O ênfase que se dá ao curto prazo continua a ser desmedido face às questões estruturais que precisam de ser resolvidas para criar um ambiente económico que possa promover uma convergência económica com o resto da Europa.
Não obstante as perspetivas para a economia portuguesa sejam favoráveis, há algo que nos deve preocupar, e que reside na nossa incapacidade em provocar um choque positivo, significativo, no crescimento económico.
Falta ambição ao PE para aproveitarmos devidamente os fundos disponíveis e uma certa conjuntura para a economia dar um salto de crescimento, inovação e desenvolvimento.
O economista-chefe para a Europa do Goldman Sachs vê sinais “encorajadores” nas perspetivas de crescimento de Portugal e estima impacto de 5% do PRR no PIB nos próximos cinco anos. Defende que as políticas orçamentais na zona euro devem continuar expansionistas e diz que a atual crise levou a uma “mudança significativa no quadro de políticas”.
Apesar da expectativa de um processo de recuperação económica em curso, a verdade é que as incertezas continuam a marcar as estimativas de evolução da economia portuguesa, o suficiente para Bruxelas antever um ritmo mais lento de expansão. O Banco de Portugal está mais otimista, mas os dados apontam para que o nível pré-pandemia só seja atingido em 2022, quando o conjunto das economias europeias o farão já este ano.
A subida dos preços nos últimos meses na zona euro e nos EUA gera debate sobre se assistimos a um fenómeno transitório ou permanente. Banqueiros centrais afastam o risco, mas a ala mais conservadora da política monetária alerta que a “inflação não morreu”.