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O BPI registou lucros de 363 milhões de euros até setembro, o que traduz uma queda de 7% (-26 milhões) face a setembro de 2025. A descida é explicada por dois efeitos não recorrentes: em 2025, o banco tinha registado um ganho de 18 milhões de euros com a reversão de contribuições do Adicional de Solidariedade sobre o Setor Bancário pagas em anos anteriores. Em junho deste ano, a reclassificação contabilística da participação no BCI, de empresa associada para ativo ao justo valor através de outro rendimento integral, teve um impacto negativo de 35 milhões de euros.
A atividade em Portugal contribuiu com 344 milhões, menos 5% do que no mesmo período do ano anterior. A rentabilidade medida pelo ROTE recorrente e em Portugal ascendeu a 14,9%.
Excluindo o one-off do Adicional de Solidariedade, o BPI diz que o resultado recorrente se mantém estável, com 344,7 milhões de euros, contra 362 milhões em setembro de 2025. As participações em África e Moçambique pesaram menos: o BFA e o BCI contribuíram com 20 milhões de euros, face a 28 milhões há um ano. O BFA somou 46 milhões (+7%) e o BCI teve um contributo negativo de 26 milhões, contra -15 milhões em 2025.
No fim de junho de 2026 a participação do BPI no moçambicano BPI (35,7%) foi reclassificada, passando de “empresa associada”, reconhecida assim por equivalência patrimonial, para “ações ao justo valor através de outro rendimento integral”. Esta reclassificação gerou um impacto negativo de 35 milhões de euros no contributo da participação. O BCI teve lucros de 19 milhões de euros (acima dos 17 milhões um ano antes)
A rentabilidade dos capitais próprios tangíveis (ROTE) recorrente em Portugal desceu para 14,9% nos últimos 12 meses, de 16,4% um ano antes. O ROE do banco ficou em 11,6%, contra 13,0% em setembro de 2025.
Margem recupera no terceiro trimestre
A margem financeira subiu 1%, para 665 milhões de euros. O banco atribui a recuperação ao terceiro trimestre, em que a margem atingiu 232 milhões de euros, contra 216 milhões nos dois trimestres anteriores, por efeito da subida das taxas de mercado. A Euribor a 12 meses média subiu de 2,3% no primeiro trimestre para 3,0% no terceiro.
As comissões líquidas aumentaram 8%, para 244 milhões de euros, o que o BPI associa ao crescimento do negócio. Os resultados em operações financeiras avançaram 35%, para 15,5 milhões de euros. Em sentido contrário, os rendimentos e encargos operacionais pioraram para -19,6 milhões de euros, de -2,8 milhões. O produto bancário ascendeu a 926 milhões de euros, mais 1%, o que o banco justifica sobretudo com o efeito extraordinário de 2025.
Custos sobem 5% com renovação do quadro
Os custos de estrutura recorrentes cresceram 5%, para 403,5 milhões de euros. Os custos com pessoal aumentaram 10%, para 210,3 milhões, enquanto os gastos gerais administrativos ficaram estáveis em 140,6 milhões e as amortizações subiram 4%, para 52,6 milhões.
O banco justifica a evolução com a “renovação de talento”: o número de colaboradores aumentou em 220 num ano, para 4.650, e foram contratados 227 jovens até setembro. O rácio de eficiência (cost-to-income) em Portugal fixou-se em 43% nos últimos 12 meses, três pontos percentuais acima dos 40% de há um ano. O resultado operacional recuou 2%, para 521,2 milhões de euros.
Custo do risco sobe, mas continua baixo
As imparidades de crédito líquidas de recuperações totalizaram 48 milhões de euros, mais 66% do que em 2025. O custo do risco subiu para 0,13% da carteira nos últimos 12 meses, de 0,09% há um ano. O BPI mantém ainda 70 milhões de euros de imparidades não alocadas no balanço.
O rácio de exposições não produtivas (NPE, critérios EBA) ficou em 1,3%, face a 1,2% em setembro de 2025, com o stock de NPE a subir de 487 milhões para 565 milhões de euros. A cobertura por imparidades e colaterais desceu para 134%, de 146%. O rácio de NPL situa-se em 1,5%, com cobertura de 140%. O banco descreve a qualidade dos ativos como estando “em máximos históricos”.
Crédito cresce 9% com saldo de Crédito Habitação Jovem com garantia pública chegou aos 2,1 mil milhões
A carteira de crédito a clientes (bruto) subiu 9% (+3,1 mil milhões de euros), para 35,6 mil milhões. O crédito à habitação aumentou 12% num ano (9% desde o início do ano), para 18,6 mil milhões, e a contratação de novo crédito para compra de casa atingiu 2,9 mil milhões de euros entre janeiro e setembro, com uma quota de 13,1% na produção até agosto.
O saldo de Crédito Habitação Jovem com garantia pública chegou aos 2,1 mil milhões de euros, em cerca de 9,7 mil contratos.
“Desde o início do ano, ajudámos milhares de jovens a ter casa própria, financiámos mais empresas nos seus projetos de crescimento e registámos uma evolução positiva na captação de poupanças e investimentos das famílias”, disse o CEO na apresentação de resultados.
O CEO do BPI considera o tema da habitação crítico para o país e lembra que foi o primeiro a falar do tema em 2022, tendo inclusive testado essa afirmação no ChatGPT.
João Pedro Oliveira e Costa defende que a solução passa por mais construção e diz que não acredita muito na reabilitação, por questões técnicas e de custo. O banqueiro defende a industrialização da construção como solução.
“Os bancos não são a parte principal da equação”, disse sublinhando a urgência de resolver o problema da habitação.
O crédito a empresas cresceu 10%, para 13,3 mil milhões de euros, com as PME a subirem 10% (7,1 mil milhões) e as grandes empresas 9% (6,1 mil milhões). A carteira do setor público recuou 2%, para 2,3 mil milhões.
Os recursos totais de clientes aumentaram 7% (+3 mil milhões de euros), para 45,6 mil milhões. Os depósitos subiram 4%, para 33,3 mil milhões, e os recursos fora de balanço, que incluem fundos de investimento e seguros de capitalização, avançaram 17%, para 12,3 mil milhões. A quota de mercado nos depósitos, de 10,3% em agosto, perdeu 0,3 pontos percentuais num ano, enquanto nos recursos fora de balanço subiu 0,8 pontos, para 14,6%.
Rácios de capital acima dos requisitos
No final de setembro, o rácio de capital CET1 era de 13,8%, abaixo dos 14,3% de um ano antes e dos 14,0% de dezembro. O Tier 1 situava-se em 15,1% e o rácio de capital total em 17,1%. O rácio de alavancagem ficou em 7,0%. A folga face aos requisitos mínimos (buffer MDA) é de 2,5 pontos percentuais. O requisito de CET1 para 2026 é de 10,2%. O rácio MREL é de 29,1% dos ativos ponderados pelo risco, acima do requisito de 26,6%, e de 13,5% da exposição de leverage, contra um requisito de 5,9%.
Na liquidez, o LCR fixou-se em 157% (175% em setembro de 2025) e o NSFR em 140%. O rácio de transformação de depósitos em crédito subiu para 105%, de 98%.
Venda do BFA
O BPI acordou a 3 de setembro vender a participação de 33,35% no BFA à Congolian Financial Services Angola. O preço é composto por uma tranche fixa de 345 milhões de euros na data da transação, outra de 43,5 milhões em maio de 2027 e uma componente variável de 50% do dividendo de 2026 atribuível à participação. A operação depende de quatro condições suspensivas, entre elas a autorização do Banco Nacional de Angola e o não exercício pela Unitel do direito de preferência. A participação foi reclassificada em setembro para ativos não correntes detidos para venda, sem impacto nos resultados.
“O BPI continua a apresentar resultados sólidos, assentes num crescimento consistente do volume de negócios”, afirmou João Pedro Oliveira e Costa, presidente executivo do banco. O CEO sublinhou que, desde o início do ano, o banco ajudou “milhares de jovens a ter casa própria” e financiou “mais empresas nos seus projetos de crescimento”, além de ter registado “uma evolução positiva na captação de poupanças e investimentos das famílias”.
No plano interno, acrescentou, “continuamos a investir no futuro, com a contratação de mais talento e a formação de todo o quadro de pessoal, nomeadamente na área da inteligência artificial”.
O BPI está a formar todos os seus Colaboradores em Inteligência Artificial (IA), no âmbito do programa AI Dive, desenvolvido em parceria com a 42 Portugal.
O BPI mantém a sua trajetória de crescimento na Banca Digital, registando atualmente 1 milhão de utilizadores regulares nos seus canais online. O grande motor deste desempenho é o canal mobile, que conta com 853 mil utilizadores ativos — um aumento homólogo de 36 mil utilizadores —, o que significa que 95% dos clientes digitais particulares utilizam ativamente a aplicação móvel do banco. Adicionalmente, a relevância comercial destas plataformas reflete-se no facto de 37% das vendas de produtos foco a particulares, tais como fundos, PPR, crédito pessoal, cartões e seguros, terem sido iniciadas por via digital (net e mobile) nos últimos 12 meses.
O CEO do BPI anunciou que no próximo mês irão apresentar uma nova app e um novo plano de contas para os clientes. Neste contexto, o BPI prepara-se para lançar este mês uma nova conta sem custos de manutenção.
“Relativamente aos planos de conta, toda a gente tem acesso aos planos de conta zero (…). O que nós não queremos é que as pessoas NÃO deixem de experimentar o BPI ou NÃO deixem de ter uma conta do BPI simplesmente por causa dessa razão e por isso é que temos este tema da conta do plano zero”, disse o banqueiro.
Auditorias ao setor extrativo moçambicano resultaram no apuramento de 137,4 milhões de euros até setembro, num período marcado pelo reforço da fiscalização e crescimento das receitas, anunciou esta segunda-feira, 2 de novembro, a Autoridade Tributária (AT).
Em comunicado sobre as atividades realizadas entre janeiro e 30 de setembro de 2026 no setor extrativo, a AT destaca resultados na fiscalização, arrecadação de receitas e acompanhamento das operações mineiras e petrolíferas, referindo que as auditorias efetuadas a empresas daquele setor permitiram apurar cerca de 10,2 mil milhões de meticais (137,4 milhões de euros).
Acrescenta que este trabalho contou com o apoio de consultores do Projeto de Tributação Eficiente para o Desenvolvimento Inclusivo (TEDI) e do Fórum das Administrações Fiscais Africanas (ATAF).
Em termos fiscais, o “apuramento” corresponde ao montante que a administração tributária conclui estar em causa após auditorias e ações de inspeção, na sequência da análise das declarações, operações e registos das empresas.
No domínio da arrecadação, a AT refere que as receitas provenientes dos megaprojetos atingiram 14 mil milhões de meticais (189,1 milhões de euros), dos quais 2,5 mil milhões de meticais (34,5 milhões de euros) tiveram origem no setor mineiro e 11,4 mil milhões de meticais (154,5 milhões de euros) no setor petrolífero.
De acordo com o comunicado, a receita registou um crescimento de 84% face ao período homólogo, evolução impulsionada, “sobretudo, pelo desempenho do setor petrolífero”.
A instituição assinala igualmente um aumento de 103% nos impostos específicos do setor extrativo em comparação com o mesmo período do ano anterior, sendo que o setor mineiro contribuiu com cerca de 86% da receita e o petrolífero com os restantes 14%.
No âmbito das ações de controlo, a AT realizou visitas de monitoria a 30 projetos localizados nas províncias de Cabo Delgado, Niassa, Nampula e Manica, uma iniciativa que permitiu, segundo o comunicado, “o acompanhamento das operações desenvolvidas pelas empresas dos setores mineiro e petrolífero e o reforço da capacidade de fiscalização no terreno”.
Na componente de acompanhamento e enquadramento fiscal, a AT apurou mais-valias de 282,53 milhões de meticais (3,8 milhões de euros) e 1,3 milhões de dólares (1,1 milhões de euros) resultantes de operações de transmissão de participações envolvendo ativos mineiros e petrolíferos.
A AT acrescenta ter acompanhado três leilões internacionais de rubis, realizados entre janeiro e julho deste ano, que geraram uma receita global de 83,73 milhões de dólares (71,8 milhões de euros) e um Imposto sobre a Produção Mineira (IPM) de 8,07 milhões de dólares (6,9 milhões de euros).
No comunicado, a AT destaca o reforço das ações de capacitação interna, através da promoção de formações em matérias ligadas ao setor extrativo, desenvolvimento de estudos especializados, participação na revisão da legislação tributária e realização de workshops destinados aos diferentes setores da instituição, com o objetivo de “melhorar a qualidade da fiscalização e da gestão do risco fiscal”.
O Governo apelou hoje ao “diálogo” com o PS e o Chega para chegarem a acordo para a segunda fase de privatização da TAP.
“É preciso olharmos para o futuro e para a oportunidade que esta operação nos coloca. Tanto o PS como o Chega, temos que olhar para o que foi a proposta dos dois concorrentes. Olharmos e percebermos se Portugal estrategicamente ganha ou não, do nosso ponto de vista é que sim, para avançarmos para uma segunda fase”, começou por dizer o ministro das Infraestruturas esta segunda-feira, 2 de novembro, no Parlamento.
“Nós, com toda a humildade de Governo de maioria relativa, estaremos sempre disponíveis para esse diálogo”, acrescentou Miguel Pinto Luz.
“Faremos a assinatura do contrato brevemente. Entraremos em processo com a Direção-Geral de Concorrência Europeia para os remédios que forem exigidos para esta operação, que permitirá um encaixe de 1,2 mil milhões de euros numa primeira fase. Estimamos que o ‘closing’ da operação seja mais rápido do que no passado”, segundo o governante.
O Governo vai assinar o acordo de venda da TAP à Lufthansa amanhã, terça-feira, 2 de novembro.
A cerimónia de assinatura do acordo de venda direta da alienação parcial do capital da TAP à Lufthansa vai ter lugar na terça-feira à tarde.
O ministro das Infraestruturas Miguel Pinto Luz tinha anunciado que esperava fechar o acordo até ao final deste ano.
Para já, está prevista a venda de 44,9% à Lufthansa. O processo de venda de 5% aos trabalhadores só terá lugar em 2027; o que não for vendido neste processo, será comprado pela Lufthansa.
O Estado vai receber em dinheiro 1.201 milhões de euros decorrentes da venda de 49,9% da TAP. Depois, a venda dos restantes 50,1% deverá render mais 863 milhões de euros também em ‘cash’.
Mas a segunda fase da privatização pressupõe a troca de ações, com o Estado português a receber ações da Lufthansa. Nas contas do Governo, isto vai colocar o Estado como o segundo maior acionista da companhia aérea alemã, com 5% do capital, apenas atrás da Fundação Kühne, que conta com 20%.
Ora, sendo acionista do Grupo Lufthansa, o Estado prevê receber um total de 1.400 milhões de euros em ações, mais dividendos acumulados do grupo alemão até 2040. Feitas as contas, o Estado português pode encaixar 19,8 milhões de euros por ano em dividendos, ao valor atual da remuneração acionista, de 0,33 euros. São quase 200 milhões de euros no espaço de 10 anos.
Nas contas do Governo, é assumido um ‘dividend yield’ de 3,9% para uma ação cotada a 8,8 euros, o que dá um dividendo anual de 0,3432 euros por ação. Contas feitas, são 20,6 milhões de euros em dividendos pela fatia de 5%.
O Governo assume na sua apresentação que a sua estimativa está “dependente da performance e cotação da empresa”. Tendo em conta o preço-alvo da ação assumido pelo Governo de 8,8 euros, isto significa que a posição de 5% vai valer 528 milhões de euros.
Recuperação de todo o custo económico da TAP só em 2044
Há mais custos da TAP para além do valor injetado pelo Estado português na companhia aérea. Os contribuintes portugueses vão recuperar todo o dinheiro injetado na TAP até 2040: foi esta a promessa feita pelo Governo quando anunciou a venda de 44,9% da companhia à Lufthansa.
Mas, além da injeção do dinheiro público, há mais contas a fazer em relação ao dinheiro público no que toca à TAP. São custos subjacentes, nem sempre claros quando chega a hora de fazer contas.
É que, além dos mais de 3,2 mil milhões de euros injetados na companhia aérea diretamente dos cofres públicos, existem mais de 268 milhões de euros em juros e custo económico.
Tudo junto, dá um total de 3.586 milhões de euros, segundo uma estimativa do analista financeiro Nuno Barradas Esteves que teve por base as estimativas do Governo em termos de encaixe com a venda total da TAP e também os dividendos e valorização da ação da Lufthansa, previstos na segunda fase com a troca de ações.
“Com o custo económico do capital a acumular, os 3.528 milhões só ficam saldados em 2044, depois do horizonte do Governo; em 2040 ainda faltam 283 milhões”, de acordo com a análise de Nuno Barradas Esteves, que estima que o valor nominal (3.260 milhões) seja devolvido em 2038.
O especialista destaca que reembolsar os 3.260,1 milhões nominais “não equivale a recuperar o custo económico total”, referindo-se aos 3.528 milhões. “Os recebimentos têm de permitir recuperar também os 268,5 milhões de custos de financiamento acumulados e compensar o custo económico do capital, que continuará a acumular-se enquanto houver capital público investido na TAP”, defende.
“A recuperação do apoio público não pode ser medida apenas pelo valor nominal”, pois os custos de financiamento acumulados “continuarão a crescer enquanto o capital permanecer investido na empresa”, conclui.
Dos 268,5 milhões de euros adicionais, 58,5 milhões correspondem a “juros do empréstimo de emergência até dezembro de 2021. Os restantes 210 milhões correspondem ao custo económico do capital: o rendimento que os fundos aplicados na TAP poderiam ter gerado na tesouraria do Estado gerida pelo IGCP”, explica.
Para chegar aos 3.260 milhões de apoio nominal líquido, é preciso ter em conta os 1.200 milhões (37%) que correspondem ao empréstimo de emergência, mais 569 milhões (17%) relativos à indemnização Covid-19 e outros 1.516 milhões (46%) que dizem respeito aos aumentos de capital, menos o reembolso de auxílio estatal na ordem dos 25 milhões de euros. Já a indemnização Covid-19 está excluída do cálculo do custo económico do capital, por ter natureza indemnizatória, explica.
Nuno Barradas Esteves aponta que o custo económico do capital (210 milhões) é a “componente dominante” dos 268 milhões, superando os 58 milhões de juros do empréstimo. “Este custo representa o retorno que o capital público investido na TAP (incluindo os aumentos realizados entre dezembro de 2021 e janeiro de 2025) poderia ter gerado para o Estado através da gestão de tesouraria do IGCP”.
E deixa outro aviso à navegação: os 268,5 milhões de custos de financiamento acumulados “continuarão a crescer enquanto o capital permanecer investido na empresa”.
O Governo anunciou a 14 de outubro que prevê receber quase 3,5 mil milhões de euros até 2040 relativo à Lufthansa, permitindo devolver a totalidade da injeção pública, com base no dinheiro recebido pela venda total da TAP, mas também nos 1.400 milhões de euros previstos com dividendos e valorização da ação.
De acordo com os indicadores divulgados pela Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN), o Índice do Nível de Atividade recuou 3,7% em setembro, refletindo um agravamento da evolução negativa do setor. Já o Índice da Carteira de Encomendas registou uma ligeira descida de 0,1%, depois de ter apresentado um crescimento homólogo de 2,9% em agosto.
Apesar deste comportamento, a produção contratada apresentou uma ligeira recuperação. Em setembro, as empresas de reabilitação urbana tinham assegurados, em média, 9,5 meses de atividade futura, acima dos 9,4 meses registados no mesmo mês de 2025.
No licenciamento, os números também confirmam o abrandamento. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), até agosto foram licenciadas 3.744 obras de reabilitação, menos 14,4% do que no período homólogo.
A quebra abrangeu tanto o segmento residencial como o não residencial. Nos edifícios destinados à habitação, foram licenciadas 2.350 intervenções, menos 10,6% do que nos primeiros oito meses de 2025. Já no segmento não residencial, o número de licenças fixou-se em 1.394, traduzindo uma redução mais acentuada, de 20,1%.
Os dados mostram, assim, uma contração transversal ao mercado da reabilitação, com a componente não residencial a apresentar o maior recuo no licenciamento.
A AICCOPN ressalva, contudo, que os números do licenciamento não representam a totalidade da atividade do setor. Os dados do INE abrangem apenas as operações sujeitas a controlo prévio municipal, deixando de fora diversas intervenções, nomeadamente obras de conservação e determinadas alterações no interior dos edifícios, que estão dispensadas desses procedimentos.
Deste modo, a evolução do licenciamento deve ser interpretada com esta limitação em conta, embora os indicadores de atividade e de carteira de encomendas apontem igualmente para um contexto menos favorável para as empresas de reabilitação urbana.
O Tribunal Administrativo de Lisboa considerou, no domingo, que o limite das 00:30 para manifestações não é “absoluto e automático”, autorizando uma manifestante a permanecer de madrugada no Rossio, em Lisboa, com uma tenda.
Segundo a sentença, a que a Lusa teve hoje acesso, o protesto poderá manter-se até 24 de novembro de 2026, data prevista para a votação final do Orçamento do Estado para 2027, incluindo entre as 00:30 e as 06:30, e terá de ser articulado com o Mercado de Natal programado para a Praça D. Pedro IV, vulgarmente designada de Rossio.
A decisão decorre de uma intimação para proteção de direitos, libertados e garantias intentada por uma manifestante, Renata Cambra, contra o Ministério da Administração Interna e o Município de Lisboa e, no processo, não foi apreciada “a legalidade de uma ocupação coletiva” do Rossio nem o reconhecimento de um direito geral de montar “tendas em espaço público por um número indeterminado de participantes”.
As eleições de meio do mandato (midterm) norte-americanas estão a influenciar os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, que apresentam variações mistas no dia anterior às eleições.
A 3 de novembro os norte-americanos voltam às urnas para as midterm, contudo esta semana também vai ser intensa pela divulgação de dados económicos importantes e dos resultados empresariais.
Esta aproximação das eleições já fez com que o rendimento do título do Tesouro de 10 anos recua-se um ponto base, para 4,914%. Já o rendimento do título a 30 anos caiu para cerca de dois pontos base, para 5,284%. Em contraciclo, o título a dois anos subiu um ponto base, chegando aos 4,589%.
Esta segunda-feira também está a ser marcada por uma queda no preço do petróleo, depois do secretário de estado norte-americano ter revelado que Trump queria terminar o conflito com o Irão de forma “diplomática”.
Segundo a “CNBC”, este ano houve uma forte correlação entre o preço do petróleo e o rendimento dos títulos públicos, contudo esta tendência perdeu força em outubro à medida que o foco dos investidores passou para o setor tecnológico, nomeadamente de inteligência artificial (IA).