A emblemática empresa vai lançar 632 trabalhadores. Fundada em 1984 e a primeira unidade industrial do grupo fora da Dinamarca, especializou-se na produção de calçado formal, casual e de golfe.
A indústria do calçado portuguesa mantém uma estrutura assente em micro e pequenas empresas, que representam 94% do tecido empresarial do sector, de acordo com uma análise da Iberinform. Os dados revelam ainda que o sector conseguiu melhorar os prazos médios de pagamento e de recebimento em 2025, apesar da ligeira retração do volume de negócios e da taxa de exportação.
Segundo a Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS), esta quebra foi, ainda assim, menor do que a registada pela Itália e pela Espanha, os dois principais concorrentes de Portugal, cujas perdas acumuladas até maio ascendiam a 4,3% e 7,3%, respetivamente.
Na ronda de investimento industrial participaram Carlos Tavares, antigo presidente executivo da Stellantis, e o campeão olímpico francês de judo Teddy Riner.
Os números são impressionantes: entram na Europa, todos os dias, 12 milhões de pequenos pacotes com compras abaixo dos 150 euros, quase todos vindos da China, que inundam o mercado europeu e implicam uma fuga ao fisco que pode ter acumulado 50 mil milhões de euros. Itália e França estão na linha da frente do combate. Associações dos têxteis aplaudem nova taxa sobre encomendas online da China, que atualmente estão isentas de tarifas e que Bruxelas quer aplicar uma taxa de dois euros a partir de 2026.
A robotização aliada à inteligência artificial pode ser o segredo para uma indústria que precisa tanto de responder aos grupos que asseguram o grande consumo, como às necessidade da customização de nicho.
A produção mundial de calçado aumentou, em 2024 - antes, por isso, do impacto das tarifas norte-americanas - 6,9% para 23,9 mil milhões de pares, de acordo com o World Footwear Yearbook 2025, agora lançado pela APICCAPS.
A empresa é detentora da marca ASPORTUGUESAS, ao Grupo Kyaia. Ao celebrar dez anos, inicia nova etapa sob gestão exclusiva da empresa de calçado Kyaia.
“Entre os impactos já relatados estão atrasos ou paralisação nas negociações, redução do faturamento e cancelamento de encomendas, algumas até mesmo de calçados já produzidos ou em produção”, afirmou o presidente da Abicalçados, Haroldo Ferreira.
“É uma oportunidade para o nosso setor”, disse Luís Onofre., presidente da APICCAPS E acrescenta que o setor está a preparar um forte investimento para responder àquele segmento, através do projeto FAIST.
No contexto de forte concorrência – e antes que o mercado sofra mais convulsões cuja dimensão ninguém conhece – as exportações de calçado português estão em alta. Ao contrário do que sucede com alguns dos seus mais diretos adversários.
Com um financiamento europeu de 5,86 milhões de euros, o Waste2BioComp envolve 13 parceiros de seis países: Portugal, Alemanha, Espanha, Itália, Suíça e França. O projeto foca na valorização de resíduos orgânicos, convertendo-os em novos produtos de origem biológica para os setores têxtil, de calçado e embalagens.
Portugal exportou, em janeiro, sete milhões de pares de calçado no valor de 161 milhões de euros, o que representa um crescimento de 8,2% face ao mesmo mês do ano anterior.
Os EUA são o país onde o calçado português apresentou melhores indicadores nos últimos anos. Apesar da potencial imposição de tarifas, a aposta neste mercado é para manter.
Projeto FAIST será formalmente apresentado em Estarreja. O setor está a investir, até final de 2025, no âmbito do PRR, 50 milhões de euros e compromete-se a desenvolver 34 produtos inovadores.