Insisto que é necessário discutir que Estado temos e que Estado queremos. Só assim se pode conceber uma verdadeira reforma do Estado, que não é uma mera reorganização de serviços.
Num momento da nossa história em que personagens sinistros como Ventura ganham protagonismo seria importante ter sindicatos e líderes sindicais com força, conhecimento e alguma sabedoria para dar resposta às pulsões antidemocráticas tanto na moda.
O Chega não tem qualquer mensagem para além de simples propaganda. A intenção não é criar ou construir, nem sequer participar na criação ou construção de soluções viáveis.
A fatura do Médio Oriente não será apenas energética. Será financeira. Será social. E poderá ser, acima de tudo, política. Porque quando a guerra entra na economia, raramente sai sem deixar marcas no mapa eleitoral.
Pode a Europa captar dinheiro sem resolver as diferenças de entendimento entre as múltiplas Autoridades tributárias, Entidades de Supervisão e estruturas complexas, que se foram criando dentro da União?
Tendo em conta o cenário político dos últimos anos, parece evidente que a força da convicção democrática e liberal da direita está neste momento a ser testada. Reconhecem-se, ou não, os seus eleitores, no regime que temos?
O debate público em Portugal está, neste momento, completamente armadilhado. E vive refém de um partido populista no qual a esmagadora maioria dos portugueses não se revê ou confia.
As autarquias requerem o nosso envolvimento como cidadãos mais atentos e exigentes. Temos de fazer tudo ao nosso alcance para subir a fasquia contra os populistas do nosso tempo.
O Governo parece apostado em empolar os números da imigração de forma alarmista, numa clara cedência à agenda da extrema-direita. Este é um jogo muito perigoso: sabemos como começa, mas não sabemos como acaba.
A única solução que parecem ter descoberto para tornar a comunicação social um negócio sustentável é a busca constante pelo populismo, mas é nas televisões que observamos melhor esse fenómeno.
Farage antecipa, com a imodéstia de sempre, uma tomada da direita britânica por uma versão raivosa e simplificada do thatcherismo, sem ideias, mas com slogans.
O que tem estado na génese das estratégias de populismo judicial, aquém e além-fronteiras, é a retórica de desconfiança sobre a magistratura. Neste sentido, a evolução recente em Portugal até é um balão de ensaio desta realidade.
Todos sabemos que se escavarmos suficientemente a vida de alguém se encontrará, pelo menos, a dúvida, o que tem sido suficiente. É para aí que nos leva este taticismo político. E o vencedor é o populismo.
Ninguém desdenharia que se recuperasse aquela velha ideia de serviço público, que existe para servir o cidadão, e não o contrário. Hoje é quase um sinal de rebeldia pensar que assim possa ser.
Sem confiança nas instituições, a sociedade definha e a democracia com ela. A atual situação é uma oportunidade de calibragem, de revisão do caminho que está a ser feito.
Ninguém receava o vizinho do Bangladesh até o dia em que alguém vociferou que era ele a causa dos seus medos. Não importa se era o caso. Importa que sirva o propósito.
Por mais que o Governo discurse sobre “humanizar” as políticas de imigração, sobre “novos portugueses” ou que o crime não tem “nacionalidade, cor de pele, religião ou etnia”, não faltam dissonâncias entre o discurso e a prática.