Salários de vários setores devem continuar a subir, antecipam confederações patronais

Representantes da construção e da agricultura acreditam que os salários vão continuar a aumentar. Mas esta valorização “não resolve, por si, só” a falta de mão de obra, ressalva líder da Confederação do Turismo.

Salários de vários setores devem continuar a subir, antecipam confederações patronais
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Perante a dificuldade de recrutamento, as empresas de vários setores deverão continuar a aumentar os salários, acreditam várias confederações patronais. “A valorização salarial é uma tendência que deverá manter-se”, afirma Ricardo Gomes, presidente da AICCOPN, ao Jornal Económico. Também na agricultura, “vão continuar a aumentar, quer por via do aumento do salário mínimo nacional, quer através da contratação coletiva”, adianta Cristina Gomes, chefe de gabinete da direção da CAP.

Pode não ser suficiente para muitos num país em que se ganha pouco e em que os preços da habitação não param de crescer a dois dígitos, mas tem havido um crescimento real dos salários na generalidade dos setores. A construção, por exemplo, “tem vindo a aumentar de forma consistente as remunerações nos últimos anos”, nota Ricardo Gomes. Dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que o índice de remunerações bruto subiu na casa dos 9% em 2025 e que, apesar de ter desacelerado nos últimos meses, o crescimento mensal homólogo ainda é superior a 6%.

“Mas importa reconhecer que a questão não se resolve apenas através dos salários”, defende Ricardo Gomes. “É igualmente necessário valorizar socialmente estas profissões, melhorar as condições de trabalho, investir na formação e criar percursos profissionais atrativos para os jovens”.

Também os serviços “têm aumentado as remunerações totais e a remuneração base dos seus colaboradores”, sinaliza a CCP, “com os setores mais dinâmicos a superarem claramente o aumento médio nacional”. A confederação agora liderada por Paulo Duarte lamenta, no entanto, que haja “informação com um detalhe aquém do necessário para melhor refletir as dinâmicas mais segmentadas”.

No turismo, “a negociação coletiva no sector tem produzido atualizações salariais consecutivas de que são exemplo os principais contratos coletivos de trabalho sectoriais”, sublinha Francisco Calheiros. O presidente da CTP refere “aumentos na ordem dos 5%” ou superiores” (6% na restauração).

“As condições salariais e de trabalho no turismo são atualmente atrativas e estão em linha com uma contratação coletiva que tem dado boas respostas aos problemas existentes”, considera Francisco Calheiros, “ainda que a valorização salarial, por si só, não resolva o problema estrutural de falta de candidatos”.

Por seu lado, na indústria, a AIP considera que “as empresas têm vindo a fazer um esforço para melhorar as remunerações e as condições de trabalho”, mas defende que “esta discussão deve ser colocada nos termos corretos”. Ou seja, “Portugal precisa de salários mais elevados, mas esses salários têm de resultar de empresas mais produtivas e mais competitivas”, porque “não existe crescimento sustentado dos salários sem crescimento da produtividade”.

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