A campanha eleitoral para as legislativas deverá centrar-se, seriamente, na questão da habitação, que não é só um problema dos pobres, mas, sim, da sociedade portuguesa enquanto comunidade política.
A crise da habitação não aperta o cerco apenas à classe média, mas afeta sobretudo os mais vulneráveis. Em que altura nos tornámos completamente reféns do mercado imobiliário?
A fragmentação parlamentar veio para ficar, mas ela não terá que se traduzir em instabilidade governativa se os partidos perceberem a necessidade de mudar a “cultura” política.
Apenas com uma abordagem integrada e sensível às reais necessidades dos compradores será possível transformar a habitação num direito acessível a todos e não apenas um privilégio para alguns.
A crise habitacional em Portugal, e na Europa, tem sido alimentada por anos de políticas públicas inexistentes ou difíceis de implementar, especulação imobiliária e reduzido investimento em habitação pública.
A desigualdade no acesso à habitação não se manifesta nem ameaça apenas a noção de propriedade e de direito ao lar, como é já hoje um forte inibidor do acesso à educação.
A ministra da Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes, reconhece que o Governo optou por beneficiar jovens até aos 35 anos, com o propósito de aliviar as despesas que estes têm ao comprarem a primeira casa. Por outro lado, lembrou a importância de "acelerar" a construção de habitações.
Creio que apenas com salários mais elevados e uma crise da habitação atenuada será possível competir com os mercados de trabalho europeus e, consequentemente, reter os jovens qualificados.
Às incertezas do cenário internacional, que incluem o do comportamento da economia europeia, que tem vindo a abrandar, juntam-se as múltiplas crises herdadas da última legislatura, porventura com os problemas de sempre à cabeça: habitação, saúde e educação.
A colaboração entre os setores público e privado, aliada a políticas claras e estáveis, será fundamental para moldar um ambiente propício ao crescimento e à melhoria habitacional em Portugal.
A justiça social não decorre de esmagar salários, mas de exigir que os portugueses sejam tratados como o são os outros europeus. Não é difícil de perceber, certo?
Dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos indica que deste número, 50% receiam que a perda de casa seja provocada pelo aumento da renda ou da prestação do crédito à habitação, sendo que 34% dos inquiridos assumem que não teriam para onde se deslocar no caso de perderem a sua habitação.
Os problemas em torno da habitação afetam o sector da cerâmica, sublinha Miguel Casal, CEO e fundador do Grupo Costa Nova, ao podcast "JE Entrevista". O grupo inaugurou a nova unidade fabril esta quarta-feira, fruto de um investimento de 14 milhões de euros que resulta na criação de 150 postos de trabalho.
É do conhecimento geral que o Governo é perito no que toca a decretar medidas sem fazer quaisquer estudos prévios sobre a sua aplicabilidade e resultados que daí possam surgir. E o “Programa Mais Habitação” é apenas mais um exemplo.
A avalanche de subscrição de certificados de aforro não estava a resolver nenhum problema, mas o estímulo de alternativas para a poupança pode ajudar a diminuir a crise da habitação.
Para Albuquerque, o arrendamento forçado de habitações devolutas "configura uma restrição desproporcional de direitos, liberdades e garantias, nomeadamente o direito de propriedade".