Turquia pede detenção de Netanyahu através da Interpol

Além de Netanyahu, foi feito um pedido idêntico em nome do israelita Afek Moskovitch, também incluído no processo da justiça turca sobre a interceção e detenção de ativistas da flotilha.

Turquia pede detenção de Netanyahu através da Interpol
REUTERS/Dan Balilty

A Turquia solicitou a emissão de um alerta vermelho da Interpol contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, alvo de um mandado de detenção no processo da flotilha para Gaza, anunciou esta sexta-feira, 21 de agosto, o Governo turco.

Além de Netanyahu, foi feito um pedido idêntico em nome do israelita Afek Moskovitch, também incluído no processo da justiça turca sobre a interceção e detenção de ativistas da flotilha.

A documentação processual foi enviada ao Ministério dos Negócios Estrangeiros para notificação da Interpol, anunciou o ministro da Justiça turco, Akin Gurlek, de acordo com as agências turca Anadolu e France-Presse (AFP).

“Em conformidade com os mandados de captura emitidos em 14 de julho de 2026 contra Benjamin Netanyahu e Afek Moskovitch por ‘genocídio’, o Ministério da Justiça pediu ao Ministério do Interior que emita avisos vermelhos com vista à sua detenção internacional”, afirmou.

Gurlek precisou que Netanyahu e Moskovitch são processados por “crimes contra a humanidade, genocídio, privação agravada de liberdade, agressão agravada, tortura, destruição de bens, pilhagem agravada e desvio de veículos de transporte”.

“Não aceitamos de modo algum a noção de que o Governo de Netanyahu, que está a seguir uma política de genocídio em Gaza, seja intocável e inimputável”, disse o ministro turco.

Mais de 400 ativistas, incluindo portugueses, da meia centena de barcos da flotilha intercetados em maio pelo exército israelita no Mediterrâneo, a oeste de Chipre, foram levados à força para Israel.

Ficaram detidos na prisão de Ktziot (sul) antes de serem expulsos.

Os ativistas da “Global Sumud Flotilla” (‘sumud’ significa resiliência em árabe) queriam chamar a atenção para a situação humanitária na Faixa de Gaza, devastada por mais de dois anos de guerra, rompendo o bloqueio marítimo imposto por Israel.

Em abril, uma flotilha para Gaza anterior já tinha sido intercetada por Israel ao largo da Grécia.

O ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, de extrema-direita, provocou indignação no próprio Governo de Israel e a nível internacional ao divulgar um vídeo de ativistas da flotilha ajoelhados e com as mãos atadas.

“Não permitiremos que os crimes cometidos em Gaza sejam encobertos, nem permitiremos que os responsáveis fiquem impunes. (…) Usaremos resolutamente todos os meios disponíveis no âmbito do direito nacional e internacional”, disse Gurlek.

O ministro reafirmou o apoio da Turquia ao povo da Palestina e assegurou que Ancara tomará “todas as medidas necessárias para garantir que aqueles que cometem crimes contra a humanidade sejam responsabilizados perante a lei”.

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