Eduardo Teixeira, Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

Refundar o Banco de Fomento

O que Portugal precisa é ter um Banco de Fomento que amplie o alcance da sua atuação, muito para além do seu papel de gestor do sistema de garantias públicas ou da promoção dos fundos estruturais europeus.

Em agosto de 2018, exatamente há meia década atrás, escrevi na minha coluna de opinião um texto, ao qual dei o título “O que é feito do ‘novo’ Banco de Fomento?”.

Cinco anos volvidos da partilha dos meus pensamentos, e mais de oito após o Banco de Portugal lhe atribuir licença, o Banco Português de Fomento, que resulta da fusão do IDF, da SPGM e da PME. Investimentos, nesta reestruturação, tem o novo capital alocado pelo Estado a zero, apenas para reengenharia pela soma, e cuja missão seria a de alavancar na economia os fundos europeus e da recuperação e resiliência.

Esta sociedade financeira pública fez o caminho das pedras, mas teima em não conseguir afirmar-se com dinamismo e futuro, nem mostrar-se crucial para a recuperação financeira no pós-pandemia, e para a necessária assunção dos riscos conjunturais, de forma a tornar possível a aposta na inovação e a superação de potenciais falhas de mercado no apoio à nossa economia.

O que Portugal precisa é ter um Banco de Fomento que amplie o alcance da sua atuação, muito para além do seu papel de gestor do sistema de garantias públicas ou da promoção dos fundos estruturais europeus.

E terá de conseguir, também, centrar-se no crédito direto aos projetos de investimento, no apoio à capitalização de empresas e à reestruturação dos passivos financeiros daquelas que se mostrem viáveis.

É impensável que os apoios públicos aos investimentos privados não sejam pensados, também, numa lógica setorial, em que possam apoiar e fomentar as empresas lideradas por projetos que tenham futuro e de boa gestão, mas que não consigam ter financiamento na banca comercial.

O ser um parceiro das empresas, que as ajude a atingir e melhorar os seus níveis de produtividade, que consiga reconstruir e recuperar Portugal, serão os desafios no horizonte do nosso Banco de Fomento.

Mas, para que isso aconteça, são necessários mais meios próprios, dobrando o seu capital social para números próximos de 1.000 milhões de euros, pois se assim não for, será bem penosa a sua missão, não será útil e quem perde é a economia nacional.

Uma boa meta para o Orçamento do Estado 2024, que será entregue no próximo mês, uma vez que Portugal precisa, com urgência, de um verdadeiro banco de Fomento à Economia, capitalizado para alavancar o empreendedorismo.

Os nossos empresários necessitam de eficácia e rapidez, não de promessas vãs. Mas ao não querer o Governo capitalizar a Sociedade, pôr-se-á em causa a maximização dos apoios a alavancar, assim como a utilidade deste ‘Novo Banco’.

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