O Orçamento do Estado para 2027 reconhece a classe média e pede parceiros privados. O Parlamento pode abrir a porta a quem garante rendas acessíveis para sempre, sem gastar um euro.
O OE2027 prevê um investimento de 2.003 milhões de euros em habitação pública e acessível, com destaque para o reforço do parque habitacional público e o apoio ao arrendamento acessível. A maior fatia, de 1.071 milhões de euros, é destinada aos programas de aumento da oferta de habitação pública e de reabilitação do património público do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU)
A Associação Habitação e Desenvolvimento Por Portugal é liderada por Rui Miguel Braga, atual vice-presidente da Câmara Municipal do Barreiro é composta por especialistas de diferentes áreas, como António Carmona Rodrigues, presidente do Grupo Águas de Portugal e de Miguel Saraiva, do atelier de arquitetura Saraiva + Associados.
David Carreira, country manager da Thomas & Piron em Portugal, considera também errado que apartamentos vendidos entre 4.500 e 5.000 euros/m2 sejam classificados como luxo e defende que está na altura de Governo e promotores se sentarem "todos à volta de uma mesa sem estarem preocupados com o resultado das próximas eleições, sem olhar a ideologias".
Especialistas ouvidos pelo JE defendem que a decisão do governo espanhol em proibir a compra de casa por estrangeiros pode ter um efeito positivo para Portugal. Promotores esperam que investidores “afugentados” por Pedro Sánchez queiram investir do lado de cá da fronteira.
Patrícia Gonçalves Costa assume que é preciso construir habitação depressa e barata eliminando as barreiras que existem para a construção de casas a preços acessíveis, mas "sem beliscar a qualidade do produto final".
A crise habitacional em Portugal, e na Europa, tem sido alimentada por anos de políticas públicas inexistentes ou difíceis de implementar, especulação imobiliária e reduzido investimento em habitação pública.
O ministro Adjunto e da Coesão, Castro Almeida se houver alguma coisa a corrigir será feita “por simples comunicação”, sendo que o Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana analisará as candidaturas após o lançamento das obras.
O projeto ao abrigo da linha de financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) do programa 1⁰ Direito vai disponibilizar 133 apartamentos de tipologias T0 a T3 até 2025, resultantes da aquisição de quatro terrenos para construção e reabilitação.
Apesar de alegarem dificuldades financeiras, as autarquias da Grande Lisboa e Grande Porto gastaram mais de 29 milhões de euros ao acionar o direito de preferência, que lhes permite adquirir imóveis à frente de potenciais compradores nos primeiros dez dias da colocação do mesmo no mercado.
Os países onde os jovens adquirem a sua independência mais cedo adotaram, há décadas, abordagens, políticas e instrumentos de resposta à falta de ‘habitação acessível’.