O fim do PRR não deve ser apenas um momento de celebração política nem outro pretexto para a disputa partidária sobre quem fez mais. Chegou o tempo da avaliação independente, da transparência e da prestação de contas.
Para que o PTRR seja eficaz, é fundamental garantir a sua perenidade. Isto exige procurar o consenso político-partidário mais alargado possível, que despartidarize a execução.
Assistimos a um processo de transformação da comunicação política e na interacção em estado permanente com o eleitorado. Desta forma, os políticos deixam de estar sujeitos à intermediação realizada pelos media e não ficam à mercê do escrutínio jornalístico.
As autarquias requerem o nosso envolvimento como cidadãos mais atentos e exigentes. Temos de fazer tudo ao nosso alcance para subir a fasquia contra os populistas do nosso tempo.
Este trio – Castro Almeida, Alexandra Vilela e Gonçalo Regalado – está a mostrar que há outro caminho: mais rápido, mais eficiente e com menos carimbos. O que os une é a rara capacidade de concretizar.
O 'vetting' é um exame crítico para perceber se alguém é aceitável para posições em que tem de lidar com informações sensíveis, lugares que requerem confiança. Em Portugal não se pratica.
Para além de factoides isolados, não existe um verdadeiro diagnóstico da situação de partida, nem se discute a sociedade que queremos, ou como lá chegar.
Hoje imaginei Luís Montenegro no genérico dos Simpsons, a escrever cem vezes no quadro “Não me vou irritar com perguntas dos jornalistas. Não me vou irritar com perguntas dos jornalistas...".
Dava jeito a Portugal ter uma situação estável. Com uma maioria absoluta a fazer as reformas que a economia e a sociedade precisam, com uma rota bem definida de contas certas e uma comunicação social forte para escrutinar por cima deste patamar.
Sem pretensões de exaustividade, e deixando de lado algumas questões espinhosas como os megaprocessos, o próximo ciclo de políticas de Justiça não pode deixar de contemplar três eixos de medidas.
Confiar não é fechar, mas abrir, não é repetir os fiéis, mas convocar os que muito além dos círculos fechados podem ser mais desafiados a contribuir para o interesse comum.
No aconselhamento financeiro, os bancos são as entidades mais próximas dos aforradores e o nível de escrutínio a que estão sujeitos é hoje elevadíssimo, mas porventura não inspira confiança máxima nos clientes.
Em pleno século XXI, continuamos a viver numa sociedade que alimenta a desigualdade de condições laborais e salariais, mesmo quando as mulheres desempenham os mesmos cargos que os homens e são mais qualificadas.
Fugir ao escrutínio crescente e evitar o pagamento de impostos são as duas principais razões que levaram a dona do TikTok a mudar a sede corporativa para as Ilhas Caimão.
Os códigos de conduta não são o objecto final da construção de instituições mais íntegras, mas sim um dos meios para a construção de uma cultura organizacional de ética e integridade.
A insistência em estruturas paralelas entronca com a falta de escrutínio do processo de decisão pública em Portugal e a inexplicável persistência do legislador em evitar que a atividade de lóbi seja reconhecida, enquadrada e regulamentada.