Pedro Duarte: “Uma coisa é o direito à manifestação outra é o incumprimento da lei”

"Na madrugada desta quinta-feira 15 de outubro, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto", disse o Movimento pela Habitação. A PSP disse que "as reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além da 00:30" e que os manifestantes no Porto adotaram "comportamentos de resistência", que levaram à atuação policial, provocando "alguns feridos", acrescentando que pelas 03:00 “desencadeou uma operação policial, tendo solicitado aos manifestantes que cessassem o ruído e recolhessem as tendas, o que continuaram a não fazer”.

Pedro Duarte: “Uma coisa é o direito à manifestação outra é o incumprimento da lei”
Pedro Duarte

O presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, reagiu esta quinta-feira 15 de outubro aos protestos que têm  existido na cidade relativamente à habitação. O Movimento pela Habitação que está em protesto desde sábado denunciou que durante a madrugada de hoje 15 de outubro houve uma intervenção policial que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.

O autarca referiu que o direito à manifestação e ao protesto é “inegociável” e intocável” mas que tal deve ser feito no cumprimento da lei. E apelou a que as pessoas se manifestem, dentro da lei, e condenou as ações de um grupo “provocatório que quis causar confusão”.

“Na madrugada desta quinta-feira, às 02:56, as forças policiais intervieram na acampada pela habitação na Praça D. João I, no Porto, numa operação destinada a pôr termo ao protesto”, disse o movimento em comunicado. A PSP disse que “as reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além da 00:30” e que os manifestantes no Porto adotaram “comportamentos de resistência”, que levaram à atuação policial, provocando “alguns feridos”, acrescentando que pelas 03:00 “desencadeou uma operação policial, tendo solicitado aos manifestantes que cessassem o ruído e recolhessem as tendas, o que continuaram a não fazer”.

Em reação o presidente da Câmara do Porto reforçou que uma coisa é o “direito” à manifestação e protesto, e outra é o “desrespeito e incumprimento” da lei. “Quando isso sucede é dever das autoridades zelar pelo respeito pela mesma lei em benefício” da liberdade de todos.

“Ouvimos e reconhecemos que a causa que dos manifestantes é legítima e justa. No Porto há preços que tornam difícil o acesso à habitação. O Porto é de longe o município com mais propostas públicas tem para a crise da habitação. Mas não significa que não há trabalho a fazer”, acrescentou.

Pedro Duarte ainda “lamentou” que a Polícia tenha sido forçada a intervir daquela forma. “Parece-me claro que a policia se viu forçada a fazê-lo”, acrescentou.

“Não vou discutir a operação policial em si. Confio absolutamente nas nossas autoridades policiais”, referiu e salientou que existiam pessoas que estavam na manifestação zelando pelo cumprimento da lei mas que existiram outros que “estiveram deliberadamente a incumprir” a lei.

“Temos regras para o direito à manifestação para benefício de todos. E isso foi incumprido. Para futuro manifestem-se, é bom para a sociedade. Mas façam no cumprimento da lei”, acrescentou.

Relacionado

Reabilitação urbana agrava queda da atividade e licenciamento recua 14,4% até agosto

Reabilitação urbana agrava queda da atividade e licenciamento recua 14,4% até agosto

Teresa Cotrim2 Nov
A reabilitação urbana continua a perder dinamismo em Portugal. Em setembro, o nível de atividade das empresas do setor registou uma quebra homóloga de 3,7%, agravando a descida de 0,5% observada em agosto. Também a carteira de encomendas inverteu a tendência de crescimento, enquanto o licenciamento de obras de reabilitação acumulou uma queda de 14,4% nos primeiros oito meses do ano.
Preço das casas sobe 7,5% em outubro

Preço das casas sobe 7,5% em outubro

Inês Correia Botelho2 Nov
Vila Real foi o distrito que registou a maior subida de preços, de 20,3%, seguida da Guarda, com 18,4%, Beja, com 17,6%, Leiria, com 16,9% e Faro, com 15,5%. Já o Funchal foi onde se registou a menor subida, de 3,4%, assim como em Lisboa, 3,9%, Viana do Castelo, com 6,1%, Portalegre, com 6,4%, Porto, com 7%, Setúbal, com 9% e Aveiro, com 9,4%.