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A desvalorização acentuada do crude e as declarações de Trump, que preferiu a diplomacia em relação ao Irão após as midterms, não foram suficientes para dar gás a Wall Street. As preocupações em torno da IA continuam a dominar o sentimento, após promessas de mais investimento na tecnologia.
Na véspera das eleições do meio de mandato, Wall Street fechou em terreno misto nesta segunda-feira. O Dow Jones subiu 0,41% e terminou nos 51.983,98 pontos. O S&P 500 recuou 0,51%, para 7.541,40 pontos, enquanto o Nasdaq tombou 1,07%, aos 25.164,32 pontos.
O vice-presidente eleito dos Estados Unidos, JD Vance, e o presidente Donald Trump manifestaram otimismo quanto a um possível acordo negociado para encerrar o conflito armado com o Irão, destacando avanços em conversas indiretas mediadas por terceiros. Trump associou o progresso diplomático a uma queda expressiva de quase 10 dólares no preço do barril de petróleo bruto, impulsionada pelo recuo nas expectativas de uma guerra, e afirmou que o próprio Irão solicitou o fim dos assassinatos de seus líderes em troca da cessação dos combates, sugerindo que o período de confrontos diretos foi superado.
O petróleo regista uma das maiores quedas do ano, com o Brent e o WTI a cederem cerca de 7% a 8%, na sequência destes sinais diplomáticos entre os EUA e o Irão e da indicação de que Trump prefere a via diplomática em vez de novos ataques após as eleições intercalares. O alívio no preço da energia beneficiou vários setores, mas não foi suficiente para sustentar os índices mais sensíveis à tecnologia.
As preocupações com a inteligência artificial voltaram a pesar. Depois da forte venda da sexta-feira, os investidores continuam a questionar se os elevados gastos das grandes tecnológicas em infraestrutura de IA vão gerar retornos rápidos o suficiente. O setor de tecnologia puxou o Nasdaq e o S&P 500 para baixo, ofuscando o resto do mercado.
As ações da Marvell Technology caíram abruptamente 12,72% devido ao anúncio da compra da Lumentum Holdings — fabricante de componentes óticos para centros de dados — por 115 mil milhões de dólares. No mesmo sentido, a Oracle registou uma quebra de 8,85%, motivada pelo lançamento de 10 mil milhões de dólares em ações no mercado e pelo arranque de uma emissão de dívida de igual valor.
A expansão dos centros de dados em Portugal, impulsionada pela inteligência artificial e pela computação em nuvem, vai estar em debate na 8.ª edição do Lisbon Law & Tech, onde serão analisadas as condições para Portugal captar investimento em infraestruturas de processamento de dados, num mercado em que a disponibilidade de energia, os custos de operação e a regulação ganham peso nas decisões dos investidores.
A conferência é organizada pelo Instituto de Conhecimento da Abreu Advogados, realiza-se a 4 de novembro, no auditório da sociedade de advogados, em Lisboa, e reúne representantes do Governo, da academia, da indústria tecnológica e da advocacia.
A abertura estará a cargo de Bernardo Correia, secretário de Estado para a Digitalização, que abordará o papel de Portugal no desenvolvimento dos centros de dados. Seguem-se dois painéis dedicados aos desafios tecnológicos, empresariais, jurídicos e ambientais associados ao crescimento da atividade.
O primeiro, “Da construção à operação: os desafios dos grandes Data Centers”, reúne Alexandre Francisco, vice-presidente do Instituto Superior Técnico para as Tecnologias Digitais, Nuno Lopes, vice-presidente para a Europa e África da Furiosa AI, e Patrícia Viana, sócia da Abreu Advogados. A moderação cabe a Arlindo Oliveira, professor do Instituto Superior Técnico. Estarão em análise o investimento e os obstáculos à instalação e operação destas infraestruturas.
O segundo painel, “Energia, regulação e sustentabilidade: como governar o crescimento dos Data Centers”, junta Jorge Andrade, administrador da Portugal DC, Carlos Paulino, diretor-geral da Equinix em Portugal, Tiago Corrêa do Amaral, sócio da Abreu Advogados, e Madalena Bernardes Coelho, sócia contratada da sociedade. A moderação será de André Cabrita-Mendes, redator principal do Jornal Económico.
A sessão discutirá o acesso à rede elétrica, a segurança de abastecimento, as exigências ambientais e as regras aplicáveis a projetos intensivos em energia. O objetivo é identificar condições que permitam conciliar a atração de investimento com a sustentabilidade e a competitividade da economia portuguesa.
O programa conta ainda com Luís Barreto Xavier, presidente do Instituto de Conhecimento, e Ricardo Henriques, membro executivo do conselho de administração da Abreu Advogados. A participação é gratuita, mediante inscrição prévia.
António José Seguro “valorizou os contributos apresentados pelos Conselheiros de Estado, que enriqueceram a reflexão sobre esta matéria”, segundo um comunicado da Presidência da República no final do Conselho de Estado, que esteve reunido esta segunda-feira, 2 de novembro, para discutir a coesão social. Numa curta nota, o chefe de Estado afirma que foi reafirmada “a importância da coesão social para a confiança dos cidadãos nas instituições democráticas”.
“Os Conselheiros de Estado foram ouvidos sobre os caminhos que consideram adequados para o reforço da coesão social, enquanto condição para a resposta aos desafios estruturais do País, designadamente nos domínios da desigualdade, da coesão territorial e do acesso a bens essenciais, como habitação, educação e saúde”, acrescenta o comunicado.
A reunião, que começou às 15h, durou mais de cinco horas, com duas rondas de 20 minutos por cada participante, segundo um conselheiro de Estado contactado pelo Jornal Económico. A habitação foi, como se esperava, um dos temas marcantes, tendo ocupado cerca de um terço do tempo, segundo a mesma fonte. O restante foi usado para falar sobre coesão social.
A iniciativa de António José Seguro, a segunda desde que assumiu a Presidência da República, em março, surge num contexto de protestos pelo direito à habitação, que têm sido marcados por cargas policiais em Lisboa e no Porto, e numa altura em que se discute o Orçamento do Estado no Parlamento.
Estiveram ausentes o antigo Presidente da República António Ramalho Eanes, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, e a conselheira Maria do Carmo Fonseca.
O Conselho de Estado integra, por inerência de funções, o primeiro-ministro, o presidente do Tribunal Constitucional, a provedora de Justiça, e os presidentes dos governos regionais da Madeira e dos Açores. Têm ainda assento os antigos Presidentes da República, cinco personalidades designadas por António José Seguro (Alberto Martins, Isabel Capeloa Gil, Maria do Carmo Fonseca, Miguel Bastos Araújo e Nuno Severiano Teixeira) e cinco eleitas pela Assembleia da República (Leonor Beleza, André Ventura, Carlos César, Carlos Moedas e Pedro Duarte).
Falta de consenso entre partidos
Antes desta reunião, na semana passada, o chefe de Estado recebeu em Belém os dez partidos com representação parlamentar, numa ronda de audiências individuais dedicada à coesão social, incluindo a crise da habitação.
Os encontros decorreram depois de António José Seguro ter apelado a um entendimento entre o Governo e a oposição para que sejam adotadas medidas urgentes e duradouras.
A maioria dos partidos até disse estar disponível para dialogar, mas continuam a existir divergências, nomeadamente sobre a proposta do Governo para rever o regime do arrendamento urbano, que foi aprovada na generalidade e está neste momento em discussão na especialidade.
No PSD, a vice-presidente Leonor Beleza garantiu então que o partido está “disponível para conversar com os partidos” sobre possíveis alterações à proposta do Governo sobre o arrendamento e apontou a viabilização do Orçamento do Estado para 2027, com a abstenção do PS, como exemplo da capacidade de entendimento entre os partidos.
Já José Luís Carneiro insistiu que o Governo deve retirar a proposta de revisão da lei do arrendamento e defendeu uma alternativa negociada, com uma garantia pública para os proprietários e a criação de um Serviço Nacional de Habitação Acessível, cuja proposta detalhada ainda não foi apresentada. O secretário-geral socialista pediu ao Executivo “humildade democrática para dialogar e construir com o PS uma solução estável e duradoura”.
E André Ventura, que é conselheiro de Estado, voltou na altura a mostrar-se disponível para negociar a revisão da lei do arrendamento com o Governo, mas avisou que também deve haver medidas fiscais no Orçamento, como deduções das rendas e dos encargos com o crédito à habitação. “É no Orçamento, e não em nenhuma lei do arrendamento, que há elementos que têm que ser discutidos”, afirmou.
Dias antes das audiências, o Presidente da República tinha afirmado que “a coesão social não é um slogan”, mas antes “a garantia de que nós somos capazes de olhar uns para os outros e de tratarmos todos em conjunto”. Para isso, disse, “é preciso que as pessoas acedam a tempo e horas à saúde, é preciso que as pessoas tenham acesso à habitação, é preciso que as pessoas tenham salários condignos”.
Em relação à habitação em concreto, António José Seguro tem sublinhado a situação dos jovens, a que chamou de “geração bloqueada”, e tem defendido que é urgente garantir o arrendamento ou a compra de casas para “todas as bolsas”.
O Metropolitano de Lisboa concluiu no dia 30 de outubro as obras de reabilitação da estação Praça de Espanha, na linha Azul, que ficaram a cargo da empresa desde 13 de julho e que incluíram a substituição integral dos pavimentos, trabalhos de conservação e a instalação de dois novos elevadores.
A intervenção abrangeu os átrios Norte e Sul e os cais de embarque, com pintura, limpeza e conservação dos espaços, além da colocação de dois elevadores no átrio Norte para reforçar a acessibilidade a pessoas com mobilidade condicionada.
Inaugurada a 29 de dezembro de 1959, a estação faz parte da rede original do Metro de Lisboa. A obra permitiu modernizar os espaços sem alterar as características arquitetónicas e plásticas originais.
A Praça de Espanha serve uma zona com elevada concentração de serviços, equipamentos de saúde, espaços culturais e atividades comerciais, incluindo o Instituto Português de Oncologia (IPO), a Fundação Calouste Gulbenkian e várias instituições e empresas.
Os trabalhos, com duração de cerca de três meses e meio, implicaram condicionamentos temporários, com o encerramento faseado de cais e átrios. A estação manteve-se, no entanto, em funcionamento durante todo o período, com adaptações operacionais para garantir a segurança de passageiros e trabalhadores.
Com a conclusão das obras, a estação voltou a funcionar em pleno, com todos os acessos e cais disponíveis. O Metro de Lisboa enquadra a intervenção na sua estratégia de modernização, conservação e valorização das estações existentes, com o objetivo de melhorar a qualidade do serviço e tornar a rede mais acessível, confortável e inclusiva.
Uma nova empresa lisboeta quer levar o golfe a locais improváveis, dos jardins de casamentos aos terraços de hotéis, sem necessidade de campos, relva ou experiência prévia dos participantes. A Sobrero Golf, fundada por António Sobral e Francisco Forero, disponibiliza um simulador profissional de golfe que pode ser instalado em menos de uma hora em eventos corporativos e privados.
A empresa aposta num conceito itinerante: um simulador de golfe de alta tecnologia montado numa tenda própria, que permite aos participantes jogar virtualmente em alguns dos campos mais conhecidos do mundo utilizando tacos e bolas reais.
Segundo os fundadores, a solução foi pensada para responder à procura crescente de atividades diferenciadoras em festas de empresa, jantares de Natal, ações de teambuilding, casamentos e festas de aniversário.
“Queremos tornar o golfe acessível a qualquer pessoa, independentemente da idade ou da experiência. O simulador é intuitivo e há sempre um elemento da equipa disponível para explicar o funcionamento e ajudar os participantes”, refere a empresa.
Além da vertente lúdica, a Sobrero Golf destaca também os benefícios ambientais da modalidade praticada em ambiente virtual. Ao contrário dos campos tradicionais, o simulador permite jogar em qualquer percurso do mundo sem consumo de água para manutenção de relvados.
A tecnologia utilizada analisa cada pancada em detalhe, mostrando dados sobre velocidade, trajetória e distância da bola. Esta funcionalidade pode servir tanto para entretenimento como para treino de praticantes mais experientes.
Num contexto em que muitas empresas procuram novas formas de promover a interação entre colaboradores, os responsáveis acreditam que o simulador tem a vantagem de reunir participantes com diferentes perfis em torno de uma atividade simples e competitiva.
“O objetivo é criar momentos de convívio que juntem toda a gente, incluindo quem nunca pegou num taco de golfe”, sublinham os fundadores.
Com base em Lisboa, a Sobrero Golf procura agora expandir a presença em eventos corporativos e privados, apostando numa experiência que combina tecnologia, entretenimento e desporto sem as limitações associadas a um campo de golfe tradicional.
A Comissão Europeia classificou hoje como “profundamente preocupantes” os ataques informáticos a sistemas de refrigeração em supermercados de vários países da União Europeia (UE), como Bélgica ou França, defendendo o reforço da resiliência da cadeia de abastecimento alimentar.
“Levo muito a sério as notícias relativas a incidentes informáticos que afetam empresas do setor do retalho em vários países europeus. A ocorrência repetida destes ciberataques é profundamente preocupante”, reagiu o comissário europeu da Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen.
Numa nota escrita enviada à agência Lusa, o responsável europeu pela tutela considerou estar em causa uma “tentativa deliberada de perturbar a cadeia de abastecimento alimentar [da UE] e de comprometer a confiança dos consumidores na mesma”.
“Um sinal de alerta que devemos levar muito a sério”, salientou.
Frisando que a segurança alimentar da UE “não está atualmente em risco”, Christophe Hansen admitiu que “o desperdício alimentar e o impacto nas empresas são reais”.
“A segurança alimentar não consiste apenas em produzir alimentos em quantidade suficiente. Trata-se também de garantir que a nossa cadeia de abastecimento alimentar permanece resiliente perante ameaças novas e em constante evolução”, elencou.
Por essa razão, “continuarei a acompanhar de perto a evolução dos acontecimentos e a procurar obter uma visão global dos planos de preparação de que os retalhistas dispõem para responder a este tipo de incidentes” e “abordarei igualmente esta questão com os meus colegas comissários na nossa próxima reunião”, assegurou Christophe Hansen.
Nesta declaração enviada à Lusa, o comissário europeu da tutela frisou que “o reforço da resiliência exige uma abordagem coordenada ao longo de toda a cadeia de abastecimento alimentar, desde os grossistas e operadores logísticos até aos retalhistas”.
“Temos de garantir que todos os elos desta cadeia estão preparados para resistir às ciberameaças e responder às mesmas”, adiantou.
Também numa resposta escrita enviada à Lusa, a porta-voz do executivo comunitário para a área da Agricultura, Louise Bogey, indicou que a instituição tem conhecimento destes incidentes, que “demonstram que os ciberataques podem perturbar a prestação de serviços, afetar as empresas e ter um impacto direto na vida quotidiana dos cidadãos”.
De acordo com a responsável, a UE “dispõe de vários instrumentos para responder a este tipo de incidentes”, desde logo através da Rede Europeia de Organizações de Ligação para as Crises Cibernéticas, que permite coordenar a gestão de incidentes e crises de cibersegurança em grande escala, facilitando a troca de informações entre os Estados-membros e as instituições europeias.
Entre outros instrumentos na UE estão o Regulamento Ciber-Resiliência, que reforça a segurança dos produtos digitais, o Regulamento Cibersolidariedade, que melhora a capacidade de resposta a ciberataques, e a Diretiva NIS2, que estabelece regras de prevenção e gestão de riscos informáticos para setores essenciais e importantes.
Dezenas de supermercados na Bélgica sofreram um ataque informático entre a noite de domingo e hoje, permitindo aos piratas manipularem remotamente os seus sistemas de refrigeração, noticiou a imprensa internacional.
O método utilizado é semelhante ao ataque informático registado em França no passado mês de outubro, que também afetou vários supermercados, e num outro detetado hoje em estabelecimentos na Suécia.
Supermercados na Estónia, Finlândia, Luxemburgo, Irlanda e Países