobre as condições e obrigações que o executivo comunitário possa vir a decidir enquanto guardião dos tratados europeus em matéria de concorrência.