A confiança dos consumidores continuou a subir, em abril, mantendo a tendência que se iniciou em dezembro de 2022, indicam os dados do Instituto Nacional de Estatística (DREM).
“A evolução do indicador em abril resultou do contributo positivo das expectativas de evolução futura da situação económica do país e da situação financeira do agregado familiar, e, em menor grau, das opiniões sobre a evolução passada da situação financeira do agregado familiar. Em sentido contrário, as perspetivas de evolução futura da realização de compras importantes por parte das famílias registaram um contributo negativo”, explica o INE.
O INE sublinha que o indicador de confiança dos Consumidores “aumentou entre dezembro e abril, depois de ter diminuído nos três meses anteriores, que culminou em novembro no valor mais baixo desde abril de 2020 no início da pandemia. O saldo das opiniões dos Consumidores sobre a evolução passada dos preços aumentou em março e abril, depois de ter recuado nos últimos quatro meses face ao valor máximo da série registado em outubro”.
Expetativas de melhoria da economia aumentam
É ainda referido que o saldo das expectativas relativas à evolução futura da situação económica do país “aumentou significativamente” em abril, atingindo o “valor máximo desde fevereiro de 2022 e retomando a trajetória ascendente observada desde novembro de 2022, que havia sido interrompida em março”.
Já o saldo das perspetivas relativas à evolução futura da situação financeira do agregado familiar “aumentou em abril, após ter diminuído ligeiramente no mês anterior, retomando o perfil positivo iniciado em novembro”.
Por outro lado, o saldo das opiniões sobre a evolução passada dos preços “aumentou nos últimos dois meses, mantendo-se relativamente próxima do valor máximo da série registado em outubro, no seguimento da trajetória acentuadamente ascendente” iniciada em março de 2021.
“O saldo das perspetivas relativas à evolução futura dos preços diminuiu nos últimos dois meses, de forma significativa em abril, retomando a trajetória marcadamente descendente observada desde março de 2022, quando atingiu o valor máximo da série”, sublinha o INE.
Em subida está também o indicador de clima económico. “Abril confirmou a tendência iniciada em janeiro”, refere o INE.
“Os indicadores de confiança da Construção e Obras Públicas e dos Serviços aumentaram relativamente a março, tendo diminuído na Indústria Transformadora e no Comércio”, acrescentou o INE.
Sobre a conjuntura da Construção e Obras Públicas, o INE refere que o indicador de confiança “aumentou em março e abril, mais significativamente no segundo caso, após ter diminuído em fevereiro”. A evolução em abril, sublinha o INE, refletiu o “contributo positivo das duas componentes, apreciações sobre a carteira de encomendas e perspetivas de emprego, de forma mais intensa no último caso”.
O INE acrescentou que o indicador de confiança aumentou nas divisões de Promoção Imobiliária e Construção de Edifícios, e de Atividades Especializadas de Construção, tendo diminuído na divisão de Engenharia Civil.
“O saldo das apreciações da atividade nos últimos três meses aumentou em abril, após ter diminuído em fevereiro e março. O saldo das perspetivas de preços praticados pela empresa nos próximos três meses diminuiu entre fevereiro e abril, retomando o perfil descendente iniciado em julho”, explicou o INE.
“Nos principais fatores limitativos à atividade indicados pelas empresas, a percentagem de empresas que referiu a dificuldade em recrutar pessoal qualificado atingiu em abril o novo máximo da série”, reforçou o INE.
Já o saldo das expectativas dos empresários sobre a evolução futura dos preços de venda caiu em abril.
Indústria Transformadora está em quebra
“O saldo diminuiu expressivamente entre novembro e abril na Indústria Transformadora, atingindo o valor mais baixo desde maio de 2020. Este saldo também diminuiu de forma significativa em março e abril no Comércio, atingindo o nível mais baixo desde agosto de 2021, enquanto na Construção e Obras Públicas e nos Serviços verificaram-se reduções mais moderadas nos últimos três meses”, explica o INE.
A evolução do indicador relativo à conjuntura da Indústria Transformadora “deveu-se ao contributo negativo das perspetivas de produção e das apreciações relativas aos stocks de produtos acabados, tendo o contributo das opiniões sobre a evolução da procura global estabilizado”.
O INE explica que o indicador de confiança “diminuiu nos agrupamentos de Bens Intermédios e de Bens de Investimento, de forma intensa no primeiro caso, tendo aumentado no agrupamento de Bens de Consumo”.
Já no saldo das apreciações sobre a procura global “estabilizou em abril, após ter diminuído em março. As opiniões relativas à procura interna, considerando as empresas com produção orientada para o mercado interno, recuperaram em março e abril, de forma mais intensa em abril. As apreciações relativas à procura externa, considerando as empresas com produção orientada para o mercado externo também recuperaram em abril, contrariando o agravamento de março”.
O INE sublinha que o saldo das expectativas relativas aos preços de venda “diminuiu nos últimos seis meses, após ter aumentado em setembro e outubro, prolongando a trajetória descendente registada entre maio e agosto e atingindo o valor mais baixo desde maio de 2020. Este saldo diminuiu em todos os agrupamentos: Bens de Consumo, Bens
Intermédios e Bens de Investimento”.
Os dados do INE referem que 57,7% das empresas, da indústria transformadora, preveem que “o investimento em 2023 irá estabilizar face a 2022, enquanto 34,3% das empresas preveem um aumento do investimento e 8,0% uma diminuição”.
Confiança no comércio cai
Já na conjuntura ao comércio, o INE diz que o indicador de confiança do comércio “diminuiu em março e abril, interrompendo o movimento ascendente iniciado em novembro”.
A evolução do indicador, em abril, referiu o INE, resultou do “contributo negativo das componentes de opiniões sobre o volume de vendas e das apreciações sobre o volume de stocks, tendo as perspetivas de atividade da empresa contribuído positivamente. Em abril, o indicador de confiança diminuiu no Comércio por Grosso e aumentou no Comércio a Retalho”.
Os dados do INE dizem que o saldo das opiniões sobre o volume de vendas “diminuiu em março e abril, de forma ligeira no último mês, depois de ter aumentado de forma expressiva entre dezembro e fevereiro. Em sentido inverso, as perspetivas de atividade recuperaram em abril, após o agravamento observado no mês anterior”.
Já relativamente ao saldo das opiniões sobre a evolução passada dos preços relativamente ao mês anterior “diminuiu entre novembro e abril, afastando-se do máximo da série atingindo há um ano. As perspetivas de evolução futura de preços diminuíram de forma acentuada em março e abril, atingindo o nível mais baixo desde agosto de 2021”.
Confiança nos serviços aumenta
Na conjuntura dos serviços verifica-se que o indicador de confiança aumentou em abril, “após ter diminuído no mês precedente, retomando a trajetória ascendente iniciada em janeiro”.
O INE sublinha que a evolução do indicador resultou do “contributo positivo de todas as componentes, perspetivas relativas à evolução da procura, apreciações sobre a atividade da empresa e opiniões sobre a evolução da carteira de encomendas, de forma expressiva no primeiro caso”.
É ainda referido que, em abril, o indicador de confiança “aumentou em seis das oito secções dos Serviços, destacando-se as secções de Atividades de transporte e armazenagem e de Atividades artísticas, de espetáculos, desportivas e recreativas”.
Já o saldo das perspetivas sobre a evolução da procura “aumentou expressivamente em abril, após ter diminuído no mês anterior, retomando o movimento ascendente iniciado em novembro”, enquanto o saldo relativo às expectativas de preços de prestação de serviços “diminuiu entre fevereiro e abril, após ter aumentado nos três meses anteriores”.