Pedro Melo, Advogado

As críticas a Gouveia e Melo: que bom sinal!

Quantos políticos profissionais cometeram erros, alguns flagrantes, seja na Governação do país, seja na Presidência da República? De que lhes valeu, afinal, terem uma enorme experiência política?

Já aqui escrevi que sou um apoiante de Gouveia e Melo desde a primeira hora, por duas principais ordens de razões: é o único candidato independente – um dado objectivo –, o que releva em virtude de o Presidente da República ser o árbitro do sistema e, como se sabe, qualquer árbitro deve ser imparcial, isento, neutral; é uma pessoa carismática, que projecta confiança, credibilidade e liderança – um dado subjectivo –, o que é fundamental em qualquer posição de relevo e, por maioria de razão, num Chefe de Estado.

Mas hoje escrevo porque tenho assistido a um desfilar de comentadores a denegrir a imagem de Gouveia e Melo, esgrimindo argumentos sem a menor consistência, num lamentável exercício de hipocrisia e má fé.

Refiro-me apenas a duas dessas críticas descabeladas.

Uns alegam, com ar senatorial, que Gouveia e Melo faz lembrar Salazar que também era contra os partidos políticos. É verdade que Salazar tinha uma concepção política anti-partidária: resumidamente, considerava que os partidos políticos promoviam a instabilidade, criando discórdias permanentes que fracturavam a coesão nacional.

Mas de onde é que foram retirar a ideia de que Gouveia e Melo é também contra os partidos políticos?… Esta é a questão!

É que partem de uma premissa propositadamente errada para ludibriar quem os ouve.

Não só Gouveia e Melo já disse várias vezes que os partidos políticos são essenciais num sistema democrático – não se conhece uma democracia sem partidos políticos –, como escolheu para seu mandatário nacional um ex-líder político – Rui Rio – com muitos anos de vida política activa, seja em termos autárquicos, seja em termos nacionais, tendo ainda como seus apoiantes, mandatários e coordenadores distritais, várias pessoas com ligações partidárias de quase todos os campos políticos. E tem, igualmente, muitíssimos cidadãos independentes a dar a cara pela sua candidatura. Querer equiparar, seja lá de ângulo for, Gouveia e Melo a Salazar é, numa palavra, ridículo.

Outros dizem, com subido enfado, que Gouveia e Melo não tem experiência política para o cargo de Presidente da República e até elencam as perguntas que os entrevistadores lhe devem colocar, suponho, para o embaraçar.

Estes, que falam de cátedra sem que nada de relevante lhes seja reconhecido que tenham feito pelo país, revelam uma profunda ignorância – ou será, também aqui, má fé? –, porque, realmente, não fazem ideia do que é uma carreira militar de alto nível: ninguém chega à posição de CEMA sem experiência política, o que é muito diferente de experiência em politiquice…

Além do mais, invocam a Constituição sem a conhecer, já que em lado algum se exige experiência político-partidária para se ser candidato a Presidente da República.

E já agora, cabe deixar-lhes estas duas perguntas: quantos políticos profissionais cometeram erros, alguns flagrantes, seja na Governação do país, seja na Presidência da República? De que lhes valeu, afinal, terem uma enorme experiência política? Tudo isto, e o mais que está para vir, só reflecte o nervosismo que a candidatura de Gouveia e Melo está a gerar no sistema político.  Que bom sinal!

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