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O Chief Investment Officer do Banco Carregosa, Mário Carvalho Fernandes, assina o editorial do “Perspetivas Outlook Outono”, e nele diz que “depois de um ano marcado pela concretização de riscos geopolíticos e pelo regresso da inflação energética, o Outono deverá continuar a ser marcado por elevada volatilidade, com o sentimento dos investidores a oscilar entre o entusiasmo perante novas oportunidades e a apreensão face a riscos potencialmente extremos”.
“A economia global continua a crescer, a Inteligência Artificial mantém-se como um dos maiores ciclos de investimento das últimas gerações e os bancos centrais voltaram a recordar que o custo do capital importa. Neste contexto, a disciplina e a seletividade tornam-se mais importantes do que a procura incessante pela próxima tendência de mercado”, acrescenta Mário Carvalho Fernandes, antecipando oscilações no sentimento dos investidores entre o entusiasmo e a apreensão.
Apesar desse enquadramento, o responsável salienta que a economia global continua a crescer e que a inteligência artificial se mantém como um dos maiores ciclos de investimento das últimas gerações. Ao mesmo tempo, sublinha, os bancos centrais voltaram a lembrar aos mercados a importância do custo do capital.
“Neste contexto, a disciplina e a seletividade tornam-se mais importantes do que a procura incessante pela próxima tendência de mercado”, afirma no editorial.
A análise coloca, assim, a continuidade do crescimento económico e do investimento tecnológico a par dos riscos geopolíticos e das pressões sobre os preços da energia.
Para o responsável de investimento do Carregosa, esse equilíbrio exige maior critério na seleção dos investimentos, num período em que o entusiasmo por novas oportunidades poderá alternar com episódios de maior preocupação nos mercados.
Banco Carregosa privilegia qualidade e liquidez perante riscos de inflação e juros
O Banco Carregosa privilegia obrigações de elevada qualidade, liquidez e empresas com balanços sólidos para o último trimestre de 2026, num cenário em que a resistência da economia ao choque energético convive com riscos de novas subidas das taxas de juro e maior volatilidade nos mercados.
No seu relatório de perspetivas de outono, o banco identifica o investimento em inteligência artificial, a despesa em defesa e o investimento público como suportes do crescimento, mas alerta que o encarecimento da energia e do financiamento poderá testar essa resiliência.
A preferência pela qualidade traduz-se, nas obrigações, numa aposta em emitentes com elevada capacidade de pagamento e maturidades curtas a intermédias. O banco procura beneficiar de rendimentos mais elevados sem aumentar excessivamente a exposição às oscilações das taxas de juro ou ao risco de crédito.
Segundo o relatório, as expectativas de estabilização ou descida dos juros deram lugar, desde julho, à antecipação de novos aumentos pelo Banco Central Europeu e pela Reserva Federal norte-americana. O documento refere que os mercados atribuem probabilidades elevadas a subidas nas reuniões de dezembro de ambos os bancos centrais.
O Carregosa considera que as empresas com liquidez e capacidade de gerar fluxos de caixa estarão mais bem posicionadas para absorver custos de financiamento superiores. Em contrapartida, identifica maior vulnerabilidade nos emitentes mais endividados e, em particular, nas obrigações de alto rendimento com classificação CCC, onde vê maior risco de incumprimento e reestruturação.
França sob escrutínio
Na dívida soberana europeia, o banco destaca França como um foco de risco, apontando para os défices elevados, o aumento da dívida pública e as dificuldades políticas em consolidar as contas do Estado.
De acordo com os dados apresentados no relatório para 21 de outubro, as obrigações francesas a 10 anos ofereciam uma rendibilidade de 5%, contra 3,95% da dívida portuguesa, apesar de ambos os países terem uma classificação A+ atribuída pela Fitch. O banco atribui essa diferença sobretudo à trajetória das contas públicas.
Enquanto a dívida francesa teria aumentado de 115,7% do produto interno bruto em 2025 para 119% no segundo trimestre de 2026, Portugal seguia uma trajetória descendente, segundo o documento. O Carregosa alerta que a persistência da deterioração orçamental francesa representa um risco crescente para a União Europeia.
Mercado de ações
Nas ações, o banco mantém uma estratégia que combina exposição a tendências de crescimento de longo prazo com setores mais defensivos, favorecendo empresas com resultados menos voláteis, balanços fortes e elevada geração de caixa.
Embora o investimento em inteligência artificial continue a apoiar a atividade económica e os resultados empresariais, o Carregosa considera mais limitado o espaço para novas revisões em alta das estimativas de lucros no setor. Entre os constrangimentos, aponta limitações de capacidade produtiva, endividamento de algumas empresas e um possível abrandamento dos licenciamentos de novos centros de dados.
O banco observa, no entanto, que as avaliações acionistas se aproximaram de médias históricas, uma vez que a subida das cotações foi inferior ao crescimento dos resultados das empresas. Essa evolução poderá oferecer algum conforto aos investidores, embora também reflita juros mais elevados e dúvidas sobre a sustentabilidade do ritmo recente de expansão dos lucros.
A situação no estreito de Ormuz permanece central para as perspetivas do trimestre. Sem progressos nas negociações no Médio Oriente, o relatório antecipa a continuação de pressões sobre os custos das empresas e de perturbações nos canais de distribuição.
A Binance desempenha um papel central na negociação de criptomoedas, na liquidez do mercado e na movimentação de ativos digitais entre diferentes plataformas. Esta dimensão torna o ataque informático de quinta-feira passada particularmente relevante.
Uma perda prolongada de confiança poderá levar os investidores a retirar fundos da exchange e transferi-los para outras plataformas ou carteiras privadas. Este movimento poderá reduzir a liquidez, aumentar os custos de negociação e provocar maior volatilidade nos preços.
Outro risco está relacionado com a utilização de alavancagem. Quando os preços das criptomoedas caem rapidamente, posições financiadas com dinheiro emprestado podem ser encerradas automaticamente, obrigando à venda de ativos e aumentando a pressão sobre o mercado.
O episódio demonstra também a interdependência entre exchanges, stablecoins e plataformas de financiamento descentralizado. Um problema numa entidade de grande dimensão poderá afetar outras empresas através de transferências, garantias e operações financeiras.
Ainda assim, é importante distinguir o risco sistémico dentro do mercado das criptomoedas de uma eventual crise no sistema financeiro tradicional. Até ao momento, não existem indicações suficientes de que o incidente represente uma ameaça direta à estabilidade do setor bancário.
Que riscos enfrentam os investidores europeus?
O incidente levanta também questões sobre a proteção dos investidores europeus que utilizam plataformas de negociação de criptomoedas. O regulamento europeu MiCA veio estabelecer regras para as empresas que prestam serviços relacionados com criptoativos, incluindo requisitos de autorização, transparência e proteção dos clientes.
No entanto, nem todas as plataformas internacionais estão abrangidas pelas mesmas garantias. Os investidores que recorrem a entidades sem autorização para operar ao abrigo do enquadramento europeu poderão ter menos mecanismos de proteção e de reclamação em caso de problemas.
O impacto junto dos clientes europeus poderá ter sido mais limitado, num contexto em que a Binance enfrenta restrições regulatórias na região e não dispõe de autorização MiCA para prestar todos os seus serviços no Espaço Económico Europeu.
Importa, contudo, esclarecer que o MiCA não garante a recuperação dos fundos em caso de ataque informático, nem funciona como um seguro de depósitos bancários. Por isso, a entidade jurídica responsável pela prestação do serviço é tão importante como a própria plataforma utilizada.
Como poderá reagir a Bitcoin?
A Bitcoin está entre os ativos mais sensíveis a este tipo de acontecimentos. Embora o ataque não tenha comprometido diretamente a sua rede, a perda de confiança nas plataformas de negociação poderá levar os investidores a reduzir a exposição ao mercado.
Após a divulgação do incidente, a Bitcoin caiu para mínimos de aproximadamente seis semanas, negociando perto dos 76 mil dólares. Ethereum e Binance Coin também registaram perdas, enquanto os investidores reduziram posições em ativos de maior risco.
A evolução da Bitcoin dependerá sobretudo da capacidade da Binance para cumprir os compromissos assumidos, da recuperação dos fluxos de investimento e das condições gerais dos mercados financeiros. Se a exchange conseguir normalizar os serviços e demonstrar que os fundos dos clientes estão devidamente protegidos, a pressão poderá diminuir e permitir uma recuperação gradual das cotações.
Pelo contrário, novas falhas de segurança, dúvidas sobre as reservas ou dificuldades nos levantamentos poderão provocar uma nova vaga de vendas. O efeito poderá ser amplificado pelas liquidações de posições alavancadas.
O contexto macroeconómico também merece atenção. A recente pressão sobre as ações tecnológicas, as preocupações com os elevados investimentos em inteligência artificial e as perspetivas de taxas de juro mais elevadas nos Estados Unidos já estavam a limitar o apetite pelo risco. A crise da Binance surge, assim, num momento em que os investidores estão particularmente sensíveis a notícias negativas.
O impacto poderá também estender-se aos investidores institucionais, cuja participação tem sido importante para o crescimento do mercado. As saídas de capital dos ETF de Bitcoin à vista nos Estados Unidos após o ataque mostram que o sentimento dos investidores pode deteriorar-se rapidamente perante riscos relacionados com a segurança e a liquidez. Para os grandes investidores, a capacidade de custódia, a transparência das reservas e o risco de contraparte são fatores fundamentais. Se estes receios persistirem, poderão limitar temporariamente a entrada de novo capital institucional no mercado. Por outro lado, uma resposta eficaz da Binance e o reforço dos mecanismos de segurança poderão ajudar a recuperar a confiança a médio prazo.
O impacto nas restantes criptomoedas
A Binance Coin poderá continuar sob pressão devido à sua ligação direta ao ecossistema Binance. A Ethereum poderá também enfrentar maior volatilidade, embora não existam indicações de que a sua rede tenha sido afetada.
As criptomoedas de menor dimensão poderão ser ainda mais vulneráveis, devido à menor liquidez e à maior dependência de investidores especulativos.
Por outro lado, as stablecoins poderão beneficiar de uma procura adicional por parte dos investidores que procuram manter capital num ativo com valor relativamente estável. No entanto, o congelamento de fundos pela Tether e pela Circle também demonstra que estas moedas dependem de entidades centralizadas, que podem bloquear determinados ativos.
Podemos continuar a confiar no sistema das criptomoedas?
O principal ensinamento deste episódio é a necessidade de distinguir a tecnologia blockchain das empresas que permitem aos investidores negociar e guardar criptomoedas.
A Bitcoin foi concebida para funcionar sem depender de uma instituição financeira central. As transações são registadas numa rede descentralizada, protegida por mecanismos criptográficos. O ataque à Binance não demonstra uma falha desta tecnologia, mas sim os riscos associados às plataformas centralizadas.
Quando um investidor mantém as suas criptomoedas numa exchange, depende da segurança, da gestão e da capacidade financeira dessa empresa para aceder aos seus fundos.
Uma alternativa é a autocustódia, através de carteiras privadas que permitem ao investidor controlar diretamente as suas chaves. Contudo, esta solução também exige cuidados, uma vez que a perda das chaves privadas pode significar a perda definitiva dos ativos.
O setor terá, por isso, de reforçar os mecanismos de segurança, realizar auditorias independentes, melhorar a transparência das reservas e garantir uma maior proteção dos fundos dos clientes. Na União Europeia, o regulamento MiCA já estabelece regras para os prestadores de serviços de criptoativos, mas incidentes desta dimensão poderão aumentar a pressão para reforçar os requisitos de segurança e supervisão.
Mais de 30% dos ligeiros de passageiros matriculados em Portugal entre janeiro e outubro têm uma motorização exclusivamente elétrica, segundo a ACAP, que acrescenta que, no último mês, este segmento representou 45% dos ligeiros de passageiros novos.
Segundo dados divulgados esta segunda-feira, 2 de novembro, pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), dos 205.507 veículos ligeiros de passageiros matriculados em Portugal entre janeiro e outubro deste ano, 77,5% são movidos a bateria, 19,1% a gasolina e 3,4% a gasóleo.
Entre as energias alternativas, os automóveis movidos exclusivamente a bateria (BEV) representaram a maior fatia, com 30,3%, seguindo-se os híbridos elétricos (25,4%) e os híbridos ‘plug-in’, com 15,1%.
Os BEV cresceram 50,5% face aos primeiros 10 meses do ano passado, sendo as marcas mais vendidas a Tesla (9.673, subida de 62,5%), a BMW (5.552, +47,8%) e a Mercedes-Benz (4.424, +89,1%).
Apenas no mês de outubro, estas motorizações tiveram uma subida de 61,4%, com 7.452 matrículas, tendo correspondido a 44,9% do mercado.
Já os híbridos cresceram 21,1% nos primeiros 10 meses do ano, com 52.192 matrículas e com a francesa Peugeot na liderança (9.443, +12,6%), seguindo-se a nipónica Toyota (8.466, +21,8%) e a também francesa Citroën (3.986, +125,5%).
No 10.º mês do ano, a matrícula de veículos híbridos recuou 9,3% para 2.761 unidades, equivalentes a 16,6% do mercado.
Já os PHEV tiveram uma subida de 9,9% face ao mesmo período de 2025, com 30.948 matrículas, num segmento dominado pelas alemãs Mercedes-Benz (6.631, descida de 7,2%), BMW (4.666, -9,5%) e Volkswagen (2.922, +24,2%).
Apenas em outubro, o número de matrículas de PHEV caiu 19,2%, totalizando uma quota de mercado de 15,8%.
O Banco Central Europeu notificou o Novobanco dos requisitos prudenciais mínimos de capital a observar em 2027, resultantes do processo de avaliação supervisora (SREP). O destaque da nova revisão vai para a trajetória descendente das exigências específicas fixadas pelo supervisor.
O requisito de Pilar 2 (P2R) aplicável à instituição para o próximo ano foi fixado em 2,35%, o que representa uma descida de 15 pontos base face aos valores anteriores. Esta diminuição, segundo o comunicado emitido pela entidade bancária, traduz a continuada melhoria da perceção do supervisor europeu sobre o perfil de risco global do banco.
Com esta atualização, o requisito global de capital (Overall Capital Requirement) fica estabelecido em 9,87% para o rácio CET1, 11,81% para o Tier 1 e 14,40% para o Rácio Total de Solvabilidade. Estes mínimos integram as componentes de Pilar 1, as reservas de conservação de capital (2,50%), a reserva para instituições de importância sistémica (0,50%), a reserva contracíclica (0,76%) e a reserva de risco sistémico (0,30%).
Em termos de comparação com o desempenho recente da instituição, os rácios registados no fecho do primeiro semestre de 2026 mantêm-se confortavelmente acima das novas exigências. A 30 de junho de 2026, o Novobanco apresentava um rácio CET1 de 19,2%, superando a exigência em 9,3 pontos percentuais, um Tier 1 igualmente de 19,2%, acima em 7,4 pontos percentuais, e um rácio Total de Solvabilidade de 22,1%, com uma margem de 7,7 pontos percentuais sobre o limite fixado.
Guitarrada, tecnobrega, cúmbia e música indígena cruzam-se na programação não erudita do ciclo dedicado à Amazónia pela Casa da Música, no Porto, entre 12 e 28 de novembro, percorrendo diferentes sonoridades e geografias daquele território.
“Queremos que as pessoas se sintam a escutar e a viver, a experienciar a Amazónia”, afirmou à Lusa Fernando Sousa, coordenador de programação de música não erudita da Casa da Música, antecipando a diversidade musical da região que vai habitar o Festival Amazónica-Girando Mundos, e que se estende a outras expressões artísticas com exposições, instalações e performances ao vivo.
“É quase como uma imersão”, observou, sugerindo o mergulho do público numa atmosfera cultural que também convida a refletir sobre a importância da Amazónia e sobre os desafios que hoje enfrenta.
A programação de concertos arranca em 12 de novembro, na Sala 2, com Emanuel Cordeiro, mestre da guitarrada, género musical paraense, que convida a cantora Euterpe, oriunda de Roraima. Seguem-se os Curcumbia, projeto de influências peruanas e colombianas, que cruza sonoridades como as cúmbias e as xixas.
No dia seguinte, a música indígena do povo Puyanawa, do Acre, chega à Casa da Música através do coletivo Puwewere Puyanawa: “É uma estreia absoluta”, afirmou Fernando Sousa, sinalizando a oportunidade de ouvir ao vivo a música tradicional e ancestral deste povo.
A mesma noite inclui o pianista e compositor Jean Phi Dary, da Guiana Francesa, num projeto que cruza influências amazónicas, jazz, tradições afro-caribenhas e improvisação, e os Gangue do Eletro, grupo de referência do tecnobrega, género associado às festas populares e às aparelhagens da região amazónica.
A programação inclui ainda propostas experimentais com os Ayahuasca Detectives, e atuações de vários DJ (Farofa, Damasound e Selecta Alice), prolongando a diversidade de linguagens musicais e a relação entre as tradições locais e as sonoridades eletrónicas.
No domingo, a cantora Zainara, representante de uma nova geração de artistas amazónicos, nomeada para os Grammy Latinos, antecede Fafá de Belém, nome da música popular brasileira, que regressa a Portugal após 11 anos de ausência.
Para lá dos concertos, a programação de música não erudita integra um ciclo mais vasto inspirado na obra Floresta do Amazonas, de Heitor Villa-Lobos, que a Casa da Música decidiu alargar a outros géneros e expressões artísticas.
“Não só à volta do Villa-Lobos, é certo, com essa inspiração da Floresta do Amazonas, mas percorrer esses caminhos, que não sejam só a música erudita inspirada nessa floresta”, afirmou o responsável.
O percurso identificado como Caminhos da Floresta estende-se assim às artes visuais e a instalações sonoras e audiovisuais, distribuídas pelos ‘foyers’ e salas da Casa da Música, com acesso gratuito.
Entre as propostas está Telas da Amazónia, exposição do artista plástico e performer José Roberto Aguilar, que fará também uma performance de pintura ao vivo. A instalação Biomusic Vibrations, de um engenheiro português, “transforma em música medições da circulação da seiva nas plantas”, enquanto a dupla paraense Pinko Boto explora, através da escultura, a fauna e a flora da região.
O ciclo inclui também o projeto da dupla Altar Sonoro, que, através duma Jukebox Amazónica, selecionou 30 músicas e outras tantas propostas visuais.
“Não é só a música, mas terá a imagem também associada”, explicou Fernando Sousa, acrescentando que a seleção permite aos visitantes ouvir, ver ou contemplar os conteúdos ao seu próprio ritmo.
O objetivo é aproximar o público de uma realidade cultural que, apesar da sua importância ambiental, permanece muitas vezes distante da experiência quotidiana.
“Só se fala teoricamente, não se experiencia efetivamente o que é que vem dali”, disse Fernando Sousa, defendendo que a música e a criação artística podem contribuir para uma relação mais próxima com a Amazónia, e mais informada também.
O índice PSI encerrou a sessão desta segunda-feira, 2 de novembro, em ligeira queda de 0,26%, fixando-se nos 9.252,46 pontos, num dia marcado pela forte desvalorização do petróleo nos mercados internacionais e por uma vaga de dados macroeconómicos.
A penalizar o índice nacional, a Galp Energia destacou-se como o pior desempenho, ao recuar 2,21% para 20,32 euros, acompanhando a tendência negativa das matérias-primas energéticas.
Ainda no campo das perdas, as ações dos CTT caíram 1,59% para 5,27 euros e a NOS SGPS desvalorizou 0,67% para 5,175 euros.
Pela positiva, a Corticeira Amorim liderou os ganhos ao subir 2,04% para 7,00 euros no dia em que apresentou resultados (após o fecho do mercado), seguida pela Semapa, que avançou 1,12% para 19,84 euros, e pela EDP Renováveis, que valorizou 0,56% para 12,57 euros.
O BCP manteve-se inalterado nos 1,0775 euros, apesar de a casa de investimento Mediobanca ter cortado a recomendação do banco de “comprar” para “neutral”, revendo em baixa o preço-alvo de 1,29 euros para 1,21 euros por ação.
O Millennium investment banking, no seu comentário diário de mercado, salientou que as bolsas europeias encerraram globalmente em alta, animadas pela descida acentuada do petróleo, enquanto os investidores digeriam a divulgação de dados económicos.
O Stoxx 600 avançou 0,45%, enquanto o EuroStoxx 50 fechou nos 6.176,06 pontos, um ganho de 0,73%. Entre os principais índices europeus, o francês CAC 40 registou a maior subida percentual ao valorizar 0,98% para 8.047,69 pontos.
O espanhol IBEX 35 subiu 1,63% para 18.957,80 pontos, o italiano FTSE MIB avançou 0,90% para 49.947,94 pontos, o alemão DAX ganhou 0,63% para 25.981,09 pontos e o britânico FTSE 100 registou um acréscimo de 0,29% para 10.761,33 pontos.
No mercado de matérias-primas, os preços do petróleo sofrem um tombo superior a 7%, depois de o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ter afirmado que o governo está empenhado em resolver o conflito no Médio Oriente por meio do diálogo. O barril de Brent do Mar do Norte recuou 7,43% para 105,00 dólares, enquanto o crude leve norte-americano (WTI) caiu 7,13% para 96,70 dólares.
No mercado secundário de dívida, as yields das obrigações soberanas aliviaram de forma generalizada. A yield das Bunds alemãs a 10 anos recuou 2,94 pontos base para 3,29%, enquanto a dívida portuguesa com o mesmo prazo desceu 5,16 pontos base para 3,73%. Em França, a taxa a 10 anos caiu 7,43 pontos base para 4,90%, e nos Estados Unidos, a yield das Treasuries a 10 anos recuou 4,42 pontos base para 4,87%.
O contexto macroeconómico tem sido marcado por uma aceleração inesperada da atividade industrial nos Estados Unidos. O índice ISM da indústria subiu de 54,5 em setembro para 55,5 em outubro, superando as expectativas de manutenção e refletindo um forte dinamismo na produção e nos stocks, num momento em que os mercados aguardam com grande expectativa as eleições intercalares (midterms) norte-americanas que se realizam esta terça-feira.
No plano geopolítico, os mercados continuam a monitorizar a situação na Europa de Leste. Segundo relatos, os Estados Unidos pretendem reiniciar os fornecimentos de gás russo à Europa através da Ucrânia, um plano proposto por enviados norte-americanos que envolveria a venda através de uma empresa dos EUA para contornar as sanções da UE.
Entretanto, na frente política europeia, a Bélgica enfrenta uma crise governamental. O primeiro-ministro belga, Bart De Wever, apresentou a demissão do seu governo ao Rei Philippe, após o colapso das negociações da coligação para o orçamento de 2027, num impasse que ameaça a estabilidade do país, que apresenta um défice de cerca de 5,2% do PIB e uma dívida pública acima dos 108%. O monarca ainda não aceitou a demissão.