Feeders fatura cinco milhões e aposta no Médio-Oriente

O estúdio de arquitetura especializado diversificou a sua atividade com a criação do Ephemeral, um espaço de trabalho e colaboração em Telheiras, com capacidade inicial para 35 a 40 profissionais.

Feeders fatura cinco milhões e aposta no Médio-Oriente
Foto_Joaquim_Silva_Feeders

A Feeders, estúdio de arquitetura especializado no desenho de espaços para comunicação de marcas e produtos, prepara-se para inaugurar o Ephemeral, um novo coworking criativo que abre portas esta semana, no dia 2 de novembro, em Telheiras, Lisboa. O projeto integra um investimento global de 2,4 milhões de euros, que contempla o imóvel, projeto, construção, mobiliário e decoração das novas instalações da empresa, onde passa também a funcionar o coworking.

Fundada em 2011, a Feeders tem vindo a consolidar a sua atividade na arquitetura de espaços para eventos, experiências de marca, feiras e escritórios. Em 2025, registou um volume de negócios de 5,89 milhões de euros, um crescimento de 17,1% face a 2023, e conta atualmente com uma equipa de 20 colaboradores. Ao longo do seu percurso, desenvolveu mais de 500 projetos em Portugal e em mercados internacionais, incluindo vários países europeus, Canadá e Arábia Saudita.

“Para a Feeders, os momentos mais marcantes foram sobretudo aqueles que nos ajudaram a construir uma identidade e a ganhar clareza sobre o caminho que queríamos percorrer. Um primeiro momento foi a aposta da Optimus, atualmente NOS, na Feeders para desenvolver a experiência espacial associada ao seu principal evento, o Optimus Alive (atual NOS Alive). Tivemos a oportunidade de experimentar técnicas, materiais e sistemas construtivos numa fase em que ainda tínhamos poucas amarras. Essa imaturidade acabou por ser uma vantagem. Foi também através dessa experiência, e dos projetos que se seguiram, que fomos percebendo que a música e o desporto faziam parte do nosso ADN. São universos onde a emoção, a identidade e a experiência coletiva têm um papel determinante, e onde a arquitetura pode acrescentar um valor muito particular”, explica Joaquim Silva, Partner & Co-Founder da Feeders, ao Jornal Económico.

A aposta no Ephemeral surge numa fase em que a Feeders procura consolidar a sua estrutura e reforçar a presença internacional. No âmbito desta estratégia, a empresa abriu este mês um Middle East Hub em Riade, na Arábia Saudita, através de uma participação de capital conjunta entre a Feeders Portugal e investidores sauditas. Atualmente, o mercado nacional representa cerca de 90% do volume de negócios, com a empresa a ambicionar aumentar o peso dos mercados internacionais nos próximos anos. “Estamos a desenvolver um projeto de expansão internacional, com foco no Médio Oriente, e mudámos para novas instalações, associadas a uma nova identidade e propósito através do Ephemeral Cowork. Como resultado das dificuldades, mas também das conquistas destes anos, temos hoje uma visão mais clara sobre o nosso potencial de crescimento e sobre o valor acrescentado que o nosso modelo de negócio pode oferecer em diferentes mercados”, acrescenta o responsável.

Num contexto em que a tecnologia democratiza o acesso a ferramentas de criação e desenvolvimento de soluções, a verdadeira diferenciação passa cada vez mais pela capacidade de ir além do que já existe. Uma reflexão que ganha particular relevância nos setores da arquitetura e dos eventos. “A arquitetura e o setor dos eventos, onde nos inserimos, enfrentam frequentemente um problema de escala. Existem relativamente poucos projetos que desafiem o status quo e procurem fazer verdadeiramente diferente, até porque inovar implica assumir riscos. Diria que a massificação da inteligência artificial poderá também ter influência neste contexto. Existem hoje ferramentas que permitem encontrar soluções de forma autónoma, mesmo sem conhecimento especializado. Como a IA trabalha a partir de padrões e informação existente, pode facilitar a obtenção de resultados alinhados com os objetivos de uma marca, mas não garante, por si só, soluções verdadeiramente inovadoras”, sublinha Joaquim Silva, Partner & Co-Founder da Feeders, ao Jornal Económico.

Com um mercado nacional de dimensão limitada, a expansão além-fronteiras assume-se como um passo estratégico para sustentar o crescimento da Feeders. A empresa procura agora afirmar a sua proposta de valor em novos mercados, com objetivos ambiciosos para os próximos anos. “O mercado português, apesar de desafiante e relevante para a nossa atividade, apresenta limitações naturais de escala e crescimento. Nesse sentido, para a Feeders continuar a crescer, teríamos de alterar profundamente o nosso modelo de negócio ou procurar replicar e adaptar esse modelo a outras regiões do mundo. Foi precisamente esse o exercício que fizemos: compreender os nossos fatores de diferenciação e identificar os mercados onde a nossa proposta de valor poderia ter maior relevância. A internacionalização é, por isso, um eixo central da nossa estratégia. O objetivo é que, num horizonte de três a cinco anos, os mercados internacionais representem mais de 50% do nosso volume de negócios”, conclui o responsável ao Jornal Económico.

 

 

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