Eduardo Teixeira, Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

Assimetrias mais iguais

Não precisamos de um pacote de medidas avulso, mas sim de um plano de ação sério e verdadeiro, concertado, com visão estratégica, mobilizador e catalisador da esperança.

As assimetrias regionais e a desigualdade de oportunidades não são um problema novo, mas têm vindo a crescer de uma forma galopante, impedindo o desenvolvimento económico e social do nosso país e agravando o fosso entre regiões.

Nas últimas décadas, aumentou de forma significativa a concentração de serviços e pessoas na faixa do litoral e, em particular, na grande metrópole de Lisboa. Atualmente, cerca de metade dos portugueses reside nas duas maiores áreas metropolitanas (Lisboa e Porto), e mais de dois terços da população na faixa costeira do litoral.

Paralelamente, a par de um contexto de despovoamento do território e do envelhecimento da população, o nível de desemprego cresce, colocando os municípios, sobretudo os municípios do interior, num cenário aflitivo, com vários indicadores económico-financeiros a corroborar esta situação e a dar conta do drama real que o país vive atualmente, e que as recentes crises pandémicas e inflacionárias agravaram mais.

O que precisamos para combater esta realidade não é de um pacote de medidas avulso, mas sim de um plano de ação sério e verdadeiro, concertado, com visão estratégica, mobilizador e catalisador da esperança. Já conhecemos os problemas, estão devidamente identificados e estudados, mas ainda não vimos vontade política, nos últimos anos, para a promoção de medidas profundas e radicais que consigam mudar de forma estrutural este cenário.

O tempo é de avançar para verdadeiras mudanças, de carácter duradouro, que permitam a coesão territorial, a redução de assimetrias regionais ao nível do PIB per capita e um acesso mais justo a oportunidades de trabalho, salário, habitação, infraestruturas e serviços públicos.

O contexto em que vivemos, altamente desafiador e nunca antes vivido, pelo menos nas nossas gerações, exige ação e empenho. Não é altura para virar as costas aos problemas, enfiar a cabeça na areia como a avestruz ou desistir da economia e das nossas empresas.

O problema conjuntural também é estrutural, pois a resiliência e a recuperação do nosso tecido empresarial não acontece só com planos públicos, antes com execuções que tardam e fazem desesperar as famílias e os cidadãos, agudizando, em vez de reduzir, as assimetrias nas classes profissionais, nos rendimentos, na distribuição da riqueza, no género e nos territórios.

O país precisa de alternativa forte e inspiradora para os cidadãos, que querem voltar a acreditar e a sonhar. Temos de juntar esforços e desmontar ilusões, avançando com novas ideias e ideais, para solucionar os problemas das pessoas e resgatar a economia nacional.

A profundidade e a amplitude das crises vividas exigem uma resposta sem precedentes em termos de robustez, prontidão e solidariedade, para a construção de um país mais seguro, competitivo e resiliente. Os fundos europeus que temos à disposição têm de ser bem aplicados e, por muitos estudos e planos estratégicos que se façam, apenas se expõe a triste realidade deste país assimétrico.

A verdade é que o pensamento dominante continua a desconsiderar e desfavorecer o interior, sem apostar numa política pública corretiva com enfoque no combate às assimetrias, com fundos estruturais públicos e de investimento. Pegue-se no exemplo de vida de Rui Nabeiro, para privilegiar estes territórios assimétricos e extremos que têm futuro e devem ser repovoados com investimentos e aposta pública.

A minha homenagem a tantos Empresários que persistem com este desígnio, como este Homem que esta semana nos deixou, mas cuja obra perdurará imortal. É hora de um País mais igual.

Relacionado

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Lufthansa irá arcar com eventuais remédios diretamente para entrar na TAP, afirma Governo

Respondendo a perguntas da líder parlamentar do PCP Paula Santos sobre a operação, Hugo Espírito Santo lembrou que “existe o compromisso de que o comprador irá arcar com os remédios regulatórios diretamente”, mas rejeitou especular sobre as condições e obrigações que o executivo comunitário possa vir a decidir enquanto guardião dos tratados europeus em matéria de concorrência.