Eduardo Teixeira, Economista e deputado do Chega à Assembleia da República

Reerguer Portugal

Se a taxa de pobreza entre os reformados é de 27,5%, somando à exclusão social, constatamos que são mais de dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar de pobreza.

Em 2019, muito antes do início da pandemia, os portuguesas em geral, e os que se encontravam em situação de aposentação, em particular, continuavam a empobrecer e verem agravar-se o fosso com outros patamares etários.

Havia uma classe que, cada vez mais, se afundava em níveis altamente preocupantes, com a taxa de pobreza entre este grupo a atingir 17,2%, num máximo de nove anos. Só em 2010 houve uma percentagem maior de reformados na pobreza, então 19%.

Há aqui um contrassenso, uma vez que em 2010 (o maior nível de pobreza em Portugal nesta classe), governava o PS há seis anos, com maioria parlamentar de José Sócrates. E mesmo antes da intervenção externa de 2011, e nos últimos anos até atingir um novo pico, em 2019, a maioria parlamentar era assente nos partidos de esquerda, que compunham a denominada geringonça.

Se este era o triste cenário antes da pandemia, o efeito desta e da guerra na Europa, aumentou ainda mais o número de despedimentos, causando mais pobreza, mais discriminação social e criando até novos sem-abrigo. Ora, se os dados até 2019 foram drásticos, o que se sabe dos três anos desta década é trágico, demolidor e altamente preocupante do ponto de vista social e económico, com reflexos a outros níveis como a segurança, saúde e proteção social.

Se a taxa de pobreza entre os reformados é de 27,5%, se somarmos a exclusão social (que inclui as famílias com reduzida oportunidade no mercado de trabalho e privações nesta área), constatamos que são mais de dois milhões de portugueses a viver abaixo do limiar de pobreza.

Mas com a questão do nível das pensões e prestações sociais, a taxa de pobreza em Portugal fica acima de 45% da nossa população. Ou seja, os números disparam na intensidade da pobreza para mais de 4,5 milhões de portugueses, i.e. cerca de metade da população.

Não existindo dados recentes do disparo das taxas de juros e dos “novos sem-abrigo” por esta realidade, mas a somar à inflação, aos custos da energia e petróleo, face ao rendimento disponível, o efeito sobre a população é absolutamente trágico, e o panorama social catastrófico, pois o apoio do Estado pouco tem chegado às famílias, agravando-se, muito em especial, entre os reformados e desempregados inativos.

A missão coletiva é, pois, reerguer Portugal e acabar com a pobreza e exclusão social de forma eficiente. Não se pode continuar a gastar rios de dinheiro para, no fim, não se recuperar nem auxiliar a nossa economia, o emprego e minorar a percentagem de pobres em Portugal.

Esta é uma missão de todos e terá de ser bem aproveitada, pois não haverá outra ajuda europeia. E não podemos perder mais esta oportunidade.

Relacionado