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Os lucros da companhia aérea ‘lowcost’ Ryanair caíram 15% para os 2.150 milhões de euros no primeiro semestre fiscal (abril-setembro), anunciou hoje a empresa.
Em comunicado, a Ryanair explicou que a queda dos lucros se deveu principalmente ao aumento do preço do combustível e à redução das tarifas aéreas, apesar de ter registado um aumento de 6% no tráfego de passageiros, atingindo 125,8 milhões de passageiros.
A companhia irlandesa revelou ainda que o preço médio das passagens caiu 4%, para 55,70 euros, enquanto o custo do combustível não protegido por ‘operações de hedge’ (acordos financeiros) — cerca de 20% do total — duplicou, chegando a aproximadamente 130 dólares por barril.
No comunicado, o presidente executivo da empresa, Michael O’Leary, destacou que a companhia aérea obteve uma receita de 10.080 milhões de euros no primeiro semestre fiscal, um aumento de 3%, embora os custos operacionais tenham subido 10%, atingindo 7.690 milhões de euros.
O responsável também mencionou uma queda de 6% no lucro líquido, para 1.610 milhões de euros durante o segundo trimestre fiscal, período que coincidiu com grande parte da temporada alta de verão, apesar de o número de passageiros ter crescido 5% nessa fase, chegando a 64,5 milhões.
O’Leary explicou que a receita com passagens aéreas cresceu apenas 1% entre abril e setembro, totalizando 7.000 milhões de euros, uma vez que o aumento no volume de passageiros foi compensado pela redução das tarifas.
O’Leary atribuiu a debilidade das tarifas à incerteza dos consumidores quanto ao conflito no Médio Oriente e ao atraso na realização de reservas.
Nesse contexto, afirmou que a Ryanair já garantiu 80% das suas necessidades de combustível para o ano fiscal de 2027, a um preço aproximado de 67 dólares por barril, e assegurou 25% do volume previsto para 2028 a cerca de 95 dólares por barril.
A companhia aérea, líder na Europa em volume de passageiros, anunciou também um dividendo provisório de 0,273 euros por ação — a ser pago no final de fevereiro de 2027 — e um novo programa de recompra de ações no valor de 800 milhões de euros, com início previsto para o mesmo mês.
Quanto às perspetivas futuras, O’Leary reduziu a previsão de tráfego para o atual ano fiscal, que terminará em março de 2027, ao antecipar que transportará 214 milhões de passageiros, face aos 216 milhões inicialmente estimados , o que representará um crescimento de apenas 3%.
Para o próximo exercício, a companhia prevê superar a marca de 220 milhões de passageiros anuais, apoiada na incorporação de 16 novas aeronaves Boeing MAX-10 a partir da primavera de 2027.
Michael O’Leary alertou, contudo, que o aumento do preço do combustível poderá elevar em cerca de 2.000 milhões de euros a sua conta com energia no exercício de 2028, caso o conflito no Médio Oriente persista.
A esse respeito, lembrou que a companhia aérea está rever os seus custos — especialmente os acordos com aeroportos e os acordos laborais —, ao mesmo tempo que avança no desenvolvimento de inteligência artificial para melhorar a produtividade.
O Nikkei, principal índice da Bolsa de Tóquio, registou hoje uma queda de 0,33%, prejudicado pela queda da fabricante de memórias Kioxia, que divulgou previsões abaixo das expectativas, e pela cautela dos investidores face às eleições norte-americanas.
O indicador, que agrupa os 225 títulos mais representativos do mercado japonês, perdeu 208,25 pontos, situando-se em 63.081,86 unidades no fecho das negociações.
O índice mais abrangente, o Topix, que inclui as empresas do segmento principal — as de maior capitalização —, registou uma queda de 0,88%, ou 34,79 pontos, fechando nos 3.930,28 pontos.
A queda das ações da Kioxia marcou o dia na bolsa nipónica. A empresa de chips divulgou os seus resultados trimestrais na passada sexta-feira, após o fecho da Bolsa de Tóquio, e as suas previsões de lucro para o trimestre de outubro a dezembro ficaram aquém das estimativas do mercado, contribuindo para as dúvidas sobre o setor da inteligência artificial (IA).
Na sessão de hoje, o fabricante de memórias desvalorizou-se 15,78%, arrastando todo o mercado para baixo.
Já outras empresas do setor dos semicondutores, como a Tokyo Electron (5,16%) ou a Disco (1,41%), encerraram em alta, num contexto em que os investidores procuravam oportunidades de compra após as fortes quedas da sessão anterior.
A Fujikura, que fabrica cabos elétricos para centros de dados e tem beneficiado do entusiasmo em torno da IA, registou uma descida de 0,46%.
No setor automóvel, o principal fabricante japonês de veículos, a Toyota, registou uma descida de 0,62%, e a rival Nissan perdeu 1,54%, embora a Honda tenha conseguido subir 0,7%.
Além disso, a Sony, referência no setor da eletrónica e do entretenimento, registou um crescimento de 0,2%, e a Fast Retailing, empresa-mãe da popular cadeia de lojas de vestuário Uniqlo, subiu 0,03%.
A bolsa de Lisboa abriu a sessão em terreno negativo, com uma descida de 0,18% para 9.259,56 pontos.
A Ibersol lidera as perdas, com uma descida de 2,12% para 10,18 euros, seguida da Galp, que perde 1,30% para 20,51 euros. A EDP Renováveis derrapa 1,03% para 12,50 euros, a Altri desliza 0,92% para 4,295 euros e a Jerónimo Martins recua 0,33% para 18,40 euros.
Em contraciclo, a Teixeira Duarte ganha 0,60%, para 0,4220 euros, a Corticeira Amorim aumenta 0,44% para 6,89 euros e a REN avança 0,14% para 3,610 euros.
As principais praças europeias negoceiam em terreno misto, com o DAX a descer 0,05% para 25.899,50 pontos, o CAC40 recua 0,04% para 7.966,52 pontos e o Ibex35 aumenta 0,53% para 18.752,00 pontos.
No mercado do petróleo o texano WTI tomba 3,30%, fixando o preço do barril nos 100,68 dólares e o Brent perde 2,81% para 110,24 dólares. O gás natural recua 0,10% para 2,895 dólares.
No mercado cambial o euro aprecia 0,35% face ao dólar, fixando-se nos 1,1199 dólares.
A Rússia e a Ucrânia perpetraram esta madrugada ataques mútuos de ‘hackers’ contra os respetivos sistemas de alerta à população, noticiaram hoje meios de comunicação social e as redes sociais de ambos os países.
A aplicação móvel do Ministério das Emergências da Rússia sofreu um ciberataque e os utilizadores receberam notificações sobre “ogivas nucleares” lançadas contra todas as regiões do país, indicou o meio de comunicação independente russo Meduza.
O Ministério das Emergências confirmou o ataque e salientou que “os criminosos conseguiram enviar mensagens em massa com informações falsas à população”, embora tenha indicado que o sistema de alerta geral não foi afetado.
O canal independente russo no Telegram, Astra, indicou que também foi atacado o fornecedor russo de alojamento de ‘sites’ Beget, um dos maiores do país, cuja infraestrutura garante o funcionamento de mais de 700 mil domínios ativos no segmento russo da Internet.
De acordo com o portal Down Detector, que informa sobre falhas de acesso a recursos na rede, foram registadas inúmeras queixas relativas ao funcionamento de recursos alojados na Beget.
Na Ucrânia, por sua vez, foi pirateada a aplicação móvel de alerta aéreo, que enviou mensagens sobre o perigo de radiação e ataques químicos, além da ameaça de combates urbanos.
Na aplicação também apareceu uma mensagem em russo que dizia: “Saudações! Em toda a Ucrânia haverá agora um alerta nuclear. Não se preocupem, foi lançado um [míssil balístico] Oreshnik!”
A Força Aérea da Ucrânia publicou na plataforma Telegram uma mensagem em que reconhecia que “a aplicação Air Alert foi, provavelmente, comprometida”.
“Não há risco de radiação! Mantenham a calma e acompanhem as nossas mensagens no nosso canal”, acrescentou.
A própria aplicação indicou na mesma rede de mensagens que “terceiros realizaram uma intrusão não autorizada no funcionamento da aplicação”. “Desativámos as notificações ‘push’ e suspendemos temporariamente o seu funcionamento”, alertou.
Afirmou ainda que “a aplicação não armazena dados pessoais, pelo que não existe qualquer risco para os utilizadores”. “Pedimos-vos que, em caso algum, carreguem em links de notificações suspeitas. A nossa equipa está a trabalhar para restabelecer o funcionamento da aplicação. Pedimos desculpa pelo transtorno”, notou.
Um dia antes, um grupo de ‘hackers’ bielorrussos afirmou ter invadido os servidores do Serviço Federal de Estatística da Rússia, o Rosstat, comprometendo cerca de 25 mil computadores e apropriando-se de 23 terabytes de informação sensível, incluindo as baixas russas na guerra na Ucrânia.
O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica iraniano anunciou que mais dois petroleiros colidiram com minas navais no Estreito de Ormuz, enquanto o Irão os Estados Unidos mantêm negociações indiretas através do Qatar para pôr fim ao conflito.
“Dois petroleiros infratores explodiram após colidirem com minas navais numa rota não autorizada do Estreito de Ormuz”, informou no final do domingo o IRGC (na sigla em inglês), segundo a agência Tasnim, associada a este corpo militar de elite.
A força militar indicou que uma dessas embarcações era um superpetroleiro que “sofreu uma forte explosão e encontra-se em chamas”.
O IRGC não especificou as bandeiras dos navios, nem informou sobre eventuais vítimas ou a magnitude dos danos.
“Estes petroleiros tinham desligado os sistemas de navegação e identificação e pretendiam atravessar clandestinamente o Estreito de Ormuz por uma rota não autorizada, com o apoio do Exército terrorista norte-americano, mas, após este incidente, ficaram imobilizados no local”, relatou a força militar.
Nas últimas três semanas, o Irão registou cerca de 30 incidentes envolvendo navios, dos quais, pelo menos, 20 relacionados com minas navais, e afirmou que mantém sob controlo a passagem marítima estratégica.
O incidente ocorrido no final de domingo ocorre num momento em que Teerão e Washington intensificaram as negociações para pôr fim à guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão no passado dia 28 de fevereiro.
Este domingo, o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Aragchi, afirmou que Teerão está a trabalhar com Doha, sem negociar diretamente com Washington, num plano de paz que pode permitir a reabertura do Estreito de Ormuz em dois dias, cujo controlo é disputado pelo Irão e pelos Estados Unidos desde o início do conflito.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, pelo seu lado, ameaçou no domingo lançar novos ataques contra o Irão, durante um comício em Iowa (centro), antes das eleições legislativas intercalares desta terça-feira.
No mesmo dia, meios de comunicação norte-americanos noticiaram que Trump abordou com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a possibilidade de retomar os bombardeamentos.
No sábado, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos ainda tinham de “tratar” de um ou dois alvos no Irão, nomeadamente a Montanha Kolang, suspeita de albergar um complexo nuclear.
“Neutralizámos as suas capacidades nucleares. Ainda nos resta tratar, diria eu, de um ou dois locais, mas podemos fazer isso em dez minutos”, declarou Trump aos jornalistas na sua residência na Flórida.
Numa reação a uma sucessão de ameaças semelhantes, o guia supremo iraniano, aiatola Mojtaba Khamenei, advertiu também no sábado os Estados Unidos contra novos ataques.
“Se os inimigos voltarem a lançar ataques militares ou terroristas, serão as forças armadas da República Islâmica e o povo iraniano que determinarão o momento e as condições do fim” da guerra, sublinhou um comunicado atribuído a Khamenei e publicado na plataforma de mensagens Telegram.
Os Estados Unidos mantêm o bloqueio naval na região e intensificaram as sanções contra o Irão, ao qual ameaçam com novos ataques caso Teerão não aceite as de Washington exigências através de um acordo.
A República Islâmica exige o cumprimento das próprias condições e assegura estar preparada para se defender, face ao risco crescente de uma nova escalada militar.
O Presidente da Coreia do Sul indicou hoje que o país vai incluir um investimento recorde de 21,3 biliões de wons (14,3 mil milhões de euros) em inteligência artificial (IA) e semicondutores no orçamento para 2027.
“Vamos disponibilizar 21,3 biliões de wons aos semicondutores, à IA física e aos centros de dados de IA (…) quase o dobro do montante deste ano”, declarou Lee Jae-myung num discurso perante o Parlamento.
O Presidente sul-coreano especificou que o Governo investirá 4,7 biliões de wons (3,16 mil milhões de euros) para apoiar “projetos de desenvolvimento de IA de ponta, com o objetivo de alcançar um desempenho de nível mundial para o nosso próprio modelo de IA, um ativo estratégico nacional”.
A proposta foi apresentada durante um discurso dedicado aos planos de despesa do Governo para 2027.
No total, o projeto de orçamento ascende a 821 biliões de wons (551,2 mil milhões de euros), representando um aumento de 12,8% em relação ao orçamento de 2026, o que faz dele o maior orçamento alguma vez proposto no país.
Lee terá agora de obter a aprovação do projeto pela Assembleia Nacional, algo que deverá acontecer tendo em conta a maioria parlamentar detida pelo seu partido.
Relativamente ao orçamento da defesa, o Presidente sul-coreano de centro-esquerda indicou que o Governo pretende aumentar a despesa em 8,2% face a este ano, para 73,3 biliões de wons (49,2 mil milhões de euros).
O Executivo procurará reforçar as suas capacidades com submarinos de propulsão nuclear e caças KF-21, além de “transformar rapidamente” as “forças armadas numa força de elite inteligente através da implementação de sistemas integrados, tripulados e não tripulados, baseados em IA, robótica e drones”, acrescentou Lee.
A Coreia do Sul já se tinha comprometido este ano a triplicar os gastos em inteligência artificial, com o objetivo de se juntar aos Estados Unidos e à China entre as principais potências mundiais neste setor.
Duas empresas sul-coreanas, a Samsung Electronics e a SK hynix, figuram entre as líderes mundiais na produção de chips de memória avançados, componentes essenciais para o funcionamento dos sistemas de inteligência artificial.