Funchal suspende por seis meses emissão de novas licenças de Alojamento Local

A autarquia salientou que se trata de uma medida "provisória, preventiva e proporcional" que tem como um dos principais propósitos "travar a tendência crescente" de registos de Alojamento Local, "responsável por fenómenos de saturação e pressão em determinadas zonas da cidade" do Funchal.

Funchal suspende por seis meses emissão de novas licenças de Alojamento Local
cristina_pedra (1)

A presidente da Câmara Municipal do Funchal, Cristina Pedra, anunciou, na quinta-feira, a suspensão provisória, por seis meses, da emissão de novas licenças de Alojamento Local (AL) no concelho.

A autarquia salientou que se trata de uma medida “provisória, preventiva e proporcional” que tem como um dos principais propósitos “travar a tendência crescente” de registos de AL, “responsável por fenómenos de saturação e pressão em determinadas zonas da cidade” do Funchal.

A medida deve vigorar até “estar concluído o Regulamento Municipal para o AL”, esclareceu o município.

A presidente da autarquia, Cristina Pedra, salientou que o Regulamento Municipal para o AL encontra-se em “fase de mapeamento e desenvolvimento”, e que o processo deve estar finalizado apenas na próxima vereação devido a prazos legais e ao tempo útil necessário.

“Trata-se de uma decisão responsável e necessária. Não estamos a revogar licenças já atribuídas, nem a eliminar o Alojamento Local. Estamos, sim, a garantir que esta atividade se desenvolva de forma equilibrada e regulada”, afirmou Cristina Pedra.

A autarca referiu que em 2025 estavam contabilizados 3.164 registos de Alojamento Local no Funchal, o equivalente a cerca de nove mil camas e seis mil quartos, com capacidade para acolher 15 mil hóspedes:

“Entre 2022 e 2025, verificou-se um crescimento de 182% no número de registos, o que reflete uma procura acentuada e contínua”, acrescentou Cristina Pedra, que disse ainda que a oferta de camas em AL já representa uma percentagem superior a 25% face à capacidade hoteleira do Funchal, “já por si limitada”.

A suspensão da emissão de licenças de Alojamento Local, referiu o município, “representa mais um passo na contenção da tendência, até que o futuro regulamento municipal defina, de forma clara e fundamentada, as zonas do Funchal que poderão continuar a acolher novas unidades de AL e aquelas que deverão ser sujeitas a contenção”.

A suspensão será reavaliada no final do período de seis meses, “podendo ser antecipada caso o regulamento esteja concluído antes do prazo previsto”, referiu a presidente da Câmara Municipal do Funchal.

“Cada zona tem a sua realidade. Há áreas saturadas e outras que ainda beneficiam com o Alojamento Local, nomeadamente em termos de requalificação urbana, turismo e economia local”, disse Cristina Pedra.

A suspensão entra em vigor em setembro e aplica-se a novos pedidos de licenciamento, “não afetando atividades legalmente estabelecidas nem retirando direitos adquiridos”, disse a Câmara do Funchal, que esclareceu também que “todos os pedidos atualmente em tramitação serão analisados e terão resposta”.

É ainda dito pelo município que a suspensão “exclui os pedidos relativos à modalidade de AL correspondente a moradias e quartos inseridos em moradias, mantendo-se, durante este período, a possibilidade de licenciamento desta tipologia de estabelecimentos”.

Cristina Pedra adiantou também que a decisão da autarquia de suspender a emissão de licenças de AL, por seis meses, “resulta da tendência crescente do Alojamento Local em toda a cidade, esclarecendo que o caso CORTEL foi apenas um fator de aceleração da medida agora tomada.

Relativamente ao caso CORTEL, a presidente da autarquia disse que “o processo de averiguações continua a decorrer” e que a Câmara Municipal assume o compromisso de “resolver a situação de forma célere e responsável”.

A 27 de julho a Coligação Confiança, que é oposição autárquica no Funchal, tinha dado conta que o empreendimento ‘Residências CORTEL’ contava com frações no exercício da atividade de Alojamento Local desde abril deste ano, com registo e atividade pública em plataformas digitais..

Na ocasião a Coligação Confiança acusou Cristina Pedra de estar a tentar de forma “desesperada branquear” as suas responsabilidades no “escândalo da transformação de habitação cooperativa a custos controlados em Alojamento Local”.

Relacionado

Paquete Funchal à venda: entre uma nova vida e a sucata

Paquete Funchal à venda: entre uma nova vida e a sucata

António Sarmento2 Out
O paquete Funchal foi lançado ao mar em 1961 e fez a última viagem a 2 de janeiro de 2015. Agora, no Cais da Pedra, em Santa Apolónia, o futuro do navio está novamente em aberto: vai a leilão à porta fechada no dia 9 de outubro e tem um valor base de licitação que começa nos 802 mil euros. Poderá ganhar uma nova vida ou terminar os dias num estaleiro de desmantelamento.
Sky Portugal: “A Madeira tem condições muito favoráveis para setor tecnológico”

Sky Portugal: “A Madeira tem condições muito favoráveis para setor tecnológico”

Ruben Pires17 Set
A partir do Funchal, Lisboa e Aveiro, saem soluções tecnológicas que chegam a milhões de pessoas nos Estados Unidos e Europa através das plataformas da Sky e da NBCUniversal. Em entrevista ao Jornal Económico (JE), o 'engineering manager' da Sky Portugal, Nuno Santos, destaca o papel de relevo que a Madeira possui na estratégia tecnológica da empresa, a ligação com a Universidade madeirense, e o que torna a Região Autónoma num local de relevo em termos tecnológicos.
Bruxelas propõe que alojamento local seja limitado na UE se agravar pressão na habitação

Bruxelas propõe que alojamento local seja limitado na UE se agravar pressão na habitação

Para Bruxelas, as restrições ao alojamento local não permitem, por si só, resolver as causas estruturais da escassez habitacional, pelo que a proposta equaciona limites quantitativos ou regras de transição, que deveriam ser acompanhados por medidas destinadas a aumentar a oferta, como construção e reabilitação de habitações e simplificação dos processos de licenciamento.
Bruxelas divulga hoje regras para alojamento local em zonas sob pressão habitacional

Bruxelas divulga hoje regras para alojamento local em zonas sob pressão habitacional

A proposta, aguardada há meses e integrada no Plano Europeu para a Habitação Acessível, pretende estabelecer critérios comuns para determinar quando uma zona enfrenta uma situação de “pressão habitacional” e em que condições podem ser adotadas medidas que afetem o alojamento de curta duração, segundo um rascunho ao qual a agência Lusa teve acesso.