Com o país a entrar há semanas em registo de caos instalados nas ruas das principais cidades, o presidente francês, Emmanuel Macron – que esteve em Bruxelas numa cimeira da União Europeia – disse aos órgãos de comunicação social ali presentes que está disposto a discutir com os sindicatos questões relacionadas com o trabalho.
Macron afirmou que quer debater o desgaste no trabalho, o fim da carreira e a sua progressão, a requalificação profissional, as condições de trabalho, as remunerações. “Estou à disposição dos sindicatos se eles quiserem”, disse. Quanto à questão da idade da reforma (o tema que mais uma vez lançou os franceses para a rua), “há um caminho democrático que deve continuar” com o esperado parecer do Conselho Constitucional, declarou o presidente.
O chefe de Estado referiu também que a agenda política não vai ficar prisioneira das ruas: “Continuamos a avançar, o país não pode ficar parado”. Mais uma vez, Macron condenou mais um dia de violência (quinta-feira). “Teremos a maior firmeza” contra os seus autores, alertou. Quanto às imagens de polícias a atacar manifestantes, “é sempre uma dificuldade quando há momentos de tensão muito elevada”precisando que têm sido passadas “mensagens muito claras” em termos de “respeito pela ética”.
“Vi sobretudo cenas em que muitos dos nossos polícias, os nossos agentes, foram alvo de ataques totalmente desproporcionados por parte de militantes extraordinariamente violentos e equipados”, acrescentou, para especificar que “não cederemos à violência”.
Uma das consequências das manifestações foi o cancelamento de uma visita do rei Carlos III de Inglaterra. Emmanuel Macron justifica o adiamento: “Não estaríamos a ser sérios e faltar-nos-ia um certo bom senso” se a França mantivesse a visita do rei britânico (de 26 a 29 de março), declarou. Até porque os sindicatos e outros movimentos civis marcaram um novo dia de mobilização contra a reforma da segurança social para 28 de março, terça-feira da próxima semana. “O que seria penoso seria se tentássemos manter [esta visita] como se nada tivesse acontecido”, afirmou.
Entretanto, a Direção-Geral da Aviação Civil francesa emitiu um comunicado em que pede às companhias aéreas que cancelassem pelo menos um em três voos previstos para domingo para o Aeroporto de Paris-Orly e um em cinco na segunda-feira, devido à greve dos controladores de tráfego aéreo. Esses cancelamentos preventivos terão afetado no domingo 20% dos voos para Lyon-Saint-Exupéry e Marseille-Provence (que também será afetado na segunda-feira).
Na cimeira de Bruxelas, onde Emmanuel Macron esteve, o grosso dos trabalhos segue na linha que já sendo a dos últimos encontros dos chefes de Estado dos 27: Ucrânia.