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As cerca de 28 mil famílias economicamente vulneráveis que não puderam usufruir do Vale Eficiência começaram a ser contactadas em 30 de outubro para atribuição dos ‘vouchers’, anunciou hoje a ministra do Ambiente e Energia.
Num encontro com jornalistas, Maria da Graça Carvalho adiantou que “o processo foi simplificado” de maneira a dispensar a intervenção do facilitador técnico, uma figura criada para a execução daquele programa financiado pelo Fundo Ambiental.
De acordo com a ministra, a nova plataforma do Vale Eficiência será aberta no final de novembro para que as 28 mil famílias com as candidaturas aprovadas possam confirmar o interesse, receber os respetivos ‘vouchers’ e proceder à sua troca junto dos fornecedores que aderiram ao programa.
A verificação de que as regras do programa foram cumpridas será “feita por amostragem”, disse ainda Graça Carvalho.
O Programa Vale Eficiência (PVE) foi desenhado para apoiar as famílias economicamente vulneráveis no combate à pobreza energética através da substituição de janelas de classe energética A e de sistemas de aquecimento e/ou arrefecimento como bombas de calor, sistemas solares térmicos, caldeiras e sistemas solares fotovoltaicos, entre outros.
Cada vale atribuído aos beneficiários tem o valor de 1.300 euros, acrescido de IVA. Na primeira fase do programa cada família teve direito a apenas um vale, mas na segunda fase foram atribuídos até três vales por agregado familiar.
No total das duas fases, há registo de 48.131 candidaturas elegíveis, num total de 28 milhões de euros pagos, segundo dados divulgados pela ministra do Ambiente relativos a 26 de junho.
Financiado pelo PRR, o PVE II foi objeto de reprogramação em 2025 e teve a sua meta inicial de 80 mil vales revista em baixa.
Em fevereiro, a Associação das Agências de Energia e Ambiente (RNAE) determinou, num ‘email’ dirigido aos facilitadores técnicos do programa, o encerramento antecipado e imediato da atribuição de novos vales, com os apoios às famílias a serem remetidos para 2027, conforme a Lusa noticiou.
Parte da dotação inicial, de 104 milhões de euros, foi realocada ao programa E-Lar, também dirigido a famílias vulneráveis que pretendam trocar equipamentos a gás por versões elétricas mais eficientes.
As vantagens fiscais associadas aos Planos Poupança Reforma (PPR) podem ser anuladas pelas comissões cobradas pelas entidades gestoras, segundo um estudo divulgado pelo Compara PPR, plataforma independente de comparação destes produtos.
Atualmente, o Estado concede dois benefícios fiscais aos subscritores de PPR: uma dedução à coleta de IRS correspondente a 20% das entregas anuais, dentro dos limites legais, e uma tributação reduzida de 8% sobre as mais-valias no momento do resgate, quando cumpridas as condições previstas na lei.
No entanto, de acordo com a análise realizada pelo Compara PPR com base em dados da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) referentes a 30 de setembro de 2026, os encargos anuais cobrados por muitos produtos são suficientes para consumir grande parte ou mesmo a totalidade dessa vantagem fiscal ao longo do tempo.
O estudo conclui que um aforrador de 30 anos que invista 2.000 euros por ano num PPR até aos 60 anos poderá obter uma vantagem fiscal acumulada de cerca de 55.800 euros face a um ETF de ações mundiais com custos de 0,20%, assumindo que ambos apresentam a mesma rentabilidade antes de custos.
No entanto, essa vantagem desaparece por completo quando os custos anuais do PPR rondam os 2%, segundo os cálculos da plataforma. Caso o investidor utilize os reembolsos de IRS obtidos com o PPR em vez de os reinvestir, o benefício fiscal deixa de compensar a partir de um nível de custos próximo de 1,1%.
A análise incidiu sobre 47 PPR com custos conhecidos. Destes, 12 apresentam encargos anuais iguais ou superiores a 2%, enquanto 41 cobram pelo menos 1,1% por ano. Já o custo mediano situa-se em 1,59%, nível que, segundo o estudo, absorve cerca de 80% da vantagem fiscal proporcionada pelo produto.
“O dinheiro que o Estado abdica para incentivar a poupança para a reforma fica, assim, do lado de quem gere o produto e não do lado de quem poupa”, refere o Compara PPR.
A plataforma foi criada com o objetivo de promover maior transparência no mercado dos PPR, disponibilizando gratuitamente informação sobre custos, rendibilidade e características dos produtos com base em dados oficiais. O projeto sublinha que não é uma entidade financeira, não comercializa produtos nem recebe pagamentos das sociedades gestoras.
Com o final do ano a aproximar-se, período em que muitos contribuintes reforçam os seus PPR para maximizar as deduções no IRS, o Compara PPR defende que os custos devem ser um dos principais critérios de escolha dos aforradores, dado o impacto que podem ter no retorno líquido obtido ao longo das décadas de investimento.
Há uma pergunta que ouço, de diferentes formas, em muitas das conversas que tenho com clientes, investidores e parceiros: será este um bom momento para comprar casa? Para o comprador de luxo, acredito que a questão relevante já não é apenas essa. É perceber que propriedades continuarão a ter valor daqui a dez ou vinte anos.
Esta mudança resume bem o novo racional que estamos a observar no mercado. Em vez de uma decisão condicionada pelo ciclo económico ou pela incerteza do momento, o comprador com elevado poder de compra adota uma perspetiva cada vez mais estratégica e de longo prazo. Analisa o que compra, onde compra e, sobretudo, que características permitirão que essa propriedade continue a ser atrativa no futuro.
Esta evolução é particularmente visível na Península Ibérica. Portugal e Espanha consolidaram-se como destinos de referência para compradores internacionais de imóveis de luxo, graças a uma combinação difícil de replicar: qualidade de vida, segurança, clima, oferta cultural, boas infraestruturas e propriedades singulares em algumas das localizações mais desejadas da Europa. Mais do que responder a uma circunstância concreta, esta procura reflete a atratividade estrutural de ambos os mercados para viver e investir.
O próprio comprador também evoluiu. É mais seletivo e dedica mais tempo a analisar cada decisão. Já não procura apenas uma boa morada, nem se deixa guiar por determinados códigos tradicionais de luxo. Procura uma propriedade capaz de combinar qualidade de vida e valor a longo prazo. Por outras palavras, pensa menos no ciclo imediato e mais naquilo que continuará a ser relevante dentro de uma década.
Esta evolução está também a transformar a forma como entendemos o luxo. O denominado quiet luxury reflete parte desta mudança: privacidade, eficiência, qualidade construtiva e autenticidade pesam hoje mais do que determinados elementos tradicionalmente associados à ostentação. Aquilo que contribui para manter o valor de uma propriedade também está a mudar.
Mas há um fator que permanece: a exclusividade. Uma propriedade excecional no centro de Lisboa não pode multiplicar-se. Tal como uma moradia numa localização privilegiada em Cascais ou uma propriedade singular na Quinta do Lago. São ativos cuja principal força reside precisamente naquilo que é difícil, ou mesmo impossível, reproduzir.
No mercado de luxo, esta escassez assume uma importância particular. As melhores localizações têm necessariamente uma oferta limitada e determinados imóveis reúnem características, pela sua arquitetura, vistas, dimensão, privacidade ou envolvente, que dificilmente encontram equivalente. Num mercado global em que o comprador pode comparar propriedades em diferentes países, aquilo que é verdadeiramente singular tem uma capacidade particular para continuar a despertar interesse.
Isto não significa que o segmento premium seja imune aos ciclos económicos, nem que qualquer propriedade de luxo constitua necessariamente um bom investimento. Precisamente por isso, a seleção do ativo é cada vez mais importante. Em determinados perfis existe uma menor dependência do financiamento e a procura tem uma forte componente internacional, mas a qualidade, a localização e a singularidade continuam a marcar a diferença entre propriedades que, à primeira vista, poderiam pertencer ao mesmo segmento.
Comprar bem exige, por isso, perguntar não apenas o que torna uma propriedade atrativa hoje, mas também o que continuará a torná-la desejável daqui a dez ou quinze anos. Uma localização consolidada, uma arquitetura de qualidade, a eficiência energética, a privacidade ou uma oferta limitada são atributos que podem contribuir para manter essa atratividade ao longo do tempo.
E aqui importa distinguir entre preço e valor. O preço responde a um determinado momento do mercado. O valor incorpora uma perspetiva mais ampla: o que torna uma propriedade diferente, quanta oferta comparável existe e até que ponto continuará a responder àquilo que os compradores procuram no futuro.
Esta é, para mim, a verdadeira dimensão estratégica da compra de uma propriedade de luxo. Não se trata de ignorar o contexto económico, nem de assumir que o mercado evoluirá sempre na mesma direção. Trata-se de olhar para além da conjuntura e compreender que, quando falamos de propriedades excecionais, a decisão não deve basear-se apenas no momento da compra, mas na qualidade do ativo que se está a adquirir.
O comprador de luxo passou, em grande medida, de perguntar “será este o momento certo?” para perguntar “continuará a ser excecional daqui a vinte anos?”. Esta mudança, da reação para a estratégia, é provavelmente uma das transformações mais relevantes que estamos a observar no mercado. Porque o verdadeiro valor não reside simplesmente em adquirir uma propriedade de luxo, mas em saber reconhecer hoje aquilo que continuará a ser difícil de replicar amanhã.
A TAP Air Portugal abriu as candidaturas para a seleção de três novas entidades que irão integrar o programa de responsabilidade social TAP Donate Miles – Causas com Asas durante o triénio 2027-2029. O período de candidatura decorre entre 2 e 30 de novembro.
Criado em 2007, o programa permite aos clientes TAP Miles&Go doar milhas a organizações sociais, que depois as convertem em viagens na rede da transportadora para apoiar projetos nas áreas social, humanitária, da saúde, educação e desenvolvimento comunitário, tanto em Portugal como noutros destinos servidos pela companhia.
No âmbito da renovação periódica da iniciativa, a TAP vai escolher três novas entidades para se juntarem às seis já apoiadas, passando o programa a abranger um total de nove organizações. Cada uma das entidades selecionadas receberá anualmente até um milhão de milhas doadas pelos clientes do programa de fidelização, além de um milhão de milhas atribuído pela TAP como doação inicial.
Segundo a companhia aérea, o objetivo é reforçar a capacidade de mobilidade e intervenção das organizações parceiras, permitindo o transporte de voluntários, profissionais especializados, beneficiários e recursos essenciais para diferentes geografias.
Ao longo dos últimos anos, o programa TAP Donate Miles já apoiou mais de 80 entidades, contribuindo para a concretização de missões com impacto social em várias áreas de intervenção. A transportadora destaca que a sua rede internacional de destinos tem permitido ampliar o alcance das ações desenvolvidas pelas organizações beneficiárias.
Com esta nova fase de candidaturas, a TAP procura identificar instituições com projetos de impacto comprovado e alargar o alcance da iniciativa junto das comunidades onde estas atuam.
Podem candidatar-se instituições particulares de solidariedade social (IPSS), organizações não-governamentais (ONG), organizações não-governamentais para o desenvolvimento (ONGD) e outras associações sem fins lucrativos e de utilidade pública, desde que desenvolvam atividade em Portugal ou em destinos da rede TAP e apresentem projetos de reconhecido impacto social.
As informações sobre o processo de candidatura e seleção estão disponíveis nos canais oficiais da TAP.
Os centros de dados em Portugal vão ter de usar energia renovável, garantiu o Governo, esta segunda-feira, 2 de novembro.
As novas regras estão a ser preparadas atualmente, mas ainda sem data para publicação, segundo a ministra do Ambiente e da Energia que não se quis comprometer com datas, mas assegurando que o diploma estará “completo e submetido” ao Conselho de Ministros até ao final deste ano.
“Há uma parte de interesse do ponto de vista para o país: transição digital, empregos, contributo para o PIB, riqueza que produz, contribuição para a parte da despesa de ligação à rede, disponibilidade de energia renovável, se a produzem ou não, sistema ou ligação à rede, se contribuem com o financiamento dessa ligação à rede”, disse Maria da Graça Carvalho esta segunda-feira, 2 de outubro.
“Estamos a fazer o decreto-lei. Não é semelhante ao de Espanha. Nós não exigimos produção própria” de eletricidade renovável, segundo a ministra afirmou ao JE.
“Têm que contribuir para a despesa de ligação à rede” com “restrições em relação à água” tendo de haver “água disponível”.
E também tem de haver uma licença ambiental, com uma declaração de impacte ambiental positiva.
Os investidores em centros de dados em Espanha ameaçam fugir para Portugal com as regras que estão a ser preparadas no país vizinho para o setor.
O setor está a olhar para Portugal como beneficiado dado dispor de acesso a eletricidade, renovável, preços competitivos, boas ligações de telecomunicações, excelente localização geográfica e condições regulatórias razoáveis, revelou o El Economista no início de setembro.
Outros países podem ser beneficiados com as mudanças regulatórias em Espanha, como Itália, França ou Polónia, apesar de Portugal ser considerado o preferido.
A consulta pública está a dois dias de fechar, com caráter de urgência, e as empresas com capacidade de 1 gigawatt ou superior temem o impacto das novas regras.
Entre elas encontra-se a obrigação de consumo de energia renovável em 80% hora a hora, em vez de uma meta anual. Cada megawatt (MW) consumido de eletricidade tem de ser transformado em verde nos 18 meses seguintes.
A associação setorial SpainDC teme um impacto negativo entre 0s 53,6 mil milhões a 60,3 mil milhões de euros, visto ter o impacto, nas suas contas, de poder reduzir o investimento direto e indireto entre os 80% a 90%. Sem este impacto, o investimento deveria atingir os 67 mil milhões de euros até 2030.
Portugal aprovou este ano o Plano Nacional de Centros de Dados (PNCD) que visa acelerar investimento no setor em Portugal. Entre as medidas está a identificação de terrenos, com planeamento aprovado, infraestrutura básicas e ligações à rede elétrica, realocando capacidade não utilizada para projetos de centros de dados.
O setor nacional pode acrescentar 26 mil milhões de euros ao PIB nacional até 2030, segundo um estudo da Copenhagen Economics. A Microfost já anunciou um investimento de 8,6 mil milhões de euros em Sines para instalar 12 mil chips de nova geração da Nvidia no projeto Start Campus em Sines, que prevê uma capacidade de 1,2 gigas num investimento superior a 8 mil milhões.
O “El Economista” cita fontes do mercado espanhol, apontando que as novas regras “vão a repelir o investimento em Espanha, caso não haja uma mudança radical” na proposta. “Todos os que planeiam investir em Espanha vão mudar de opinião e vão para outros países europeus”.
Por parte do Governo de Pedro Sanchez, existe disponibilidade para discutir todos os detalhes com o setor para alcançar um acordo razoável, segundo o jornal de economia.
O ministério da Transformação Digital, tutelado por Oscar Lopez, está preocupado com os especuladores do setor energético que detêm pontos de ligação.
“Existe um grave problema de especulação, já que muitos compraram solo com potência concedida para revendê-lo a centros de dados e bloqueiam o ‘pool’. Evidentemente, as condições energéticas previstas no projeto de lei expulsam-nos, mas também expulsam a todos: tanto a quem não tem projetos, como os que têm de verdade”, segundo fontes do setor.
Já o líder da SpainDC Emilio Diaz faz um retrato dos investidores que podem dar o salto na fronteira para Portugal. “Estamos a falar de empresas que tomam decisões de investimento de muito longo prazo em relação a solo, financiamento, obra, equipas, contratos energéticos e acordos com terceiros. As regras podem mudar, mas, se são feitas de forma estrutural e com prazos de seis meses de adaptação, criam um problema muito sério de segurança jurídica e de proporcionalidade”.
O poder de compra em Portugal fixou-se em 16.892 euros por habitante em 2026, menos 0,3% do que no ano anterior e cerca de 20% abaixo da média europeia, de 21.153 euros, segundo um estudo da GfK/NielsenIQ (NIQ) divulgado esta segunda-feira.
Portugal desceu duas posições no ranking europeu, ocupando agora o 24.º lugar entre 42 países analisados, de acordo com o estudo Purchasing Power Europe 2026.
A nível nacional, Lisboa lidera o ranking dos municípios, com um poder de compra de 28.391 euros por habitante, 68% acima da média portuguesa e 34% superior à média europeia.
Oeiras, com 25.825 euros por habitante, e Porto, com 24.694 euros, ocupam os lugares seguintes. Cascais, com 21.536 euros, e Alcochete, com 21.294 euros, completam a lista dos cinco municípios portugueses cujo poder de compra supera a média europeia.
No total, apenas cinco dos municípios nacionais analisados ultrapassam aquele valor de referência, com os níveis mais elevados concentrados nos principais centros urbanos e no litoral. Quatro dos dez municípios com maior poder de compra pertencem à Área Metropolitana de Lisboa, enquanto Coimbra, Sines, Aveiro, Matosinhos e Mafra também integram os dez primeiros lugares, todos acima da média nacional.
No extremo oposto, Vinhais apresenta o valor mais baixo do país, com 10.121 euros por habitante. A diferença para Lisboa é de 18.270 euros, sendo o poder de compra médio na capital quase três vezes superior ao do município transmontano.
“Estes resultados revelam diferenças significativas na capacidade económica das famílias portuguesas, particularmente relevantes num momento em que a inflação volta a acelerar e os custos da habitação, alimentação e energia continuam a pressionar os orçamentos”, afirmou António Salvador, diretor-geral da GfK/NIQ em Portugal.
O responsável sublinhou ainda a importância de avaliar a margem financeira que resta às famílias depois de suportadas as despesas essenciais, para compreender a evolução das prioridades de consumo e dos hábitos de compra.
Na Europa, o poder de compra médio aumentou 4,4% em termos nominais face ao valor revisto do ano anterior, para 21.153 euros por habitante, num total de cerca de 14,5 biliões de euros.
O Liechtenstein, com 78.520 euros por habitante, lidera o ranking europeu, seguido da Suíça, com 54.730 euros, e da Islândia, com 44.692 euros. A Ucrânia, o Kosovo e a Moldávia registam os valores mais baixos. Dos 42 países analisados, 17 apresentam um poder de compra superior à média europeia.
O estudo mede o rendimento disponível nominal por habitante, após impostos e incluindo prestações sociais, com base em dados estatísticos e previsões económicas. Os valores não estão ajustados à inflação nem às diferenças no custo de vida entre países.