Últimas Notícias

Os resultados líquidos da Corticeira Amorim recuaram 22,4% nos primeiros nove meses do ano, para 35,4 milhões de euros, face aos 45,7 milhões de euros registados no mesmo período de 2025. A evolução dos lucros reflete, segundo o grupo, “o impacto de custos não recorrentes relacionados com a implementação da reestruturação do segmento de pavimentos da Amorim Cork Solutions e com iniciativas de ajustamento da estrutura de custos aos atuais níveis de atividade”.

As vendas consolidadas totalizaram 648 milhões de euros, menos 4,3% do que os 676,5 milhões de euros alcançados nos primeiros nove meses do ano passado, refere a empresa em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). A evolução é justificada pela redução dos volumes em todas as Unidades de Negócio (UN) e por um mix de produto desfavorável, particularmente na Amorim Cork, que continuou a ser penalizada pelo contexto adverso do mercado. As vendas foram também afetadas pela depreciação do dólar. Excluindo este efeito cambial, a quebra teria sido de 3,7%.

O EBITDA consolidado atingiu 113,5 milhões de euros, abaixo dos 117,6 milhões de euros registados no período homólogo. O desempenho foi “marcado pelo impacto da deterioração do mix de produto e da desalavancagem operacional”. Por outro lado, a evolução dos preços de consumo das matérias-primas de cortiça e o controlo dos custos operacionais permitiram compensar parcialmente estes efeitos, mantendo a margem EBITDA consolidada nos 17,5%, praticamente em linha com os 17,4% registados nos primeiros nove meses de 2025.

A Amorim Cork Solutions apresentou um desempenho positivo no período. Apesar do impacto negativo da depreciação do dólar, as vendas cresceram 1,3%, impulsionadas pela evolução dos segmentos aeroespacial, de selagem e de aplicações desportivas. A margem EBITDA aumentou para 14,2%, face aos 10% registados no período homólogo, refletindo sobretudo a evolução favorável do mix de produto, mas também a redução dos custos operacionais e dos preços de consumo das matérias-primas de cortiça.

No final de setembro, a dívida remunerada líquida ascendia a 56 milhões de euros. O grupo destaca que, “apesar do pagamento de dividendos (46,6 milhões de euros), do investimento em ativo fixo (23,1 milhões de euros), das aquisições realizadas (18 milhões de euros) e da execução do programa de recompra de ações (9 milhões de euros), foi possível reduzir a dívida líquida em 19,9 milhões de euros face ao final de dezembro de 2025”.

Em termos homólogos, a dívida líquida diminuiu 43,3%, face aos mais de 99 milhões de euros registados no final de setembro do ano passado.

Entre os principais destaques do período, a Corticeira Amorim salienta o crescimento das vendas da Amorim Cork Solutions, “apesar do impacto adverso da depreciação do dólar”, e a “resiliência da margem EBITDA num contexto de redução de volumes e de um mix de produto mais desfavorável”.

António Rios de Amorim, presidente e CEO da Corticeira Amorim, considera que, “num contexto de mercado muito desafiante, a Corticeira Amorim continua a apresentar um desempenho robusto, evidenciando, nos primeiros nove meses do ano, margens resilientes e um balanço sólido”.

“Apesar de a contração do consumo de vinho parecer estar a abrandar, não é expectável uma recuperação significativa no curto prazo e, como tal, adotamos uma abordagem pragmática, ajustando o negócio às atuais condições de mercado, simplificando processos de decisão, promovendo a eficiência operacional, reforçando a competitividade dos nossos produtos e orientando o portefólio para produtos mais diferenciadores, assentes na cortiça e de maior valor acrescentado”, acrescenta o responsável, citado no comunicado.

O presidente executivo sublinha ainda que o grupo continua concentrado nas áreas com maior potencial de crescimento e rentabilidade, direcionando investimentos e recursos para segmentos de maior valor acrescentado e com perspetivas de desenvolvimento atrativas.

Nesse sentido, destaca o reforço da presença nos Estados Unidos, através da criação da joint venture Scott Premium Closures e da abertura de uma filial da Amorim Top Series no Kentucky, a conclusão da aquisição de posições minoritárias em empresas já controladas e a continuação do processo de transformação do negócio de pavimentos.

A empresa está também a explorar outras oportunidades de crescimento, nomeadamente através de parcerias internacionais que possam proporcionar conhecimento, escala e acesso a novos mercados, acelerando a criação de valor sustentável a longo prazo.

A dinamarquesa Coloplast inaugurou na semana passada em Felgueiras aquela que passa a ser a sua maior unidade industrial a nível mundial, um investimento de cerca de 100 milhões de euros destinado a reforçar a capacidade de produção da empresa e responder ao aumento da procura global de produtos para cuidados de continência.

A nova fábrica, com cerca de 50 mil metros quadrados distribuídos por dois pisos, já se encontra em funcionamento e deverá empregar mais de 800 trabalhadores na região à medida que a operação for sendo ampliada.

Citada em comunicado, a vice-presidente executiva de Operações Globais da Coloplast, Allan Rasmussen, afirmou que a unidade representa “um marco importante” na missão da empresa de apoiar pessoas com necessidades de saúde íntima.

Segundo a responsável, a escolha de Portugal resultou de vários fatores, entre os quais a disponibilidade de mão de obra qualificada, custos competitivos, a localização europeia e o acesso a eletricidade de origem renovável.

“Portugal dispõe de uma força de trabalho qualificada e altamente treinada, tem um nível de custos competitivo e permite-nos diversificar a nossa presença industrial na Europa, atualmente concentrada na Hungria”, referiu.

A empresa destacou ainda que Portugal é um mercado estratégico por estar próximo da maioria dos seus utilizadores atuais e por apresentar condições favoráveis para o crescimento futuro da procura destes produtos.

O vice-presidente da unidade de fabrico em Portugal, Frank Berg Rasmussen, salientou que o projeto beneficiou de uma colaboração próxima com as autoridades nacionais e locais desde o início do processo, em 2021.

De acordo com o responsável, a construção arrancou no verão de 2024 e ficou concluída pouco mais de dois anos depois, período durante o qual foi também criada uma organização com mais de 300 trabalhadores e iniciada a produção.

“A nova equipa portuguesa teve um desempenho muito positivo e foi graças ao seu trabalho que conseguimos abrir a fábrica exatamente como planeado”, afirmou.

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), que apoiou a instalação da empresa em Felgueiras, considerou o investimento como um sinal de confiança na capacidade do país para atrair projetos industriais de elevado valor acrescentado.

A presidente da AICEP, Ana Casaca, sublinhou que a decisão da Coloplast de instalar em Portugal o seu maior centro industrial reforça a posição do país como destino competitivo para investimentos na área dos dispositivos médicos e deverá contribuir para a criação de emprego qualificado e para o fortalecimento do tecido industrial nacional.

A Coloplast dispõe atualmente de unidades de produção de grande escala na Hungria, China e Costa Rica, além de instalações especializadas nos Estados Unidos, França, Alemanha, Suécia e Islândia, bem como uma unidade de inovação e desenvolvimento na Dinamarca.

Segundo a empresa, a entrada em funcionamento da fábrica de Felgueiras garante a capacidade produtiva necessária para cumprir os objetivos definidos na sua estratégia até 2030, sem necessidade de construir novas unidades industriais durante esse período.

A cerimónia de inauguração decorreu hoje e contou com a presença de representantes das autoridades nacionais e locais, dirigentes da empresa e trabalhadores.

A AFIA – Associação de Fabricantes para a Indústria Automóvel, no âmbito do acordo de colaboração para a promoção internacional da indústria portuguesa de componentes para automóveis celebrado com a AEP – Associação Empresarial de Portugal, promoveram pela quinta edição consecutiva a participação nacional na IZB – International Suppliers Fair, que decorreu em Wolfsburg (Alemanha). A 13.ª edição da IZB realizou-se entre os dias 27 e 29 de outubro. Segundo a AFIA, “o saldo das empresas foi muito positivo, com reuniões com atuais clientes assim como potenciais novos clientes: construtores de automóveis e grandes empresas multinacionais fornecedoras de sistemas e equipamentos para automóveis”.

A IZB é a principal feira de negócios da Europa para os fabricantes para a indústria automóvel onde está representada toda a cadeia de valor da indústria automóvel e da mobilidade. É uma iniciativa e organização da Wolfsburg AG e da Volkswagen AG. A edição deste ano recebeu mais de 40 mil visitantes profissionais e que interagiram com os cerca de 860 expositores oriundos de 36 países.

No dia 27 de outubro, Madalena Fischer, Embaixadora de Portugal na Alemanha, acompanhada por Alexandre Ferreira (diretor da AFIA), Adão Ferreira (AFIA), Sandra Silva (AEP) e por Mariana Gomes (AICEP – Berlim) visitou as empresas portuguesas presentes no certame.

A participação coletiva promovida pela AFIA / AEP integrou 15 empresas e ocupou uma área de quase 200 metros quadrados: AHenriques – Elastomers; Bramp; Caetano Coatings;CR Moulds; Edaetech; Epalfer; ETMA Metal Parts; FEHST Componentes; Inapal Metal; Incompol; Maxiplás; MCG – Manuel da Conceição Graça;  Microplásticos Group; Plastifa; Tecniforja. Participaram ainda mais cinco empresas: Carlom Têxteis / Sensara; Mecalbi; Pecol Automotive; Simoldes Plásticos; Soplast.

O tema da 13.ª edição da IZB foi ‘Powering Customer Driven Innovation – Speed. Quality. Partnership’, “destacando a importância das alianças estratégicas entre os construtores e as empresas fornecedoras e no qual as empresas portuguesas de componentes automóveis mostraram as suas mais recentes novidades e que procuram dar resposta à mobilidade do futuro”.

A próxima edição realizar-se-á em 2028, sendo que a AEP e a AFIA estão já a coordenar o pavilhão de Portugal. Estas entidades estão, em função da procura de participações para esta feira, a tentar alargar a área de exposição da representação Portuguesa para que mais empresas do sector possam participar.

A Indústria Portuguesa de Componentes Automóveis tem revelado um desempenho acima da produção automóvel na Europa, recorda a associação, apesar do período de grande incerteza que se vive na indústria. Entre 2019-2025 cresceu a uma taxa de 2,9% ao ano, o que compara com uma diminuição média anual de -3,6% da produção automóvel na Europa. “Esta performance evidencia, uma vez mais, a competitividade e resiliência da Indústria Portuguesa de Componentes Automóveis. Tal desempenho só é possível ser conseguido pela fiabilidade continuadamente demonstrada pela indústria junto dos clientes internacionais. Refira-se que 98% dos modelos automóveis produzidos na Europa têm pelo menos um componente fabricado em Portugal”.

Em termos de importância na economia nacional, as 360 empresas que integram a indústria de componentes automóveis, representam na sua totalidade 5,1% do PIB, 8,9% do emprego da indústria transformadora, 12,1% do valor acrescentado bruto da indústria transformadora, 14,7% do investimento da indústria transformadora e 15,3% das exportações nacionais de bens transacionáveis.

A AFIA, fundada em 1966, é a associação portuguesa que congrega e representa, nacional e internacionalmente, os fornecedores de componentes para a indústria automóvel. A indústria de componentes para automóveis em Portugal agrega cerca de 360 empresas e emprega diretamente 61.700 pessoas. Fatura 14,3 mil milhões de euros (ano 2025), com uma quota de exportação direta na ordem dos 85%. Em termos de importância na economia nacional, representa 5,1% do PIB, 8,9% do emprego da indústria transformadora, 12,1% do valor acrescentado bruto da indústria transformadora, 14,7% do investimento total da indústria transformadora e 15,3% das exportações nacionais de bens transacionáveis.

 

A Sogrape desenvolveu, em parceria com a DareData, uma solução de Inteligência Artificial para automatizar o processamento de encomendas internacionais, reduzindo o tempo necessário para tratar cada pedido e mantendo a supervisão humana antes da submissão final no sistema SAP.

A empresa vinícola, presente em mais de 100 mercados, recebe diariamente encomendas por email, quer através de documentos anexos quer diretamente no corpo das mensagens. Até agora, o tratamento destes pedidos era realizado manualmente pelas equipas de customer care, num processo que podia demorar cerca de 15 minutos por encomenda.

A nova solução, desenvolvida na plataforma GenOS da DareData, faz a leitura automática dos emails recebidos, extrai a informação relevante sobre produtos e clientes, cruza os dados com os registos existentes em SAP e apresenta os resultados numa interface editável para validação pelos colaboradores antes da submissão final, explica a produtora de vinhos fundada por Fernando Van Zeller Guedes.

Um dos principais desafios do projeto passou por converter conhecimento operacional não documentado em regras de decisão claras e replicáveis. Em conjunto com a equipa de Customer Care da Sogrape, a DareData transformou procedimentos assentes na experiência dos operadores em regras concretas aplicadas antes da intervenção dos modelos de linguagem, permitindo reduzir a complexidade das decisões e aumentar a precisão do sistema.

Nos primeiros testes, a solução registou uma taxa de precisão de 94% na correspondência de clientes e de 93% na identificação de produtos. Atualmente, já atinge níveis de precisão de 95% em vários dos campos analisados e foi desenhada para suportar uma operação superior a 300 encomendas por mês.

Apesar da automação, a validação humana continua a fazer parte do processo. O modelo adotado segue uma lógica de “human-in-the-loop”, em que as tarefas repetitivas são executadas pela tecnologia, enquanto as equipas se concentram na validação da informação e na gestão de exceções.

“Na Sogrape, acreditamos que a tecnologia deve estar ao serviço das pessoas. O AI Order Entry é o primeiro passo de uma visão mais ambiciosa: com a DareData, estamos a construir uma plataforma de IA que, com supervisão humana, assume o trabalho repetitivo”, afirmou André Campos, chief people & transformation officer da Sogrape.

Segundo o responsável, a solução permite ganhar eficiência e qualidade operacional, ao mesmo tempo que liberta os colaboradores para atividades de maior valor acrescentado.

Já Ivo Bernardo, cofundador e senior data scientist da DareData, destaca que o desafio foi além da simples utilização de IA para interpretar encomendas. “Ao resolver primeiro aquilo que pode ser determinado por regras e recorrer aos modelos apenas quando acrescentam valor, conseguimos aumentar a precisão e manter as pessoas no controlo das decisões”, sublinhou.

Para as duas empresas, o projeto demonstra o potencial da Inteligência Artificial na automatização de processos empresariais complexos, conjugando automação, regras de negócio e supervisão humana num único fluxo operacional.

Fundada em 1942 por Fernando Van Zeller Guedes, a Sogrape está atualmente presente em mais de uma centena de mercados e detém mais de 1.600 hectares de vinha distribuídos por Portugal, Espanha, Chile, Argentina e Nova Zelândia.

As relações internacionais e os negócios internacionais sempre estiveram interligados. Os conflitos, sejam violentos ou económicos, influenciam as decisões de investimento, as cadeias de abastecimento, o acesso aos mercados e a reputação das empresas. No entanto, o contexto internacional nem sempre foi igualmente turbulento.

Desde a década de 1990 até ao início dos anos 2000, a rápida globalização foi a tendência dominante. A liberalização do comércio e a expansão do acesso aos mercados incentivaram as empresas a internacionalizarem-se. Nem mesmo os atentados de 11 de setembro de 2001 inverteram essa dinâmica. As exportações mundiais de mercadorias cresceram de aproximadamente 6,5 triliões de dólares em 2000 (cerca de 7,1 biliões de euros) para cerca de 17,7 triliões de dólares em 2020¹ (cerca de 15,5 biliões de euros). Os negócios internacionais tinham-se tornado profundamente enraizados na economia mundial.

A crise financeira global, que teve início em meados de 2007, interrompeu esta trajetória, mas os governos continuaram, em grande medida, a cooperar através das instituições internacionais estabelecidas. A Covid-19 provocou um novo choque: o investimento direto estrangeiro mundial caiu 35% em 2020, para cerca de um trilião de dólares² (cerca de 876 mil milhões de euros). Nessa altura, porém, a cooperação internacional já se encontrava sob pressão.

Atualmente, as sanções, a concorrência estratégica, as políticas industriais e as alianças em mudança tornaram o contexto internacional mais fragmentado e imprevisível. As empresas têm de navegar por tensões que envolvem a Rússia e o Irão, a intensificação da concorrência entre os Estados Unidos e a China, os interesses estratégicos da União Europeia e as crescentes preocupações em torno da inteligência artificial e das grandes empresas tecnológicas (Big Tech). As decisões de investimento, aprovisionamento e entrada em novos mercados já não são meros cálculos comerciais: podem ter consequências geopolíticas.

Ao longo do último quarto de século, muitas grandes empresas adotaram uma gestão estratégica das partes interessadas (stakeholders). Reconheceram que uma concentração exclusiva nos acionistas pode gerar resistência por parte dos trabalhadores, consumidores, comunidades e governos. A sustentabilidade e o envolvimento das partes interessadas tornaram-se, por conseguinte, elementos habituais da estratégia empresarial. Contudo, no contexto atual, a gestão das partes interessadas, por si só, já não é suficiente.

A diplomacia empresarial oferece uma abordagem mais aprofundada. Consiste em construir relações de longo prazo para além das fronteiras culturais, políticas e institucionais, assentes no respeito mútuo e na confiança. Vai além da comunicação ou da negociação de um acordo favorável. Exige compreender os valores locais, reconhecer interesses legítimos e considerar as consequências sociais mais amplas das decisões empresariais.

Uma investigação própria, realizada em 2020 e centrada em empresas que operam em contextos frágeis e afetados por conflitos, evidencia a importância destas relações³. Quando as instituições são frágeis e as circunstâncias mudam rapidamente, a confiança construída ao longo do tempo pode ajudar a explicar por que razão algumas empresas conseguem continuar a operar, enquanto outras enfrentam dificuldades. A confiança não pode ser criada artificialmente durante uma crise; tem de ser conquistada antes de esta surgir.

Esta realidade tem implicações diretas para os líderes empresariais. A diplomacia não deve ser deixada exclusivamente nas mãos dos governos nem ser encarada como um exercício de relações públicas. Os conselhos de administração precisam de desenvolver competências diplomáticas, escutar seriamente as partes interessadas e compreender o contexto político em que as suas empresas operam. Por vezes, isso significa aceitar custos a curto prazo para preservar relações ou recusar oportunidades lucrativas que comprometeriam a confiança a longo prazo.

Num mundo fragmentado, os negócios internacionais já não se limitam a entrar em mercados e a gerir as partes interessadas: exigem saber navegar entre interesses concorrentes, com respeito mútuo. Num artigo de 2013, intitulado Diplomacy means business (A diplomacia é fazer negócios)⁴, defendi uma perspetiva; hoje, inverto-a: Business means diplomacy (Fazer negócios é fazer diplomacia)! As empresas que investirem na diplomacia estarão mais bem preparadas para enfrentar a incerteza e terão maior capacidade para construir relações internacionais duradouras.

¹ Banco Mundial / Organização Mundial do Comércio (OMC).
² UNCTAD, World Investment Report 2021.
³ Stümke, Lisa Isabell, e Huub Ruël. “Business Diplomacy by multinational corporations in developing and conflict-prone zones: an interview-based analysis to develop a business diplomacy analysis matrix”. Cone Academy, Universidade de Twente (2017).
⁴ Ruël, H. (2013). Diplomacy means business. Windesheim reeks Kennis en Onderzoek, 46, 22.

A aliança entre a Iberdrola e a Norges Bank Investment Management ultrapassa os 1.800 MW de capacidade instalada na Península Ibérica com a integração do parque eólico do Tâmega, no norte de Portugal.

A nova operação adiciona 274 MW de capacidade já em operação comercial à plataforma de co-investimento detida pelas duas entidades. É o terceiro ativo a entrar este ano, depois dos 646 MW solares de Caparacena e Ciudad Rodrigo, em Espanha, em operação desde o final de 2024.

O veículo deverá atingir os 2.300 MW no próximo ano com a incorporação de nova capacidade renovável, no âmbito de uma parceria estratégica de longo prazo sustentada por um investimento superior a 2 mil milhões de euros para acelerar a eletrificação.

A operação reforça a presença do fundo soberano norueguês em ativos físicos renováveis. A Norges Bank Investment Management, que gere cerca de 2,1 biliões de euros em ativos, detém participações em mais de 9.000 empresas — em média 1,5% das cotadas globais e 2,5% das europeias.

A gestora do fundo petrolífero norueguês é acionista da Iberdrola há mais de sete anos, com cerca de 2,3% do capital, e fez através da elétrica espanhola o seu primeiro investimento direto em renováveis em Espanha.

A Iberdrola é a maior elétrica europeia por capitalização bolsista e uma das duas maiores do mundo no setor.

A parceria, segundo as duas partes, poderá expandir-se para novas oportunidades renováveis noutros mercados.