Estamos todos a ser vítimas de uma orquestração fraudulenta à Robin dos Bosques invertido: tirar aos pobres para distribuir pelos ricos. Onde é que já vimos isto?! Ah, já sei: no tempo do "passismo" que foi mais "troikano" que a própria troika.
São mais de 2 milhões, as pessoas, no nosso país que vivem ou numa situação de pobreza ou em condição de exclusão social ou abaixo do limiar de pobreza, situações estas que se vêm confirmando com vários estudos e relatórios de Observatórios e outras organizações públicas desde há anos consecutivos, 2020 a 2024.
Segundo o Presidente da República, "o mundo aguenta mas isso significa custos muito elevados, custos sobretudo muito elevados para os mais pobres pois sofrem sempre mais aqueles que menos têm”.
O desenho restritivo de isenção de IVA deverá gerar um forte efeito de substituição, que deverá fazer subir o preço antes de imposto dos produtos beneficiados, dinamitando o efeito do benefício fiscal.
O mitológico desenrascanço português não vai resultar num brilharete. Vai haver altar-palcos, mas todos sabemos a que custo financeiro e moral. É preciso que o Governo tenha a coragem de se opor aos vários 'lobbies' que querem construir a toda a força.
Pandemias, guerras e recessões não isentam os Estados da defender e honrar os direitos humanos, sendo que devem usar a tributação de multinacionais para financiar políticas que protejam os mais vulneráveis contra o aumento do custo de vida.
É moralmente insuportável a despesa pública que se antecipa por ocasião e por causa das celebrações natalícias 'vis a vis' as consequências para os mais pobres de uma inflação de 10% e uma inflação nos produtos alimentares acima de 20%.