Portugal precisa de vencer o “teste da produtividade e competitividade”

Ecossistemas de IA, cloud e data centres, energias renováveis e tecnologias de Defesa são alguns dos caminhos apontados para Portugal maximizar o investimento estrangeiro, segundo um estudo do EY-Parthenon.

Portugal precisa de vencer o “teste da produtividade e competitividade”
Miguel Cardoso Pinto, EY-Parthenon Portugal Leader,

Na conferência do 10º aniversário do Jornal Económico, que se realiza esta quarta-feira, 7 de outubro, no Porto,  a EY-Parthenon apresentou as prioridades estratégicas de Portugal para maximizar o investimento estrangeiro direto (IED) e vencer o “teste da produtividade e competitividade”.

De acordo com Miguel Cardoso Pinto, EY-Parthenon Portugal Leader, após superar o “teste da resiliência” ao longo da última década, Portugal enfrenta agora o imperativo de vencer o “teste da produtividade e da competitividade” nos próximos dez anos, explicou.

“O país deve focar a sua estratégia em ecossistemas de inteligência artificial, cloud e data centres, energias renováveis e infraestruturas energéticas, reindustrialização sustentável e indústria transformadora avançada, ciências da vida, farmacêutica e biotecnologia, assim como tecnologias de defesa e serviços empresariais globais. Ao direcionar o investimento para estas atividades intensivas em tecnologia e conhecimento, o ecossistema nacional reúne as condições para alavancar a sua “produtividade valor” e afirmar o seu posicionamento competitivo à escala global.

Quatro obstáculos à competitividade na próxima década

Na apresentação, o responsável indicou quatro “estrangulamentos críticos” que o país terá de ultrapassar. O primeira, indicou, é a disponibilidade de capital. “o encerramento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) trará um desafio acrescido ao investimento público e privado, exigindo uma resposta num contexto de elevada volatilidade”. A produtividade é outros dos problemas, “Portugal não tem conseguido aumentar a produtividade valor necessário para remunerar o trabalho e o capital de forma atrativa, tornando-se estratégicas as atividades intensivas em tecnologia, conhecimento e marcas”.

“A atratividade tem sido limitada por demoras e custos burocráticos, nomeadamente no licenciamento, que têm desviado investimentos em áreas críticas — como data centres — para países concorrentes como Espanha. Apontou que abundância de fontes renováveis ainda não se reflete num preço competitivo para as empresas, “em especial nas indústrias eletrointensivas, mantendo um gap significativo face a blocos como os EUA e a China”.

Ativos estratégicos e trajetória macroeconómica

Apesar dos desafios, a análise da EY sublinha que Portugal conta com vantagens competitivas únicas acumuladas na última década. A taxa de dependência energética reduziu-se de 89% em 2005 para 64% em 2024 (-24,6 p.p.). Além disso, o país ocupa o 7.º lugar no Global Peace Index 2025, posicionando a segurança, a estabilidade e a qualidade de vida como fatores determinantes para a atração de talento e de capital. No plano financeiro, a redução da dívida pública e o controlo do défice culminaram na subida do rating de Portugal pela Fitch para A+ (perspetiva estável) em setembro de 2026 (face ao nível BB+ registado em dezembro de 2017), fortalecendo as perspetivas de investimento de longo prazo.

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