Agora que o país voltou de banhos, importa aproveitar a rentrée para refletir sobre a última alteração ao Regime Jurídico da Urbanização e Edificação, que entrou plenamente em vigor a 1 de outubro.
Pensar a longo prazo não significa decidir devagar. Significa decidir com profundidade, aceitar que nem tudo o que produz retorno imediato gera valor duradouro e compreender que a velocidade só constitui uma vantagem quando existe rumo.
É interessante perceber que, mesmo num mundo dominado pela digitalização e pelos ativos financeiros abstratos, continua a existir uma procura muito forte por bens nos quais podemos tocar. E a joalharia ocupa aí um espaço muito particular.
Quando os trabalhadores não têm segurança no emprego e as companhias aéreas não dispõem de estabilidade operacional no seu hub principal, o interesse público não está a ser protegido.
O impacto da declaração de Montenegro é agravado pelo facto de ter sido dita já depois de Ventura, eufórico, ter anunciado que os eleitores lhe tinham dado “a liderança da direita”, espaço que inclui automaticamente o próprio PSD.
O price dumping é, no fundo, uma armadilha. Não enriquece o ecossistema; esgota-o. O caminho certo passa por criar valor verdadeiro na economia, garantindo que as pessoas paguem por aquilo que realmente valorizam.
O caos instalado nos últimos dias em Angola é uma ameaça, para governantes e governados, e ambos têm de retirar ensinamentos disto, sob pena de se hipotecar o futuro.
Estabilidade não é imobilismo. É saber com o que se conta, manter o equilíbrio, sem variações radicais ou extemporâneas. É saber onde se está por algum tempo, neste caso por quatro anos de legislatura.
A luta partidária, nomeadamente o incentivo à contestação social, pode ser um obstáculo à transformação e adaptação de Portugal à nova realidade económica e política mundial.
Se a ideia era mostrar a total e completa separação dos partidos e dos seus tempos, regista-se que Gouveia e Melo extravasa até os processos eleitorais, confundindo-os.
Em oito anos de governação socialista e mesmo com uma maioria e excedentes orçamentais, Portugal perdeu a oportunidade de implementar reformas importantes.
Procura-se a recorrência, não esquecer. E sabe-se que mudamos quando o dia a dia se torna insuportável ou quando perdemos a esperança em melhores dias.
O problema será compatibilizar a urgência em obter soluções exequíveis e praticáveis com a necessidade de salvaguardar a estabilidade, representatividade e democraticidade da configuração institucional da UE.
Talvez nos próximos 50 anos tenhamos de aprender a dar mais propósito à ação concreta. Aprender que sem compaixão pelo outro ou crença na nossa humanidade, não podemos cumprir a promessa de um mundo melhor.
Em cada cinco portugueses que votaram, quatro não escolheram o Chega. Há perigos evidentes no caminho, mas não há cura possível se os democratas tentarem gritar mais do que eles.
Dava jeito a Portugal ter uma situação estável. Com uma maioria absoluta a fazer as reformas que a economia e a sociedade precisam, com uma rota bem definida de contas certas e uma comunicação social forte para escrutinar por cima deste patamar.
O que se passou na Assembleia da República reforçou António Costa como um factor de estabilidade e credibilidade, assistindo de cadeirinha à luta de galos à direita.
É justo reconhecer a tentativa esforçada de Angola em tentar captar investimento estrangeiro, mas que pode sair muito prejudicada pela desvalorização galopante da moeda angolana.