A bitcoin é um ativo muito sensível à liquidez, às taxas de juro reais, ao dólar e ao apetite pelo risco. Esses mesmos fatores também afetam significativamente as ações de software.
De acordo com dados compilados pela agência de notícias financeiras Bloomberg, às 3:42 em Lisboa, a criptomoeda negociava a 81.257,98 dólares (69.686,84 euros), representando uma subida de 2,95% em comparação com segunda-feira.
A bitcoin transaciona atualmente nos 64.382 dólares (55.450 euros). Até ao momento a criptomoeda acumula uma desvalorização superior a 26% desde o início do ano e no último ano já caiu mais de 43%. Desde o pico de 124 mil dólares (106,8 mil euros), atingido em outubro de 2025, já desceu mais de 48%.
Esta seria a primeira semana em que o ouro valorizava depois de cinco semanas de perdas enquanto que a bitcoin recuperaria do mínimo de 21 meses alcançado durante esta semana.
O anterior máximo de retirada mensal em external traded funds (ETF) de bitcoin norte-americanos era de 3,56 mil milhões de dólares (3,12 mil milhões de euros) alcançados em fevereiro de 2025.
A debilidade do setor de software continua, assim, a impedir o Nasdaq e o S&P 500 de acompanharem os máximos históricos alcançados pelo Dow Jones, Russell 2000 e Stoxx 600.
O JP Morgan refere que se verificaram saídas de external traded funds (ETF) de ouro de cerca de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros), na semana que terminou a 5 de junho, face às entradas verificadas na semana passada, enquanto que os ETF de bitcoin tiveram saídas graduais crescentes de capital nas últimas quatro semanas.
Entre 6 de fevereiro e 6 de maio a bitcoin subiu mais de 25% ao passar de mais de 64 mil dólares para furar a barreira dos 80 mil dólares. Face a esse máximo de maio a criptomoeda recuou 5% para a zona dos 76.100 dólares.
Apesar da incerteza provocada pelo conflito no Médio Oriente, a bitcoin acabou por valorizar 4,1% na última semana. Contudo, isso não elimina a quebra de 14,4% que o criptoativo já soma desde o início do ano.
De acordo com uma análise da equipa de investigação da TechGaged, o Bitcoin perdeu mais de 240 mil milhões de dólares em oscilações de curto prazo após as ações e declarações políticas de Donald Trump desde 2019, o que representa mais 73% do que ganhou.
A reportagem do jornal norte-americano apoia-se numa análise forense de milhares de mensagens de correio eletrónico, publicações em fóruns e arquivos das primeiras comunidades criptográficas.
O analista de mercado sénior da XS.com, Antonio Di Giacomo, disse que o bitcoin está a "atravessar um período de elevada volatilidade" marcado pela interação entre fatores geopolíticos e regulatórios.
Ao longo desta semana, os mercados acionistas reagiram ao conflito no Médio Oriente, mas também a uma reavaliação do risco no setor tecnológico, sobretudo no segmento de software, que tinha sido fortemente penalizado nos últimos meses.
O investidor norte-americano, conhecido por prever o colapso do mercado imobiliário, em 2008, alerta que caso a bitcoin continue a descer pode afetar as empresas acumuladoras da criptomoedas, como a Strategy, de Michael Saylor, e num cenário em que atinja os 50 mil dólares pode levar os mineradores à falência. A BlockFills, fornecedora de liquidez e empréstimo de criptomoedas, suspendeu os levantamentos e depósitos.
O analista da XTB, João Cruz, avança que se se repetir o cenário de 2022 a bitcoin ainda "poderá enfrentar mais um impulso de queda" provavelmente em direção a 50 mil dólares.