Sector dos condomínios debate-se com grandes desafios

A condição de gestor de condomínios é multifuncional, mas é também pouco considerada. Com a evolução das cidades e a concentração de cada vez mais habitantes num espaço que não cresce, os desafios multiplicam-se.

Sector dos condomínios debate-se com grandes desafios
Dhaka, Bangladesh

Portugal tem 300 mil condomínios onde vivem cerca de cinco milhões de pessoas. Os desafios da sua gestão são todos aqueles que o urbanismo implica, acrescidos do facto de o gestor do conjunto ter de decidir sobre ativos que não são seus e onde, a maioria das vezes, há interesses divergentes.

São esses desafios que estão em debate na primeira Convenção dos Condomínios, organizada pela Associação Portuguesa de Empresas de Gestão e Administração de Condomínios (APEGAC). Vítor Amaral, o seu presidente e anfitrião, afirmou que este é o tempo certo para debater um sector que basicamente passou a existir no final da década de 1970, mas que tem um impacto substancial nas cidades – onde mora quase toda a população portuguesa (e europeia).

Durante os trabalhos, foram debatidos os aspetos que têm impacto no domínio da gestão dos condomínios, mas também aquilo que será, ou poderá ser, o condomínio do futuro. O quadro é extremamente complexo: existem condomínios envelhecidos – alguns deles ainda sem gestão profissionalizada – condomínios modernos, condomínios com contas de exploração positivas, e outros com défices acumulados que fazem lembrar as contas da República.

Para todos os efeitos, “o papel do administrador de condomínios é muito importante”, uma vez que gere um espaço que acaba por tornar-se público (aos olhos de todos) e que tem, por outro lado, de manter padrões estáveis, nomeadamente em termos de segurança e manutenção. Para isso, “é preciso mais formação: engenharia, direito e até psicologia, numa atividade multidisciplinar”, disse Vítor Amaral. E deixou um conselho: “a procura do mercado continua a ser pelo preço. Temos de dar a volta a isto, porque a procura deve ser feita pela qualidade”.

Elísio Pinto, vereador da câmara de Gaia – cidade que recebeu o encontro – esteve presente em representação do presidente da autarquia Eduardo Vítor Rodrigues, que a meio da noite (“às quatro da manhã”) foi chamado por uma urgência partidária que se percebe, uma vez que a câmara é socialista. Recordando que Gaia “é o terceiro maior município do país”. Salientou que o “estado de degradação de alguns condomínios gera preocupação”.

Uma das formas de ultrapassar o problema deve ser através de “financiamento público”. Mas também o “trabalho em rede”, que pode ter um papel importante na resolução dos problemas.

Para António Miguel Castro, da Gaiurb, os problemas que os condomínios enfrentam são de uma imensidão difícil de avaliar. Falta de reabilitação – falta de capacidade legal para intervir, é a base de todos os outros problemas.

Já Susana Hermenegildo, representante da Ordem dos Arquitetos (Norte), afirmou que o que há para fazer nesta área é de uma grandeza difícil de imaginar. A boa notícia, referiu, é que a sua classe detetou a necessidade da gestão de interesses públicos em cada condomínio e passou há muito a trabalhar no sentido de ajudar os próprios gestores dos complexos.

Já para Pedro Tores Pereira, representante da empresa PW TINSA, especialista em avaliação imobiliária, recordou a pouca celeridade dos processos, de todos os processos ligados à construção – e portanto aos condomínios – como um elemento que, no mínimo, não ajuda às soluções.

A convenção continua ao longo da tarde, com intervenções sobre ‘Novos Desafios na Manutenção e Conservação do Edifício’ – com intervenções da Ordem dos Engenheiros, do Fundo Ambiental e da UCI – União de Créditos Imobiliários.

O evento recebe ainda mais dois debates, ‘Novas Tecnologias, Ferramentas de Trabalho’ e ‘Os Desafios para o Setor da Administração e Gestão de Condomínios em Portugal e na Galiza’, com personalidades como Paulo Alexandre, CEO da Improxy, Claúdia Jardim, agents management Norte, Madeira e Açores da Vodafone Portugal, Isabel Ramos, research projects da Universidade do Minho, e Celeste Niete Garcia, do Colégio Oficial De Administradores De Fincas De Galicia.

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