A exposição ‘pop-up’ Pure Visual Joy combina dois universos autorais diferenciados no tempo e na forma, e proporciona o confronto – ou diálogo – entre as obras do pintor português Jorge Martins e do arquiteto italiano Martino Berghinz.
Na origem deste “puro deleite visual” esteve um encontro entusiástico entre ambos, do qual nasceu a ideia de juntar a pintura densa e rica nas inúmeras mensagens abstratas de Jorge Martins, que aqui apresenta um conjunto de 12 obras – duas de 2014 e 2015, de 100 cm x 70 cm, sem título, e outras 10, de 120 cm x 160cm, que abarcam o período de 2002 a 2008 – e a efervescente criatividade de Martino Berghinz, arquiteto de Milão, que explora materiais de natureza diversa, quer em obra arquitetónicas, quer no design e artes plásticas.
Para esta ocasião, Berghinz desenvolveu uma coleção de esculturas site-specific para O Santuario Galleria, num jogo criativo e original, onde a cor também desempenha um papel importante. Assim como o humor e a fina ironia, caso da peça intitulada “Colapso Neuronal”.
Um percurso distinto e uma geografia partilhada: Lisboa
Nascido em Lisboa, Jorge Martins frequentou os cursos de Arquitetura e Pintura na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, entre 1957 e 1961. Desde 1958, o artista expõe regularmente em Portugal, França, Bélgica, Suíça, Brasil e Estados Unidos da América. A sua primeira exposição individual data de 1960 (Galeria Gravura, Lisboa).
Nos últimos 50 anos, Jorge Martins tem experimentado, explorado e alargado os limites e as possibilidades do fazer da pintura e do desenho, num vai e vem entre abstração e figuração, desenvolvendo igualmente uma pesquisa e prática no campo da gravura, da ilustração, da tapeçaria e da escultura.
A obra deste artista tem sido objeto de várias exposições antológicas, apresentadas em São Paulo, na Pinacoteca do Estado de São Paulo; no Rio de Janeiro, no Museu Nacional de Belas-Artes; em Brasília, no Conjunto Cultural da Caixa Económica Federal e na cidade do México, no Museo del Antiguo Colegio de San Ildefonso (2003/04); e em Lisboa, no Centro Cultural de Belém (2006).
A inquietude é comum a ambos os artistas, tal como a cidade de Lisboa, de onde Jorge Martins é oriundo, e onde Martino Berghinz fez parte da sua formação.
Natural de Milão (1963), ganhou, em 1989, uma bolsa para a Faculdade de Arquitetura de Lisboa, licenciando-se em arquitetura, em 1992, pelo Politecnico di Milano. Começou a sua carreira no Manolo De Giorgi Studio, seguindo-se uma colaboração no Antonio Citterio Studio. Entre 2001 e 2008, foi sócio de Patrícia Urquiola, período durante o qual trabalhou em arquitetura, instalações e criações conceptuais até abrir o seu próprio estúdio, em Milão. A sua prática é extremamente plástica, abarcando desde a arquitetura e o design de interiores, ao design de exposições e direção de arte.
A exposição tem curadoria de D. André de Quiroga e pode ser vista de 23 maio a 21 junho 2024 n’ O Santuario Galleria, Largo Vitorino Damásio 8ª, Lisboa | 2ª a 6ª feira, das 13h às 18h.







