Alemanha está mal preparada para aproveitar boom da inteligência artificial, alerta instituto Ifo

"Não existe outro país da União Europeia tão dependente do exterior na área das tecnologias da informação e comunicação como a Alemanha", sublinhou Christian Pfaffl, investigador do Ifo.

Alemanha está mal preparada para aproveitar boom da inteligência artificial, alerta instituto Ifo
14. Alemanha - 70.72

A Alemanha não reúne ainda as condições necessárias para tirar pleno partido do potencial económico da inteligência artificial (IA), conclui uma análise do instituto alemão Ifo, realizada para a Câmara da Indústria e Comércio de Munique e da Alta Baviera. O estudo, que será publicado no final de novembro, alerta para fragilidades na indústria tecnológica, na digitalização da administração pública e no sistema educativo.

“O setor de alta tecnologia continua a ser demasiado pequeno, a digitalização da administração pública progrediu muito pouco e o sistema educativo não se está a adaptar com rapidez suficiente às mudanças trazidas pela IA”, afirmou Oliver Falck, diretor do Centro para a Economia da Inovação e Transformação Digital do Ifo.

Segundo a análise, o setor das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) representa apenas 4,6% do valor acrescentado bruto da economia alemã, uma proporção que coloca o país na metade inferior da tabela entre os Estados-membros da União Europeia. Em 2025, a Alemanha importou mais 11 mil milhões de dólares em serviços TIC do que exportou.

“Não existe outro país da União Europeia tão dependente do exterior na área das tecnologias da informação e comunicação como a Alemanha”, sublinhou Christian Pfaffl, investigador do Ifo.

O estudo identifica também atrasos significativos na digitalização da administração pública. Apesar do potencial da IA para melhorar os serviços prestados a cidadãos e empresas através da utilização dos extensos dados administrativos já disponíveis, o país continua numa fase experimental em áreas básicas. Um dos exemplos apontados é o preenchimento automático de formulários, uma funcionalidade que já está amplamente implementada em países vizinhos como os Países Baixos, Dinamarca, Polónia e Áustria.

Outra das preocupações dos investigadores prende-se com as competências digitais da população. A Alemanha encontra-se abaixo da média europeia em competências informáticas acima do nível básico. Cerca de 40% dos alunos do oitavo ano não atingem o nível 2 de literacia informática e de informação.

Para Oliver Falck, esta situação pode comprometer a adoção da inteligência artificial pelas empresas. “As aplicações de IA estão a espalhar-se rapidamente, mas demasiadas pessoas não possuem os conhecimentos necessários para as utilizar de forma produtiva”, afirmou. A falta de especialistas e de competências adequadas é, segundo o estudo, a principal razão para muitas empresas alemãs não conseguirem implementar projetos de IA previamente planeados.

As conclusões detalhadas serão divulgadas na publicação “Benchmarking Digitalization 2026”, elaborada pelo instituto Ifo para a Câmara da Indústria e Comércio de Munique e da Alta Baviera. O relatório pretende avaliar o grau de preparação da Alemanha para competir numa economia cada vez mais impulsionada pela inteligência artificial e pela digitalização.

Relacionado