Eduardo Teixeira, Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

Um Portugal empreendedor

Os negócios pequenos têm de crescer e consolidar, produzir e exportar, vendendo o 'Made in Portugal' no mundo.

Ao longo da minha carreira, tenho vindo a cruzar-me com muitos empreendedores, industriais e empresários portugueses, profissionais que criam valor, riqueza e postos de trabalho, que assumem o risco dos negócios, que apostam na economia nacional. Na Banca presenciei o esforço de muitos empresários e nada me dava mais prazer do que os ver rentabilizar os seus investimentos, criar emprego e gerar um efeito multiplicador na economia do país.

Na Assembleia da República, nos mandatos desempenhados, debrucei-me em especial sobre as matérias financeiras e fiscais, mas sempre focado nas matérias económicas e no crescimento de Portugal.

Logo de início, o dossiê dos Estaleiros Navais de Viana estava sob uma gestão política delicada e era urgente encontrar uma solução empresarial para um negócio estratégico para Portugal. Em 2011, tinham 600 trabalhadores a cumprir horário, mas sem nada para fazer. Tinham um navio construído para o Governo dos Açores, que não o queria, invocando defeito de fabrico no famoso “Atlantida”. Em suma, a empresa tinha potencial de construção, mas simplesmente não tinha negócio.

A construção naval renasceu em Portugal e os Estaleiros de Viana do Castelo dão emprego direto e indireto a mais de 1.000 pessoas, têm navios em construção e uma carteira de encomendas no valor de 243 milhões para os próximos anos.

Este é apenas um exemplo de um Portugal com enorme potencial empreendedor, onde há nichos por explorar ­– algo que, nos últimos anos, tem escasseado apesar de algumas exceções (já lá iremos). E, no meio deste vazio, pairam as sombras do passado dos grandes grupos económicos ­– Mellos, Champalimauds, Amorins, Belmiros, Nabeiros e tantos outros – que nos devem inspirar.

Nos últimos anos, Portugal até tem apresentado diversos fatores favoráveis ao espírito empreendedor. Somos o segundo país da União Europeia com a taxa de nascimento de novas empresas mais elevada (15,75%), apenas ultrapassado pela Lituânia (19,72%), tendência que aumentou cerca de 3,63% entre 2009 e 2017. Os negócios pequenos têm de crescer e consolidar, produzir e exportar, vendendo o Made in Portugal no mundo, como a empresa recuperada dos Estaleiros de Viana, que hoje vence prémios de desempenho de exportações.

Olhemos para nestes novos exemplos empreendedores, de aposta e investimento em Portugal, para voltarmos a ser grandes e para conseguirmos fixar os nossos jovens na economia nacional. Com novas políticas que acompanhem este potencial empreendedor, eu acredito em Portugal!

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