Subida acelerada das yields pressiona mercados

A yield das obrigações dos EUA a dez anos atingiu um novo máximo desde 2007 acima de 4,5%. A taxa das obrigações alemãs com a mesma maturidade renovou máximos de 2011, já acima de 2,8%.

Subida acelerada das yields pressiona mercados
Mercados

Os bancos centrais não desarmam a subida das taxas de juros e o resultado é que se assiste a um agravamento repentino das yields das obrigações soberanas, que estão a renovar máximos de mais de dez anos.

A yield das obrigações dos EUA a 10 anos atingiu um novo máximo desde 2007 acima de 4,5%. A taxa das obrigações alemãs com a mesma maturidade renova máximos de 2011, já acima de 2,8%. Em Portugal, a yield dos títulos a 10 anos supera a barreira dos 3,5% ao atingir os 3,54%. As obrigações soberanas espanholas estão a 3,87%.

Já Itália vê os juros agravarem 2,52 pontos base para 4,69% e a Grécia tem os juros a 10 anos nos 4,23%.

De acordo com os analistas, a mensagem dos bancos centrais de que os juros vão ficar em níveis elevados por muito tempo (higher for longer) explica este sell off nas obrigações soberanas, que continuam em queda livre nos prazos mais longos apesar de muitos analistas considerarem que estão em níveis atrativos, tal  como destaca o daily Morning Call.

O Bank of America e o BlackRock estimam que as yields das obrigações vão continuar em alta nos EUA e o CEO do JPMorgan alertou que o mundo não está preparado para o pior cenário de a Fed ter de subir as taxas de juro para 7%.

“O mundo não está preparado para juros da Fed nos 7%,” alertou Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, segundo a Bloomberg que remete para uma entrevista do banqueiro ao Times of India.

Este é o pior cenário, o de a Fed ter de subir as taxas de juro para 7%, o que provocaria uma
estagflação com impactos muito negativos.

O CEO do JP Morgan destacou que o impacto da subida de juros de 5% para 7% será bem mais doloroso do que o aumento de 3% para 5%. O banqueiro  lembrou uma célebre frase de Warren Buffett “vamos descobrir quem está a nadar sem calções quando a maré baixar”.

Os responsáveis dos bancos centrais dos EUA e Zona Euro estão quase todos os dias a reforçar a mensagem de que a política monetária vai continuar restritiva nos próximos meses para combater a inflação que persiste em níveis elevados.

Christine Lagarde já disse que estimava que a inflação “continuará demasiado elevada durante demasiado tempo”.

Por sua vez Neel Kashkari (Fed de Minneapolis) espera mais subidas de juros da Fed este ano.

Também o Bank of America e o BlackRock estimam que as yields das obrigações vão continuar em alta.

Hoje os índices de ações europeus estão na maioria em queda, com exceção do FTSE 100 de Londres que sobe 0,18% e do IBEX que avança 0,14%.

O euro está em 1,0598 dólares.

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