Desenvolvimento sustentável na indústria, inovação e infraestruturas “não está a ser eficaz”

Além da “demora no levantamento do designado ‘estado da arte’”, a auditoria do TdC diz que “persistem dificuldades, por parte das áreas governativas, em identificar os instrumentos de planeamento e as medidas com contributo relevante para este ODS”.

Desenvolvimento sustentável na indústria, inovação e infraestruturas “não está a ser eficaz”
Tribunal De Contas

A implementação em Portugal do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável na Indústria, Inovação e Infraestruturas (ODS 9) “não está a ser eficaz” e apresenta o pior nível de execução das metas e indicadores das Nações Unidas, alertou hoje o TdC.

Segundo um relatório de auditoria do Tribunal de Contas (TdC) destinado a avaliar a eficácia da implementação em Portugal do ODS, no âmbito da Agenda 2030 das Nações Unidas, esta “não está a ser eficaz e está longe de assegurar o desenvolvimento sustentável de Indústria, Inovação e Infraestruturas nacionais”.

A auditoria conclui que o ODS 9 “é o que regista o pior nível de execução das metas e indicadores da ONU”, tendo a sua implementação sido “marcada pela falta de clareza e de rigor sobre as responsabilidades das áreas governativas envolvidas e pela inexistência de uma coordenação efetiva”.

Além da “demora no levantamento do designado ‘estado da arte’”, a auditoria do TdC diz que “persistem dificuldades, por parte das áreas governativas, em identificar os instrumentos de planeamento e as medidas com contributo relevante para este ODS”.

O relatório revela ainda que “estão por definir, desde 2016”, as metas do ODS 9 que devem ser incorporadas nos processos, políticas e estratégias nacionais de planeamento e refere não existir “um quadro regulamentar nacional sobre o investimento para implementação dos ODS e que não são conhecidas as fontes de financiamento nem o valor financeiro envolvido na implementação em cada uma das metas do ODS 9”.

“Os indicadores são auxiliares e insuficientes para um acompanhamento efetivo da implementação do ODS 9”, lê-se no documento.

Para o TdC, daqui se conclui que “Portugal ainda não realizou a necessária apropriação do ODS 9 devido à falta de visão estratégica que o fundamente como prioridade nacional, à incapacidade em apresentar plano estratégico para o efeito, à falta de liderança efetiva e à insuficiente estrutura operacional, sem sistema de monitorização capaz de identificar e corrigir oportunamente as deficiências responsáveis pelos dececionantes resultados obtidos até 2024, face ao pretendido”.

Neste contexto, o TdC recomenda ao Governo que aprove um plano estratégico que “assegure a apropriação nacional” do ODS 9, com medidas adequadas e eficazes para atingir os seus objetivos (expressos em metas) e assegurar o financiamento necessário para a sua execução.

A Agenda 2030 foi adotada em setembro de 2015 e entrou em vigor a 01 de janeiro de 2016, tendo-se os 193 Estados membros signatários, entre os quais Portugal, comprometido a adotar, no prazo de 15 anos, medidas e ações específicas para atingir os ODS.

O ODS 9 integra a dimensão económica do plano de ação dos ODS e abrange três grandes áreas da economia nacional – Indústria, Inovação e Infraestruturas – sendo que, segundo o TdC, para o alcançar Portugal precisa, quer a nível nacional, quer no âmbito da cooperação internacional, de “construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação”.

Relacionado

Tribunal de Contas nega estar há dois anos a travar expansão da Linha Vermelha do Metro de Lisboa

Tribunal de Contas nega estar há dois anos a travar expansão da Linha Vermelha do Metro de Lisboa

Maria Teixeira Alves21 Out
Cristina Vaz Tomé, presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa, disse ontem no Parlamento que a expansão da Linha Vermelha ainda não avançou porque estão "há dois anos à espera que o Tribunal de Contas atribua o visto prévio para a fiscalização das obras", informação que o TdC considera "corrigir", naquele comunicado.
Reforma das finanças não deve enfraquecer fiscalização da despesa para proteger democracias, diz TdC

Reforma das finanças não deve enfraquecer fiscalização da despesa para proteger democracias, diz TdC

“Qualquer reforma do quadro legislativo destas instituições — e do próprio regime das finanças públicas substantivo — não deve resultar num enfraquecimento do controlo das finanças públicas, especificamente do controlo externo das finanças públicas“, afirmou Filipa Urbano Calvão, referindo-se ao papel do Tribunal de Contas português e do Tribunal de Contas Europeu (TCE).
Presidente do Tribunal de Contas admite recorrer ao Constitucional contra a reforma que acaba com o visto prévio

Presidente do Tribunal de Contas admite recorrer ao Constitucional contra a reforma que acaba com o visto prévio

Maria Teixeira Alves3 Out
Filipa Urbano Calvão diz que a instituição "não pode sair de cena" e quer poder travar obras que violem a lei. Sobre o fim do visto prévio, Filipa Urbano Calvão lembra que a "crença de que agilizando os procedimentos da Administração Pública vamos garantir a eficácia da prossecução do interesse público e das finanças públicas está por demonstrar".