TAP: Air France-KLM oferecia mais experiência na operação com o Estado mas fica em terra

O grupo franco-neerlandês tem os seus dois principais hubs em Amesterdão e Paris, onde se encontra também a sede da companhia aérea que integra além da Air France e KLM a Transavia. Entre os principais acionistas estão os estados francês (28%) e neerlandês (9%). No último ano registou lucros de dois mil milhões de euros, tendo apresentado um prejuízo de 61 milhões de euros no primeiro semestre de 2026.

TAP: Air France-KLM oferecia mais experiência na operação com o Estado mas fica em terra
Air France KLM

É um dos principais grupos europeus de transporte aéreo e que ganhou maior preponderância, quando em 2004 se fundiu com uma operadora neerlandesa. A Air France – KLM era a outra concorrente à corrida para adquirir 44,9% do capital TAP.

Ao maior poderio financeiro da Lufthansa, a Air France-KLM contrapunha com a sua experiência em operar com o Estado no capital, uma vez que os Estados francês (28%) e neerlandês (9%) são acionistas do grupo. Um dado que poderia ser relevante na gestão da companhia aérea portuguesa, uma vez que será vendida uma participação minoritária ficando o Estado com a maioria. No entanto, a decisão recaiu nos alemães da Lufthansa.

O grupo franco-neerlandês tem os seus dois principais hubs em Amesterdão e Paris, onde se encontra também a sede da companhia aérea que integra além da Air France e KLM a Transavia. No último ano, registou lucros de dois mil milhões de euros, face aos 1.470 milhões do ano anterior, com as suas receitas a aumentarem 4,9%, para 33 mil milhões de euros, resultantes da expansão da capacidade e o crescimento do tráfego de passageiros, que atingiu os 103 milhões de euros.

Com uma frota de 600 aviões, a companhia aérea registou no primeiro semestre deste ano um prejuízo de 61 milhões de euros, numa quebra expressiva de 462 milhões de euros, em relação ao período homólogo, justificado pelo impacto dos custos dos combustíveis. No segundo trimestre de 2026 o impacto adicional do preço dos combustíveis foi de 804 milhões de euros face ao mesmo período de 2025.

O grupo transportou no primeiro semestre 50,6 milhões de passageiros, mais 3,2% do que no período homólogo.O crescimento das receitas foi de 1.152 milhões de euros, enquanto o resultado operacional ajustado aumentou 47 milhões.

As previsões divulgadas pela empresa em fevereiro de 2026 apontam para um aumento da capacidade de transporte entre 3% e 5%, mantendo os custos unitários sob controlo. O grupo prevê também cerca de três mil milhões de euros em investimentos líquido.

Os três principais factores para equilibrar a empresa passam por reservar a procura, repercutir os aumentos de custos nos preços e controlar a expansão da capacidade, sendo que o desempenho do segundo semestre será determinante para avaliar se consegue recuperar a rentabilidade líquida.

Relacionado

“TAP mais competitiva pode reforçar turismo, exportações e atração de investimento estrangeiro”, destaca especialista

“TAP mais competitiva pode reforçar turismo, exportações e atração de investimento estrangeiro”, destaca especialista

Rodolfo Alexandre Reis27 Out
Lúcia Piedade, coordenadora da licenciatura de gestão aeronáutica do ISEC Lisboa diz que é preciso garantir que a entrada do grupo alemão não retira à TAP a capacidade de desenvolver uma estratégia própria. "Lufthansa pode influenciar as decisões de investimento, mas não decide infraestruturas públicas", afirma, salientando que não podemos ver, no atual contexto, "a inflação apenas como uma ameaça, mas também como um teste à capacidade de transformação da TAP".