Mesmo que o acordo entre os EUA e o Irão consiga a abertura do estreito de Ormuz, há vários obstáculos ao regresso à normalidade, para lá de ser de esperar uma nova “surpresa” por parte de Trump.
A subida das taxas de juro não conseguirá debelar a causa da inflação, mas sinaliza uma atitude não acomodatícia por parte dos bancos centrais no que toca às expectativas de inflação geradas nos agentes económicos.
O ricochete das sanções veio a dar-se numa Europa a perder competitividade e emprego, a deslocalizar e a fechar empresas, sobretudo as mais consumidoras de energia.
A diminuição dos apoios estatais ao controlo do preço das energias está a resultar num esperado aumento dos preços, que pode minar o esforço de contenção da inflação.
Famílias e empresas necessitam de preços mais baixos, não de subsídios nem de apoios, que apenas servem para manter o consumo artificialmente alto e justificar a contínua subida dos preços.
Se em 2023, a inflação mensal sair em torno da média histórica desde 1999, a inflação média ficará entre 4,0% e 4,5%. Acredito que possa ficar ainda mais baixa.
É difícil discutir interesses políticos e económicos divergentes com base em critérios morais. Os outros também têm a moral deles. É para evitar essas discussões que existem leis nacionais e internacionais.
Mais do que medidas populistas, num momento em que o custo da energia no consumo das famílias portuguesas é dos mais altos da Europa, é urgente o Estado aliviar toda a carga fiscal possível.
Tenho para mim que o principal problema de economia portuguesa, não só do ponto de vista energético, está no paradigma de desenvolvimento escolhido. É, pois, preciso reinventar Portugal.